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Quer viajar mais? Veja onde é melhor investir dinheiro com esse objetivo

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/11/2021 04h00

O avanço da vacinação contra a covid-19 reaviva os planos de viagem. Em outubro, a Boston Consulting Group (BCG) divulgou uma pesquisa que confirma o desejo de visitar outras localidades. Ao todo, 70% dos entrevistados disseram já ter decidido que vão viajar na primeira oportunidade que aparecer. Um ano atrás, a proporção era praticamente inversa: 76% não desejavam viajar, mesmo que fosse para curtas distâncias.

Mas, antes de fazer as malas é fundamental ter um planejamento financeiro. Leia a seguir dicas práticas de como juntar dinheiro e onde investir para atingir seu objetivo de viajar mais.

Disciplina

"Para a viagem de fato se concretizar, os aportes de investimentos precisam ser constantes", afirma Bia Moraes, educadora financeira da Ativa Investimentos.

O prazo para aplicações é variável, de acordo com o valor que se pode aplicar por mês e o gasto previsto com a viagem, mas a especialista recomenda que não seja inferior a seis meses. Isso permite que o processo de poupança seja tranquilo, sem apertos financeiros.

Conta separada para o objetivo

Além da disciplina em juntar o dinheiro todos os meses, outra recomendação é ter um investimento dedicado a esse propósito em vez de aplicar o dinheiro para a viagem em uma conta já existente.

A separação pode facilitar o acompanhamento do desempenho da aplicação e ajudar a destinar os recursos a um tipo de investimento que faça sentido para o objetivo da viagem.

"Não é legal misturar, por exemplo, a um investimento feito em Bolsa, que é de longo prazo. Os objetivos são diferentes, e o poupador pode sofrer com oscilações de mercado e riscos. A melhor forma de se manter organizado e ter as estratégias definidas para cada parte do seu dinheiro é separar a reserva de viagem de outras aplicações", diz Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico.

Onde investir o dinheiro

Quando fizer as contas para saber quanto será preciso ter na época da viagem, o investidor deve levar em consideração as altas de preço ao longo do tempo.

O aumento do dólar e do petróleo, por exemplo, tem impacto direto e indireto na programação do turista. Pode pressionar tanto no valor do combustível (com reflexo na hora de abastecer o carro ou comprar a passagem aérea) quanto na alimentação oferecida nos restaurantes, segundo Piter Carvalho, head de Mesa da Valor Investimentos.

No caso das viagens nacionais, uma forma de proteger os recursos do aumento do custo de vida é escolher um investimento atrelado à inflação, como o CDB e o Tesouro Direto +IPCA (desde que a data de vencimento coincida com a da viagem).

"Eu recomendo olhar para os títulos pós-fixados e evitar os títulos prefixados, porque a taxa de juros deverá ser maior. Também não indico a compra de ações com o objetivo de guardar dinheiro para uma viagem, porque o risco é alto", afirma Carvalho.

Analista da Toro Investimentos, Braulio Langer sugere que para uma viagem nacional os aportes sejam feitos em títulos de renda fixa com alta liquidez, como CDBs e Tesouro Direto.

Comprar dólar aos poucos

Adquirir aos poucos a moeda estrangeira no caso de uma viagem internacional é uma das sugestões dos especialistas.

"Caso compre a moeda estrangeira só na véspera, pode ocorrer de o valor estar alto, e aí não tem alternativa. Comprando ao longo do tempo em que se espera a viagem chegar, você pode ir aproveitando oportunidades de câmbio e criando um bom preço médio", diz Bia Moraes, educadora financeira da Ativa Investimentos.

Para Langer, é importante fazer compras mensais ou semanais de dólares para evitar preocupações com a oscilação da moeda no curto prazo às vésperas da viagem.

O analista da Toro Investimentos afirma que uma forma mais fácil de juntar dólar, euro ou outra moeda é optar por um fundo.

"Os fundos cambiais com alta liquidez investem em ativos em moeda estrangeira a fim de reduzir o risco de flutuação do câmbio."

No entanto, o investidor deve fazer uma pesquisa sobre a taxa de administração cobrada. Para não comprometer o resultado da aplicação, ela não deve ultrapassar 0,5% ao ano.

Viagem de última hora

Com a retomada das viagens, as empresas ligadas ao setor de turismo têm oferecido algumas promoções para recuperar os clientes perdidos desde o início da pandemia.

Em alguns casos, o desconto se torna tão atraente que o turista acaba recorrendo à reserva de emergência. Para os especialistas, isso nunca deve ser feito.

"Como o próprio nome diz, reserva de emergência não é para usar num plano de lazer. Uma viagem não se enquadra. É sempre bom ter em mente que uma emergência pode ocorrer em qualquer momento, por isso o dinheiro precisa estar disponível para essas situações", afirma Carvalho, da Valor Investimentos.

Collazo, da Rico, propõe ao investidor manter recursos em uma reserva de oportunidade, que serve para situações como a reabertura de um fundo que estava fechado, uma ação cobiçada que ficou mais barata, ou aquisições como viagens e compras. Essa é uma gordura dentro da reserva de emergência

Quem já tiver uma reserva, diz Carvalho, deve priorizar a compra da passagem aérea, porque a tendência é que haja reajuste de preço por causa da expectativa de o dólar continuar a subir.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que o investidor deve pesquisar a taxa de câmbio cobrada pelo fundo cambial. Na verdade, deve pesquisa a taxa de administração. A informação foi corrigida.