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Bolsa para preguiçosos: as melhores ações para viver de dividendos

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/08/2021 04h00

Quem não quer ter o trabalho de acompanhar o frenético movimento do valor das ações na Bolsa, tem uma maneira de buscar rendimentos de maneira mais simples, com o recebimento de dividendos. Os lucros das empresas repassados para os donos das ações podem garantir uma renda constante sem que seja necessário acompanhar o sobe e desce da Bolsa com tanta frequência. É comprar a ação e deixar ela rendendo.

Isso não quer dizer que o investidor deve deixar de acompanhar o movimento do mercado. Os analistas dizem que, as mudanças nos preços das commodities e o custo do preço da energia, por exemplo, indicam que o mercado deve mudar no segundo semestre. A expectativa é que a grande pagadora de dividendos, a Vale, entregue menos nos próximos meses, mas outras empresas prometem avançar nesse quesito. Veja abaixo quais são essas empresas.

Vale e Petrobras: as maiores pagadoras de dividendos

Segundo o levantamento da Economatica, plataforma de dados voltada para o mercado financeiro, a Vale distribuiu quase R$ 33 bilhões aos seus acionistas no primeiro semestre deste ano, quase o dobro do que foi entregue em todo o ano de 2020, quando os acionistas receberam R$ 18 bilhões.

Ao longo dos primeiros seis meses deste ano, os dividendos entregues por todas as empresas da Bolsa estão próximos de igualar o total do ano passado.

Segundo Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional e comercial da Economatica, "todas as 357 empresas da amostra distribuíram R$ 109 bilhões e, de janeiro a junho de 2021, o valor que representa 87,2% do volume total distribuído em 2020".

As cinco empresas que mais pagaram dividendos no período concentram mais da metade desse valor: sozinhas, elas distribuíram R$ 54,9 bilhões.

Veja quais são as maiores pagadores de dividendos em valores brutos, considerando o primeiro semestre deste ano, segundo levantamento da Economatica:

1. Vale (VALE3): R$ 32,9 bilhões
2. Petrobras (PETR4)(PETR3): R$ 10,4 bilhões
3. Santander (SANB11): R$ 4,1 bilhões
4. Bradesco (BBDC4): R$ 3,9 bilhões
5. Banco do Brasil (BBAS3): R$ 3,6 bilhões

Apesar de liderar a lista, a Vale apresentou números mais modestos que os apresentados no segundo semestre de 2020, quando cada ação rendeu R$ 4,26 aos acionistas.

Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, destaca que a Vale é historicamente uma das maiores pagadoras de dividendos, mas que deve oferecer ganhos mais discretos ao investidor daqui em diante.

"Os números recentes são atípicos, visto o preço do minério de ferro, que mais que dobrou em alguns meses", diz.

O valor distribuído pela Vale entre janeiro e junho é três vezes superior ao da Petrobras, segunda colocada entre as maiores pagadoras de dividendos, com R$ 10,4 bilhão distribuídos aos acionistas durante os seis primeiros meses de 2021.

Para Soares, a estatal também pode ser afetada negativamente por conta da variação do preço do petróleo e da interferência do poder público.

Guilherme Tiglia, sócio da Nord Research, diz que as campeãs no pagamento de dividendos em 2021 até agora foram favorecidas pelos ventos da economia global, mas que é importante olhar para a frente, com a queda no preço das commodities no horizonte.

"A Vale, por exemplo, se beneficiou com a alta do minério de ferro, mas é importante estar atento às mudanças na demanda por essa commodity", diz.

Bancos também são grandes pagadores

Os bancos, por sua vez, também são grandes pagadores de dividendos, com o Santander à frente. A instituição pagou mais de R$ 4,1 bilhões no primeiro semestre. Para o segundo semestre, Soares recomenda a compra de bancos e empresas de energia, para quem pensa em dividendos.

Tiglia também coloca como setores que considera mais interessantes para pagamento de dividendos os bancos e as empresas de produção e distribuição de energia, e acrescenta seguradoras.

"São empresas que historicamente pagam bons dividendos, mais consolidadas e com maior previsibilidade nos seus negócios, mas sem muitas possibilidades de expansão", afirma.

Maiores lucros por ação

Empresas com os maiores fluxos de caixa acabam movimentando mais dinheiro e o valor bruto do pagamento de rendimentos aos acionistas pode, por isso, ser maior.

Mas nem sempre esse valor bruto significa os maiores pagamentos de dividendos por ação, os chamados dividend yelds.

Segundo o levantamento da Economatica, Taesa e Copel são as empresas que distribuem mais valor por ação na Bolsa, com 8,96%, e 8,78%, respectivamente, por cada papel.

A Petrobras paga 7,05% por ação para os investidores e pode continuar sendo uma boa opção, a depender do patamar da taxa de juros.

No setor de alimentos, a JBS paga 8,52% e a Minerva, 7,62%, mas Soares destaca que, apesar de continuarem remunerando bem os acionistas, essas empresas devem oferecer retornos mais modestos daqui em diante, principalmente a líder de mercado.

"A JBS, assim como a Minerva, se beneficiou de um momento extraordinário e gerou bastante caixa, mas não há garantia de que os pagamentos de dividendos manterão essa magnitude", afirma.

Veja as maiores pagadoras de dividendos por ação, considerando os números do primeiro semestre deste ano, segundo dados da Economatica:

1ª Taesa (TAEE11): 8,96%
2ª Copel (CPLE6): 8,78%
3ª JBS (JBSS3): 8,52%
4ª Petrobras (PETR4): 8,48%
5ª Petrobras (PETR3): 8,33%

Para viver de dividendos, é preciso olhar a taxa de juros

Roberto Nemr, analista da Ohmresearch, destaca que o investidor deve se preocupar em comparar o dividendo recebido com a taxa de juros no mercado para que seu investimento não seja menos rentável que algumas opções da renda fixa. Ele prevê um patamar de Selic na casa dos 6% ou 7% ao ano. Portanto, o chamado dividendo yeld da empresa precisa estar acima deste patamar.

Os bancos têm dividend yelds abaixo de 4,5% e podem deixar de ser interessantes diante do aumento da inflação e dos juros, se a ideia é viver de dividendos.

A Vale está distribuindo 7,36%, patamar acima da inflação, mas deve cair por conta da redução do preço do minério de ferro no mercado internacional, o que também faz a mineradora uma opção menos rentável.

"O preço do minério de ferro estava na máxima histórica e caiu de mais de US$ 200 para a faixa de US$ 130, US$ 140. A média é de US$ 115 e deve se acomodar nesses patamares", diz Nemr.

A Petrobras, por outro lado, pode ser uma opção mais interessante neste momento, aponta o analista, ao menos para o curto e médio prazos.

"O preço do combustível não vai cair muito de onde ele está e o nível atual é bastante rentável, como o balanço do segundo trimestre mostrou, com recorde de dividendos. É uma ação interessante", afirma Nemr.

Ele alerta, porém, que a longo prazo, a situação pode mudar por conta de interferências políticas e pela queda na demanda de combustíveis fósseis.

Ele também recomenda o setor de energia. Das empresas do setor, destaque para a Taesa, com o maior dividend yeld da Bolsa hoje. "Ela é uma distribuidora pura, não é muito afetada pelo racionamento. Não oferece grandes ganhos, mas não deixa de ser interessante em momentos de turbulência, como a atual", diz o analista.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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