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Risco-país: por que você precisa entender o que é isso antes de investir?

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Do UOL, em São Paulo

09/08/2021 04h00

O que é risco-país? Por que você precisa entender sobre ele para investir melhor? Para que ele serve e como afeta a nossa vida? Esse foi o tema da conversa entre José Roberto Securato, professor doutor titular da USP e da PUC-SP, e também criador do Laboratório de Finanças da FIA Business School, e Carlos Eduardo Furlanetti, professor dos cursos de Finanças do Labfin-Provar e FIA Online

Risco-país é uma comparação de risco entre mercados. Ele mede o grau de confiança neste mercado em relação a outro, mostra quais são os indicadores de riscos de um determinado investimento, quais são os riscos de crédito de um país, considerando a oscilação entre realidades com maior ou menor risco em investir em seus títulos.

Na conversa, os professores ressaltam que um risco tem que ser correspondente à possibilidade que um mercado tem de se pagar. Por isso, os investidores precisam conhecer esse indicador antes de investir. Ouça abaixo podcast entre os especialistas.

O que é Risco-país?

Quando se ouve falar nessa nomenclatura, a impressão que se tem é que parece algo muito ruim. Bem, pode ser ou não, depende do entendimento, da forma como se lida com esse importante parâmetro financeiro que existe para medir a confiança sobre a economia de um país, pois cada qual tem o seu, como explicou José Roberto Securato.

Ele contou uma história que deixa claro como surgiu, quando, para que serve e como isso afeta a nossa vida. Por meio de uma abordagem muito prática sobre esse parâmetro financeiro que funciona para comparar e avaliar os riscos de crédito de um país, sua instabilidade e estabilidade econômico-financeira, o professor Securato ensina que para falar em Risco-país, é preciso conhecer um pouco da sua história, ter uma visão, pelo menos geral, de suas raízes.

As raízes do Risco-país

Lá no passado, em alguma época da história, a Inglaterra foi o grande país do mundo, como grande colonizador, dominava mares, terras, se fazia presente em todos os continentes, e com grande representatividade geopolítica, a Inglaterra era o país com menor risco do mundo, comparado a outros países.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a moeda dos Estados Unidos se fortaleceu, tornando-se forte comparada com as demais. Esse contexto significa dizer que os Estados Unidos passaram a representar um menor Risco-país. A moeda norte-americana tornou-se a grande base de risco do mundo, oferecendo títulos com menores riscos, com base em determinadas taxas de juros, correspondentes à quantidade de anos de cada tipo de investimento.

Ainda que a sua essência esteja em contextos do passado, a ideia do Risco-País foi criada na década de 1990 pelo banco de investimentos norte-americano J. P. Morgan, a fim de orientar sobre investimentos e respectivos riscos e retornos; quanto ao risco de investir sem conhecer o grau de estabilidade dos países, suas dívidas e seu potencial de cumprir com o pagamento adquirido, quais situações devem ser evitadas devido ao risco de uma possível crise financeira.

Qual é o desenho macro da ideia de risco?

Um país que tem todas essas características mencionadas, comparadas às características de outras nações, desde que ele tenha real capacidade de se manter ativo, sempre cumprir com os seus contratos, que não os quebre pura e simplesmente, é considerado um país de menor risco.

Sobre crise financeira e, também para uma visão macro da ideia de risco, cabe aqui mencionar um fato curioso na história, que é a crise de 2008, que levou muita gente a comprar títulos do tesouro norte-americano. Só que tais investidores não se deram conta de que a tal crise foi justamente nos Estados Unidos, no mercado imobiliário americano, a chamada crise do subprime, um ativo famoso da crise financeira imobiliária do século XXI.

Por um lado, o colapso provocou falências, dívidas internas e externas, quebras de compromissos, falta de recursos, alta do desemprego, perda de segurança e confiança, entre outros prejuízos financeiros que acometeram pessoas jurídicas e físicas, em maior ou menor grau.

Por outro lado, a crise mostrou um grande exemplo da força do que é ser um país que tem um histórico de menor risco-país do mundo, como os Estados Unidos, e o peso de sua credibilidade na economia global.

Por isso, é indispensável conhecer, avaliar, comparar, ter cuidado. O risco tem que ser correspondente à possibilidade de pagar. Do contrário, essa medida não serve para absolutamente nada. É este o desenho macro da ideia de risco, enfatiza o professor Securato.

E o Risco-Brasil?

O conceito deste parâmetro financeiro, desse termômetro financeiro que serve para medir o grau de instabilidade econômica de um país, se subiu ou se caiu, a estratégia de alocação de ativos, os vários tipos de risco e como todo o processo influencia o mercado financeiro, serve igualmente para todos os países em relação ao seu score.

O Risco-Brasil é o parâmetro de medida do nível de risco do próprio país, da capacidade do Brasil em honrar com seus compromissos financeiros.

Quanto maior o indicador de risco, maior o risco. Outro exemplo é a avaliação dos riscos internos, no Brasil, entre os títulos públicos e privados oferecidos: o risco interno vale quanto o CDB paga a mais do que a taxa básica da economia brasileira, que é a taxa de título do governo.

Este seria, portanto, o risco do banco. A ideia aqui é semelhante: quando maior o retorno, mais atrativo, maior a taxa de juros, e os cuidados relativos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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