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Tem 18 anos e começou a trabalhar? Veja como investir

Para quem começa a ter renda e já quer investir, qual o primeiro passo? - Andrea Piacquadio/ Pexels
Para quem começa a ter renda e já quer investir, qual o primeiro passo? Imagem: Andrea Piacquadio/ Pexels
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/06/2022 04h00

A decisão de poupar costuma ficar fora das prioridades dos mais jovens. Investir na formação de uma reserva de emergência e de um pé-de-meia para o futuro é uma preocupação que normalmente vem muito depois, quando chega perto da hora de se aposentar.

Para os especialistas, no entanto, mesmo quem acabou de entrar no mercado de trabalho e ainda não tem uma renda muito alta pode se tornar um investidor.

O primeiro passo, segundo Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos, é organizar as finanças. Uma planilha pode ajudar a separar despesas e receitas. Hoje há vários aplicativos que fazem esse trabalho. Alguns sites de bancos também oferecem ferramentas para o controle do que entra e sai da conta.

Também é recomendado fazer testes, normalmente oferecidos por instituições financeiras e corretoras, para entender qual é o perfil na hora de fazer as aplicações.

"Isso vai ajudar a definir quais são os ativos mais adequados. Mas o investidor, principalmente o mais jovem, deve ter em mente que o perfil muda. Por isso, é importante fazer reavaliações com o passar do tempo para readequar a carteira", diz Brito.

Planejadora financeira CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), Marcia Dessen diz que o jovem investidor deve separar a quantidade de recursos que for possível no seu orçamento, cerca de 10% a 20% da renda, e estabelecer o objetivo de se tornar um poupador como a sua prioridade.

Quem investe apenas as "sobras" do salário, depois de pagar todas as despesas, acaba não investindo, ou investindo menos do que poderia, segundo a especialista. "Invista sempre, todos os meses, com disciplina e constância. Não importa que no início o valor seja baixo. Aos poucos sua capacidade de poupança será maior, à medida que aprender a controlar bem suas despesas ou tiver aumento de salário", declara Marcia.

Lai Santiago, educadora financeira e cientista comportamental da Open Co, afirma que o mais importante é encontrar maneiras de aproveitar esse momento da vida para iniciar o hábito de poupar.

"A parte mais difícil de um planejamento financeiro é ter consistência nas aplicações. Se você, logo que receber o seu primeiro salário, já programa uma aplicação automática para uma data próxima aos seus recebimentos, as chances de ter bons resultados no futuro aumentam vertiginosamente. Guardar dinheiro precisa ser tão simples quanto gastar. Por isso, encontrar caminhos para facilitar o hábito de poupar deve ser a prioridade", afirma a cientista comportamental.

Mas como escolher as melhores classes de ativos quando se está começando no mercado de trabalho? Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, algumas regras são as mesmas válidas para quem está na casa dos 30, 40, 50 ou mais.

É preciso levar em consideração o perfil (conservador, moderado e arrojado) e o objetivo traçado para o investimento, ou seja, se o dinheiro será usado no curto, médio ou no longo prazo.

O que fazer aos 18 anos?

Os especialistas levaram em consideração as seguintes características nas recomendações: jovem de 18 anos com ganho de R$ 1.639,74 —valor do salário médio dos brasileiros entre 18 e 24 anos, segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) até 31 de dezembro de 2021 (dados mais recentes).

Na hora de escolher onde investir, o jovem deve levar em consideração a necessidade de formação da reserva de emergência —valor acumulado para arcar com despesas fixas no caso de uma eventualidade, como a perda do emprego. Numa situação normal, a recomendação é ter uma soma suficiente para arcar com pelo menos seis meses de gastos.

Quem tem 18 anos, no entanto, costuma ter menos gastos porque normalmente ainda mora com os pais. Por isso, Brito, executivo da Finacap, recomenda que o dinheiro aplicado com esse objetivo —sempre em ativos com alta liquidez, para não haver perdas no saque— não seja superior a três meses.

Brito sugere para quem está começando a escolha de ativos como o Tesouro Selic, com aportes feitos a partir da abertura de conta no site do Tesouro Direto, ou ainda em um Fundo DI que invista só em títulos do Tesouro atrelados à taxa Selic (com atenção para a cobrança de taxas, já que hoje há bons produtos isentos).

Marcia Dessen indica que, entre os ativos para a reserva de emergência, estejam produtos com liquidez (os que podem ser vendidos ou resgatados a qualquer momento), com o menor risco possível, como opções com taxa pós-fixada que acompanham a taxa básica de juros (Selic/CDI).

O Tesouro Selic que paga 100% da Selic, sem custo de taxa de custódia da B3 para montante de até R$ 10 mil por CPF, é uma boa forma de investir e manter a reserva financeira, segundo a especialista.

Quando se fala em reserva de emergência, diz Lai Santiago, não se deve mirar o "investimento da vez". A regra sempre vai ser a mesma, segundo a estudiosa: precisa ser conservador, de renda fixa, pós-fixado e de resgate rápido.

"O Tesouro Selic, as contas remuneradas, os fundos de investimento DI e os CDBs com liquidez diária cumprem esses requisitos! E não se esqueça: você não deve ficar jogando a sua reserva de um lado para outro atrás da opção que rende mais, porque isso vai fazer você pagar impostos nos resgates e perder o que ganhou, mas também não é para aplicar em investimento com rendimento mixuruca! Encontre uma alternativa com um retorno digno, de pelo menos 100% do CDI", afirma Lai.

Diversificação com o passar do tempo

Ainda segundo o sócio da Finacap, o ideal é que a maior parte dos ativos do jovem investidor esteja atrelada a ativos no longo prazo, já que esse poupador não costuma ter muitas responsabilidades financeiras no curto prazo.

Para o especialista, com o passar do tempo, o melhor é diversificar os ativos, distribuindo os recursos entre renda fixa atrelada à Selic, renda fixa de longo prazo, renda fixa atrelada à inflação, renda fixa atrelada ao CDI e ainda uma parte vinculada ao desempenho no exterior.

"Mesmo que seja pouco, eu recomendaria uma pequena exposição em renda variável, entre 5% e 10% para começar a se acostumar com a oscilação dos preços, porque isso ajuda a entender que se trata de um comportamento momentâneo e que é preciso ter uma visão de longo prazo", diz o executivo da Finacap.

Renda fixa, previdência privada e muita cautela

A sugestão de Marcia Dessen é que o investidor em início de carreira tome muito cuidado com ativos de risco, porque, segundo ela, exigem conhecimento.

"Ser jovem não significa, necessariamente, que sejam naturais os investimentos mais arriscados, como ações e criptomoedas. Recomendo começar com o mercado de renda fixa, que, embora menos arriscado, também é complexo e exige conhecimento", afirma. Pouco a pouco, no entanto, é possível adicionar novos ativos e montar uma carteira diversificada.

Lai Santiago é categórica em sua recomendação. "Previdência privada. Apesar de a previdência ter assumido o lugar do título de capitalização no imaginário das pessoas, a gente consegue encontrar soluções muito sofisticadas e que simplificam o caminho para poupar. A previdência confere uma vasta diversificação, tem a opção do débito automático, cobra menos impostos que a maioria dos investimentos e ainda tem situações em que dá para abater na declaração do Imposto de Renda o que foi aplicado ao longo do ano", diz.

Assim como os outros especialistas ouvidos pelo UOL, a cientista comportamental da Open Co sugere que, depois de formada a reserva de emergência e feito o aporte em previdência privada, os passos seguintes estejam atrelados à renda fixa. Depois, diz Lai, o investidor pode experimentar fundos de investimentos com exposição a renda variável, como os multimercados e fundos de ações.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.