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Fundo de economia verde estreia na Bolsa; veja se vale a pena investir

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Vinicius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/08/2021 04h00

O investidor que busca comprar ações de empresas que contribuam com algo a mais à sociedade, do que apenas o lucro, vem ganhando opções no Brasil. Uma dessas possibilidades é o REVE11, um fundo de índice (ETF) que é composto por empresas engajadas em uma transição para uma economia verde.

Esse ETF, que é um fundo com cotas negociadas na B3, replica a carteira do índice Russell® 1000 Green Revenues 50 e, por isso, possui ações de 50 empresas listadas nos EUA com características ligadas a conceitos ESG —empresas que têm políticas voltadas para governança corporativa, ambiental e social. Confira abaixo o que os analistas dizem sobre o novo fundo, quais empresas são destaque e se vale a pena investir.

Tesla e Cisco lideram entre os destaques

Ao final de julho, na última atualização disponível, as maiores posições do ETF REVE11 eram em Tesla, com 10,36% do total do fundo, Cisco e da empresa de produtos científicos Danaher, com 9,84% e 9,65% do total do fundo, respectivamente.

Destinado para o público em geral, o REVE11 é administrado pelo Itaú Asset, possui taxa de administração de 0,50% ao ano, com resgate da aplicação em até dois dias úteis, e passa por um rebalanceamento semestral na carteira. O valor inicial de investimento é a partir de R$ 100.

Além disso, ele também possui exposição cambial, ou seja, está sujeito às variações positivas ou negativas do dólar ante o real.

Fundo vale a pena?

Para Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos, ter uma exposição ao mercado norte-americano pode ser interessante para o investidor.

"A exposição ao mercado norte-americano pode ser bastante interessante. Apesar de os índices estarem negociando próximos às máximas históricas, acredito que haja bastante espaço para crescimento e temos todo um pacote de estímulos que será implementado e terá um efeito de longo prazo à economia norte-americana", afirma.

Apesar dessa diversificação ser positiva, de acordo com Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico, o investidor também precisa analisar o próprio perfil de risco e checar, também, se já tema alguns desses papéis de forma relevante na carteira, para não ter o risco de duplicar uma posição.

"É importante você entender o que já tem na sua carteira antes de aplicar em produtos como esse. [O REVE11] tem, por exemplo, bastante exposição em Tesla e Cisco, por exemplo. Então um investidor que já tenha bastante exposição a essas empresas ou setores semelhantes precisa rever para não se expor demais", diz.

"O ESG é uma tese importante, mas são investimentos em ações. Então investidores muito avessos a risco ou devem ter uma alocação bem pequena ou não devem ter ações na carteira. Não é só porque o investimento inicial é baixo que você não precisa prestar atenção ao risco", afirma.

Taxa de administração pode pesar

O investidor também deve ficar atento à taxa de administração, de 0,50% ao ano, considerada relativamente alta para um ETF, segundo Bruna Amalcaburio, analista da Top Gain.

"Se levarmos em consideração o longo prazo, sim vale a pena o investimento, ainda mais para esse tipo de empresa que as pessoas estão buscando cada vez mais, mas [o investidor] precisa ficar de olho na taxa de administração que nesse caso é de 0,50% ao ano", afirma.

Além disso, a exposição cambial ao dólar pode fazer com que, em caso de desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real, o desempenho seja afetado —mesmo com a alta das ações.

"Um ponto negativo é que ele vem para quem tem bastante alocação dolarizada. Ele pode fazer hedge [proteção], mas não faz necessariamente. Ele prevê uma correção caso o câmbio prejudique os seus retornos", diz Zogbi, da Rico.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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