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É possível para qualquer um começar na Bolsa investindo pouco dinheiro?

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/11/2021 04h00

É possível começar a investir na Bolsa com pouco dinheiro? O Ibovespa faz sentido para o pequeno investidor? Como evitar determinadas ações e também aproveitar oportunidades?

Esses temas foram abordados por Carol Paiffer, fundadora e CEO da Atom S.A., e Marcio Loréga, gerente de Research e Economia do PagBank. Eles participaram do Guia do Investidor UOL, série de eventos gratuitos do UOL para quem quer aprender a ter uma relação saudável com o próprio dinheiro. Confira as análises abaixo.

Dá para começar no Ibovespa com pouco?

De acordo com Loréga, quando ele iniciou no mundo dos investimentos, há 15 anos, o cenário era muito mais desafiador para quem tinha pouco dinheiro. Hoje a situação é bem diferente.

"Os custos eram bem mais altos. No cenário atual, com o aumento da competitividade das corretoras, com pacote de benefícios e até com custo zero, que é uma tendência para ampliar a quantidade de investidores, acredito que a Bolsa seja para todos", afirmou.

Isso inclui, segundo o especialista, aqueles que desejam começar a investir. Isso porque a poupança, popular entre os brasileiros, não é considerada investimento pelos analistas, uma vez que boa parte dos ganhos da caderneta fica abaixo da inflação, ou seja, tem o valor de compra do dinheiro reduzido ao longo do tempo.

"O quanto antes absorver essa ideia, melhor para o seu bolso, para a sua aposentadoria, na construção do seu negócio ou na multiplicação do seu capital", declarou Loréga.

Para quem está dando os primeiros passos, uma dica importante é conhecer o perfil de investimentos e entender o quanto de risco aquela pessoa consegue suportar.

A Bolsa e o pequeno investidor

Composto por uma cesta de ações que considera o maior volume de negociação, o Ibovespa, principal índice da B3 é considerado um termômetro do mercado.

Por isso, ao acompanhar o Ibovespa, é possível saber sobre se é um momento de alta ou de baixa para a maioria dos papéis listados, segundo Loréga.

O pequeno investidor pode avaliar ainda outros índices, como o índice financeiro, de sustentabilidade, dividendos ou das small caps —as empresas com menor valor de mercado.

Há também indicadores das empresas de serviços, como água, gás e energia, de matérias-primas (commodities) e até dos BDRs (ações de outros países listadas na Bolsa brasileira).

"Você consegue acompanhar e ter um norte, não só do Ibovespa, mas também de outros setores. O que é maravilhoso, porque é possível entender qual setor está bem enquanto o Ibovespa vai mal. E, se quiser ainda mais detalhes, pode observar as ações daquele setor para entender se é ou não o momento [de comprar]", disse Loréga.

Investir no Ibovespa ou escolher as ações?

O investidor do mercado acionário pode investir tanto na composição do Ibovespa quanto na compra de papéis das companhias que mais fazem sentido para a sua carteira.

Na avaliação de Carol Paiffer, faz sentido investir na composição do índice em momentos de distorções. Um exemplo é um cenário em que, mesmo diante da queda brusca da Bolsa, a perspectiva futura das ações é positiva.

"É possível operar o índice e ganhar com esse grupo de ações que integram o indicador. Então, isso acaba ajudando o investidor a não ter que escolher entre uma ação e outra", afirmou.

No entanto, para Carol, quando a estratégia estiver voltada para o ganho de dividendos, por exemplo, é mais interessante o investidor ir a fundo e observar o balanço das empresas para selecionar aquelas que devem compor o seu portfólio.

"O índice é para momentos de distorções de preços, para ganhar com o sobe e desce do mercado. Vale a pena também porque tem muita liquidez. Ao comprar a Bolsa como um todo, é menor a chance de errar, do que ao comprar apenas uma única ação. Vale muito a pena, principalmente para quem está começando", declarou.

Como saber se as ações estão baratas ou caras?

Carol explica que há duas formas de avaliar uma ação. A primeira delas é a análise fundamentalista, que, como o próprio nome diz, leva em conta os fundamentos da empresa, como informações do balanço, os números e as perspectivas. É preciso observar ainda o cenário micro e macroeconômico em que a companhia está inserida.

Um exemplo é quando ocorre o aumento das taxas de juros: a alta da Selic pode prejudicar as empresas do varejo e, por outro lado, favorecer os bancos.

"Então, você já sabe que existe um ganho nesse cenário. O segundo passo é questionar quais são os bancos que podem ter mais resultados. Ao avaliar o balanço, é possível entender quem está mais bem posicionado, e depois escolher", afirmou Carol.

Por outro lado, para avaliar se o preço da ação deveria ser maior ou menor do que aquele em vigor no mercado, é necessário fazer a análise gráfica. Para isso, é necessário o histórico recente dos preços dos papéis.

Por exemplo, uma empresa que tenha boa perspectiva e cujas ações estão subindo sem parar há duas semanas oferece algum risco de perda. Se o investidor compra ações nesse momento, vai entrar na alta. Logo depois, o valor pode cair por causa de correções naturais.

"Após uma oscilação, o preço pode voltar à normalidade, e o investidor talvez tenha que lidar com os prejuízos", declarou.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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O Guia do Investidor UOL é uma série de eventos quinzenais e gratuitos que apresenta todos os passos para quem quer aprender a investir e entender melhor sobre o mercado financeiro. Veja as histórias inspiradoras e dicas de especialistas para multiplicar o seu dinheiro