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7 passos práticos para começar a investir em criptomoedas

Enzo Ribeiro começou a investir em criptomoedas há um ano, perdeu dinheiro, mas esperou a recuperação - Arquivo Pessoal
Enzo Ribeiro começou a investir em criptomoedas há um ano, perdeu dinheiro, mas esperou a recuperação Imagem: Arquivo Pessoal
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Nivaldo Souza

Colaboração para o UOL, de São Paulo

07/06/2021 04h00

Existem 10.177 moedas digitais em comercialização no mundo. As mais conhecidas são a bitcoin e a ethereum, que juntas concentram cerca de 60% do mercado mundial, cuja movimentação somou US$ 1,6 trilhão, considerando os dados da última terça-feira (1º).

Nas últimas semanas as notícias sobre o sobe e desce desse mercado chamaram a atenção de muitos investidores que, curiosos e muitas vezes esperando por altos retornos, se interessaram em investir em criptomoedas. Se você é um deles, leia o texto. O UOL Economia+ ouviu especialistas desse mercado para entender o passo a passo prático de como investir em criptomoedas. Veja.

1º passo: conheça o seu perfil de investimento

O primeiro passo para investir em qualquer ativo, de Tesouro Direto a criptomoedas, é entender o seu perfil de investidor. Você aceita risco alto? É moderado ou prefere segurança? No mercado de criptomoedas é preciso estar aberto ao risco típico de um produto de renda altamente variável, que em um momento pode valer muito e no instante seguinte bem menos.

Só para se ter ideia, em maio, a cotação do bitcoin caiu 32,7%. Mas no acumulado de 12 meses, a valorização foi de cerca de 270%.

"O investidor com perfil muito moderado, com medo de perder, não deveria investir em criptomoedas", avalia o economista Adrian Cernev, professor do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O contador Enzo Ribeiro recorda que no começo não entendia como o mercado de criptoativos funcionava. Ele começou a investir em criptomoedas há cerca de um ano.

Ribeiro chegou a perder R$ 2 mil. Mas manteve as aplicações, e estudou como operar com mais segurança. Hoje, recuperou o investimento perdido e tem R$ 10 mil na sua carteira digital formada por 350 tipos de criptomoedas. "Esse tipo de investimento não é fácil para quem está começando. Você pode ganhar rápido, assim como pode perder muito rápido. Para mim o importante é saber bem como funciona esse mercado", diz.

2º passo: entenda sobre a criptomoeda antes de investir

Um ponto que poucos investidores sabem é que toda criptomoeda tem uma tecnologia por trás. Tudo começa com a "mineração", processo de criação da moeda digital. O processo de mineração é igual para todas as criptomoedas. O que muda é a função, que é definida por tokens específicos.

Um token pode, por exemplo, definir que uma criptomoeda ofereça desconto numa loja específica, onde será permitido comprar produtos com preço menor do que com dinheiro tradicional.

"Cada token tem a sua estratégia, que pode ser [por exemplo] desconto em relógios", explica o especialista em criptomoedas da Spiti, Thales Inada. Entender o que cada criptomoeda pode representar, e o que ela faz, é importante para escolher em qual delas investir.

3º passo: encontre uma "exchange"

Na sua corretora tradicional, você consegue investir em criptomoedas a partir de fundos. Contudo, se você quiser investir em uma criptomoeda específica, o ideal é encontrar uma corretora especializada, chamada de exchange. Há uma lista delas no CoinMarketCap, site especializado nesse mercado.

Uma exchange funciona como uma casa de câmbio. Existem 308 exchanges operando no mercado global. No Brasil, as maiores são Mercado Bitcoin, FoxBit, BitcoinTrade.

Um critério para ajudar você a escolher a corretora é observar quanto cada uma movimenta e o total de ativos. Em caso de dúvidas, acione a corretora escolhida para tirar suas dúvidas. Como é um mercado muito novo, a maioria delas tem atendimento por telefone.

4º passo: abra a sua conta e comece a operar

Depois de encontrar a sua corretora, é só abrir uma conta para operar —o que pode ser feito pelo site ou aplicativo. Quando você faz isso, você está criando a sua carteira digital na corretora. Em seguida, é preciso depositar o valor desejado para investir.

A partir daí é possível comprar e vender criptomoedas a qualquer momento do dia ou da noite, assim como você compra ações. A diferença é que as criptomoedas podem ser comercializadas 24 horas por dia, diferentemente do mercado de ações, que funciona em horário comercial.

5º passo: guarde a senha em local seguro

Quando você cria sua carteira digital, é necessário criar uma senha de acesso. É nessa fase que muita gente se atrapalha, e acaba esquecendo da senha. As histórias de investidores que perderam dinheiro por causa disso são bem comuns.

A forma mais segura de guardá-la é anotando em papel para evitar perdas ou roubos. "Não anote [senhas] no e-mail, no bloco de notas do computador, nem no Word. Se estiver no computador ou no celular, que são aparelhos conectados à internet, você já está exposto a um risco maior", afirma Inada.

Ribeiro segue à risca essa recomendação. Mas o contador vai além da simples anotação: ele guarda a sua senha num cofre de metal. "Eu sei do risco de invadirem meu celular e acessarem a chave. Não deixo salvo na memória [do computador ou celular] ", conta.

6º passo: pesquise sobre as taxas

Esteja atento às taxas cobradas pelas corretoras. Algumas cobram até 2% do valor sacado mais um adicional de até R$ 10,90 por saque. Além da taxa média de 0,25% a 0,5% por ordem de compra e venda da carteira digital. As alíquotas e valores cobrados por corretoras brasileiras estão disponíveis aqui.

Além disso, a partir deste ano, os investimentos em moedas digitais acima de R$ 5 mil passaram a ter a inclusão obrigatória na declaração anual do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF).

Bruno Milanello, executivo do Mercado Biticoin, observa que pode haver o recolhimento de imposto sobre o lucro.

"Se você realizou vendas acima de R$ 35 mil por mês, os eventuais lucros com essas operações estão sujeitos à retenção de imposto de ganho sobre capital, que deve ser pago no mês seguinte ao da venda. Para ganhos mensais de até R$ 5 milhões, o imposto é de 15% sobre o lucro. A alíquota aumenta gradativamente acima desse valor", explica.

7º passo: entenda a linguagem

Cernev, da FGV, considera essencial entender os termos técnicos desse mercado para evoluir como investidor.

"O investidor leigo precisa parar e estudar. Ele precisa entender a volatilidade do mercado, o que é risco de perda, o que é efeito manada, o histórico de moedas, entre outras informações importantes para operar nesse mercado", afirma.

É comum no mercado termos como blockchain, que é basicamente uma tecnologia de segurança digital e que está por trás da maioria das criptomoedas; bid, que é o preço mais alto que um determinado comprador está disposto a pagar; dump, quando o preço de um ativo cai de repente; e principalmente marketcap, que é basicamente a quantidade de criptomoeda que está circulando pelo preço dela —é como se fosse seu valor de mercado.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.