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iPhone 13 custa R$ 15 mil; ser sócio da Apple sai por R$ 80: vale investir?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/09/2021 04h00

Os lançamentos da Apple têm sido acompanhados por quedas no valor das ações da empresa. Essa sina deve continuar após o lançamento do iPhone 13, que ocorreu nesta terça-feira (14). Enquanto a empresa apresentava os novos modelos de celular, cujos preços no Brasil devem ficar entre R$ 6.599 e R$ 15.499, os BDRs da empresa na Bolsa brasileira fecharam o dia com queda de 0,40%, a R$ 77,70.

BDRs são certificados emitidos no Brasil que representam ações de empresas listadas em bolsas do exterior. Na prática, é como se o investidor tivesse ações da companhia. Queridinha dos investidores por muitos anos, a Apple parece estar perdendo o brilho aos olhos dos acionistas. A empresa ainda é uma boa oportunidade de investimento? Para especialistas ouvidos pelo UOL, a empresa já não é tão queridinha assim, mas não pode ser deixada de lado. Entenda abaixo.

É preciso analisar a empresa para além do iPhone 13

Segundo analistas, o conselho aos investidores é olhar para além dos momentos de frenesi dos lançamentos, além de se atentar ao valor do dólar para verificar o que fazer com os BDRs da gigante norte-americana.

Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, o investidor não deve mais pensar que as ações da Apple serão "o camisa 10 da sua seleção de ações americanas".

Ele explica que os recuos na valorização após os lançamentos apontam para uma certa frustração causada nos consumidores a cada lançamento, que mostra a perda da capacidade da empresa em liderar o processo de inovação. Isso acaba refletindo no resultado na Bolsa.

"As novidades do último iPhone foram compartilhamento de bateria e resistência à água, o que você já via em outros aparelhos das concorrentes, que já têm até celular que dobra, o que a Apple não tem. Ela não é mais a empresa que inova, ao menos no segmento de smartphones", diz Cruz.

Para o lançamento do iPhone 13, o analista acredita que o frenesi pré-lançamento registrado pelo mercado de ações deve ser seguido por uma discreta decepção, assim como aconteceu nas últimas ocasiões em que a Apple lançou suas novidades.

Queda pós-lançamentos virou padrão

O que se viu no último lançamento, em 20 de abril, foi um pico de valorização uma semana antes do lançamento dos novos iMac, iPad Pro e dos rastreadores AirTags. O pico foi seguido por uma queda ainda no dia do lançamento, quando os papéis entraram numa tendência de baixa até junho.

Aqui, os BDRs da Apple chegaram a R$ 76,93 uma semana antes do Spring Loaded — como é chamado o evento que marca o lançamento dos novos produtos no primeiro semestre. Depois deste pico, as ações experimentaram oscilações e seu valor chegou a ficar abaixo dos R$ 65, preço do BDR em outubro do ano passado, quando essa opção de investimento foi aberta para o pequeno investidor.

Algo parecido aconteceu no lançamento do iPhone 12, em outubro de 2020, quando as ações desabaram 4% depois do evento de lançamento do primeiro smartphone 5G da Apple, chegando ao valor de US$ 119,65 na Nasdaq, o que significou uma perda de US$ 81 bilhões no auge da desvalorização.

Bom negócio para o longo prazo

Desde o dia 23 de outubro do ano passado, os BDRs da Apple saíram da faixa dos R$ 65 para bater R$ 77,70 no fechamento da última terça-feira (14).

Ainda que ajudado pelo avanço do dólar, o resultado não é desprezível. Rodrigo Sivieri, professor da Trevisan, avalia que apostar na Apple continua sendo um bom negócio se o investidor incluir o papel em uma estratégia de longo prazo e não for seduzido durante as campanhas de lançamento.

A relação preço por lucro das ações da Apple está hoje em 30 vezes, o que significa que o total de papéis distribuído pela empresa no mercado vale 30 vezes mais que o lucro registrado no balanço.

O número pode assustar, mas essa discrepância é comum no setor de tecnologia e, no caso da Apple, é mais sadio que o apresentado pelas empresas brasileiros, diz Sivieri. "E no longuíssimo prazo, a Apple é uma empresa que vai continuar crescendo", afirma.

Impacto do dólar

As ações da Apple nos Estados Unidos subiram mais de 100% nos últimos dois anos e, no Brasil, os BDRs ainda foram impulsionados pelo dólar alto, algo que precisa ser levado em conta na compra dos certificados da empresa norte-americana, diz Sivieri.

"Se a ação sobe 1% e o dólar também sobe 1%, você tem uma rentabilidade de 2%, mas pode acontecer de o dólar cair e anular uma eventual valorização da ação para quem compra em real", afirma.

Empresa pode apresentar crescimento consistente, diz analista

As ações da Apple na Nasdaq (AAPL) estão sendo negociadas na casa dos US$ 150, valor 25% superior ao negociado no final do dia do lançamento do iPhone 12, há quase um ano.

Isso mostra ao investidor brasileiro que o crescimento consistente da empresa não é só resultado da alta do dólar em comparação ao real.

Para Fernando Martin, analista de ações da casa de análises Levante, a Apple deve continuar apresentando um resultado consistente, como os principais papéis de tecnologia da Bolsa norte-americana.

Mas ele também acredita que o ritmo de subida para os próximos meses deve ser muito mais lento e que os resultados estarão cada vez mais separados das vendas de smartphone.

"O iPhone tem perdido peso no mix de produtos da Apple, que tem buscado diversificar suas fontes de receita, apostando mais nos serviços, que têm margens maiores e que têm trazido uma perspectiva melhor para o balanço da empresa", afirma Martin.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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