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4 investimentos que são "cringe" para você ficar longe, segundo analistas

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/06/2021 04h00

Se você não entendeu bem o título desse texto, provavelmente você nasceu antes de 1995. "Cringe" é o termo cunhado pelos jovens da geração Z para o que os mais velhos costumavam chamar de "mico" ou simplesmente "vergonha alheia". E quem nunca teve um investimento ou produto financeiro "cringe" que atire a primeira pedra.

Tem aquele dinheiro que está seguro, mas não rende, ou aquele título que o gerente do seu banco lhe ofereceu como uma grande oportunidade de investimento - e você acreditou. Até investimentos que parecem mais sofisticados também têm sua cota de constrangimento. Especialistas ouvidos pelo UOL Economia+ fizeram uma lista de investimentos "cringe" para ninguém passar mais vergonha.

Ainda tem um bônus: um produto que você pensa que é investimento, alguém provavelmente já te vendeu como investimento, mas é o maior de todos os micos, segundo especialistas. Confira abaixo a lista.

1. Poupança

"Não é o pior investimento, mas ganha o primeiro lugar por uma questão de representatividade. A gente tem mais de 50% dos investimentos no Brasil alocados em poupança e o brasileiro ainda tem muito que aprender sobre investimentos", afirma Júnior Monteiro, consultor de investimentos e sócio-fundador da Six Capital.

Para ele, a poupança é ultrapassada como opção para reserva de emergência, porque existem outros ativos melhores, como Tesouro Selic e alguns CDBs que têm liquidez e rentabilidade maior.

"Com a alta dos juros, faz menos sentido ainda deixar o dinheiro na poupança. O Tesouro Selic, por exemplo, também é seguro e acompanha os juros", afirma. Já a poupança rende 70% da taxa Selic.

2. CDB que rende menos que 100% do CDI

CBDs que rendem menos que 100% do CDI é vergonhoso, segundo especialistas. Esse é um dos papéis mais comuns oferecidos por grandes bancos.

"O investidor do CDB geralmente tem medo de arriscar e não se interessa em conhecer outros tipos de investimento e vai pela indicação do gerente, que ele costuma ter como alguém de confiança", diz Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research.

Os CDBs com rendimento acima de 100% geralmente são ofertados a clientes "prime", que costumam utilizar a aplicação para fazer operações estruturadas. Contudo, o pequeno investidor consegue encontrar CDBs melhores nas plataformas das corretoras.

3. Fundos de renda fixa com altas taxas de administração

"A rentabilidade desses fundos por si só não é alta. Normalmente acompanha ou ganha um pouco acima do CDI. Se tiver uma taxa de administração alta, vai descontar da rentabilidade", afirma Monteiro, da Six Capital.

Nesses casos, afirma, o rendimento líquido fica abaixo do CDI. É que boa parte desses fundos coloca o seu dinheiro em títulos públicos e CDBs —investimentos que você poderia fazer sozinho, sem precisar pagar nenhuma taxa. "Se a taxa de administração for acima de 1,5%, não vale a pena", diz.

"É preciso correr atrás de informações sobre o fundo, para não acabar investindo em um produto ruim ou ineficiente", afirma Gabriela Mosmann, da Suno.

4. Conta Remunerada

Embora nem todos os especialistas considerem a conta remunerada um investimento, ela tem ganhado espaço como opção de rentabilidade para quem deixa dinheiro parado na conta, e é bem comum entre bancos digitais.

"Ela rende menos ainda que a caderneta de poupança. Tem gente que deixa lá dezenas de milhares de reais, achando que é melhor render pouco do que não render nada. Algumas remuneram apenas 35% do CDI", afirma Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro.

"Os bancos costumam convencer os clientes a deixar dinheiro na conta remunerada, pois é uma aplicação financeira e assim a instituição se livra do depósito compulsório, podendo utilizar o valor integral deixado na conta. Mas para o correntista, não vale a pena", diz.

Bônus: Títulos de capitalização

Esse é o maior "cringe" entre os produtos financeiros. Títulos de capitalização não são investimentos, embora sejam vendidos como se fossem em muitos bancos, e estão atrelados a um sorteio.

"Ele serve para capitalizar o emissor do título e não quem o compra. Além disso, é comum encontrar títulos em que você retira menos dinheiro do que o valor investido", afirma Mauro Calil.

"Os títulos têm prazo de 48 a 60 meses e no final você recebe o valor mais uma taxa referencial que está próxima de 0%. Logo, você perde o poder de compra, pois não rende nem a inflação. Além disso, se houver imprevisto e você precisar retirar o dinheiro antes do prazo, você perde o valor do capital", declara Júnior Monteiro.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.