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Ações do Magalu caem 30% no ano: empresa não é mais a queridinha da Bolsa?

Lu, do Magazine Luiza: empresa deixou de ser a queridinha da Bolsa? - Reprodução/Instagram
Lu, do Magazine Luiza: empresa deixou de ser a queridinha da Bolsa? Imagem: Reprodução/Instagram
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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/09/2021 04h00

Uma das queridinhas do investidor brasileiro, a ação do Magazine Luiza (MGLU3) apresentou queda superior a 30% desde o começo do ano, até o fechamento da sessão da Bolsa da última terça (14). O papel da empresa custa agora em torno de R$ 17, depois de ter ultrapassado os R$ 25 em janeiro. As ações caíram quase 40% desde o seu pico histórico, em novembro do ano passado, quando estavam R$ 27,34.

O desempenho do Magalu na Bolsa bateu no teto? O UOL conversou com analistas do mercado financeiro que apontam os motivos para a queda dos papéis da varejista líder de mercado e se há perspectiva de novas valorizações na Bolsa. Veja abaixo o que eles disseram.

Não há recuperação no curto prazo, dizem analistas

Para João Abdouni, especialista em investimentos da casa de análises Inversa, não deve haver retorno aos valores das ações registrados no fim do ano passado, ao menos no curto prazo. Ele prevê novas desvalorizações para os próximos meses.

"A empresa é boa, vem crescendo bem, mas talvez o mercado tenha exagerado um pouco com relação ao preço justo dela. Estamos assistindo a uma correção agora", diz o analista.

Segundo ele, a perspectiva de crescimento econômico do país é modesta neste ano —o que agrava a situação do comércio como um todo.

De acordo com dados do boletim Focus, do Banco Central, o mercado diminuiu a projeção de crescimento do PIB deste ano, de 5,28% para 5,04% em um mês.

Para Abdouni, apesar de a empresa seguir como melhor opção no varejo, ele não recomenda a compra nem a venda dos papéis neste momento. O melhor é segurar e esperar o pior passar.

Para André Pimentel, sócio da consultoria de negócios Performa Partners, uma retomada da valorização das ações no curto prazo dependeria muito mais de movimentos especulativos do que de questões macroeconômicas ou mesmo de correções de rota dentro da empresa.

"O Magalu, como é um dos principais papéis do segmento de varejo, acabaria sendo o alvo prioritário desses movimentos", afirma.

No longo prazo, a empresa ainda é aposta acertada

Movimentos especulativos à parte, a trajetória da empresa para o longo prazo deve continuar sendo de alta com uma melhora no ambiente econômico, diz Pimentel.

"Eu continuo achando uma aposta muito acertada. Se pensar numa volta a uma certa normalidade, com o Brasil crescendo em algum momento, o Magalu é a empresa mais bem posicionada", diz.

Jéssica Sprovieri, analista da casa de análises Inside Research, diz que a recomendação é de compra neste momento de baixa.

"Continuamos otimistas com Magazine Luiza, acreditando que a companhia deve continuar tendo sucesso no desenvolvimento de um ecossistema bastante diverso e integrado", diz a analista.

Empresa deixou de ser queridinha do investidor?

Os especialistas concordam que o Magazine Luiza não deve perder seu papel de ação queridinha do investidor entre as empresas de varejo.

A Via (VIIA3 - antiga Via Varejo), principal concorrente da empresa, viu suas ações caírem desde agosto, saindo de R$ 10,6 para 9,05 na última terça-feira (14), o que reforça a tese de que o movimento negativo da líder de mercado é uma questão conjuntural.

Pimentel avalia que a Via tem capacidade de ganhar espaço no mercado digital, mas seu potencial é limitado em relação ao Magalu.

"O mercado brasileiro tem capacidade de ter mais uma empresa importante nesse tipo de negócio, mas há uma distância muito grande entre Via e Magalu, que tem um trabalho fruto de muitos anos, construído com persistência. A Via teve uma trajetória cheia de percalços", afirma.

Para o curto prazo, Abdouni crê que a diferença de valor entre Magalu e Via na Bolsa deve diminuir. O analista afirma que o mercado deve corrigir a diferença entre os concorrentes.

"O Magazine Luiza é uma empresa melhor que a Via, mas essa diferença de preço está discrepante", diz.

Ele pondera que, apesar da redução do abismo que deve acontecer entre os concorrentes, o Magazine Luiza segue como o melhor negócio para o investidor a longo prazo.

Via encosta no Magazine Luiza

Ao contrário dos especialistas ouvidos pela reportagem, economistas da casa de análises Levante Ideias de Investimentos trocaram o Magazine Luiza pela Via nas carteiras recomendadas aos leitores do UOL.

A empresa acumula queda de 14% neste ano, até a sessão da última terça (14). Contudo, os analistas da casa acreditam que é hora de comprar os papéis da empresa.

"As ações da Via já estavam descontadas (valendo menos do que deveriam valer) quando inserimos nas carteiras. Porém, com os últimos movimentos de queda da Bolsa, as ações sofreram fortemente, ficando extremamente 'amassadas'", afirma Felipe Bevilacqua, analista da casa.

"Isso faz com que as ações tenham um potencial de valorização ainda maior, já que as projeções continuam as mesmas, mas agora partindo de um preço menor. E para quem comprou as ações com uma cotação um pouco acima, é a hora de melhorar o que chamamos de preço médio (PM) e ter um maior proveito desse potencial de valorização", diz Bevilacqua.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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