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Reforma tributária: qual o impacto para Bolsa, dólar e crescimento do PIB?

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), discursa em favor da reforma tributária - Reprodução
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), discursa em favor da reforma tributária Imagem: Reprodução

Mariana Rodrigues

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/07/2023 04h00

A reforma tributária, aprovada com folga em dois turnos na Câmara dos Deputados, visa simplificar os pagamentos de impostos no Brasil. Para economistas e analistas do mercado, a Reforma pode ajudar a economia a crescer e a impulsionar a Bolsa.

Veja abaixo a previsão dos especialistas consultados pelo UOL para os impactos da Reforma Tributária na economia.

PIB pode crescer

O PIB do Brasil pode crescer com a Reforma Tributária. O motivo é a simplificação dos tributos pagos no país, que acontecerá pela redução no número de impostos e pela desoneração do investimento e da exportação. "Tudo isso deve acarretar um crescimento de 0,5% a mais do PIB, podendo chegar a até 1% ao ano, nos próximos 15 anos", afirma o economista Simão Silber, professor do Departamento de Economia da FEA/USP e pesquisador da Fipe.

O Santander acredita que o PIB pode subir 20% nos próximos 20 anos. Cerca de 70% desse impacto vem do aumento de eficiência e produtividade das empresas. O restante vem do aumento na taxa de investimento dessas empresas e de grandes investidores. Para o Santander, a reforma pode aumentar a competitividade, reduzir a desigualdade entre estados e diminuir a injustiça social.

A XP acredita que o PIB pode subir entre 0,7% a 1,2% a mais ao ano, pelos próximos 15 anos. Segundo a XP, a indústria seria a maior beneficiada da reforma, enquanto os serviços podem sofrer impactos negativos.

O crescimento da economia deve compensar as perdas para o setor de serviços. Isso, porém, pode demorar, e deve começar a ocorrer de forma direta a partir de 2027, diz a XP.

Dólar ficará abaixo dos R$ 4,90?

Impacto sobre o dólar pode ser positivo. Isso porque, com a melhora do sistema tributário e do desempenho da economia do país, mais investidores estrangeiros podem trazer o seu dinheiro para cá, diz Silber.

No entanto, queda do dólar pode não se manter. O economista André Perfeito estima que a moeda chegue a R$ 5 no final do ano. Para 2024, a expectativa é de que o dólar chegue a R$ 5,10. "Uma coisa é a expectativa de corte de juros, outra bem diferente vai ser quando começar a cortar de fato a taxa básica", diz.

Também pesa no dólar a política de juros nos EUA. Isso porque o Banco Central americano, o Fed, pode voltar a subir os juros por lá, o que estimula investidores a tirarem seu dinheiro do Brasil para alocar nos EUA, uma economia bem mais madura e segura. Assim, o dólar sobe.

No longo prazo, a melhora esperada na economia com a reforma tende a ajudar a atrair investidores.

Os investidores estrangeiros também mudam. É o que diz o economista-chefe da Mirae Asset, Julio Hegedus Netto. "Sairemos do investidor 'hot money', mais especulador, para o que pretende estender negócio", diz. Se o investidor especulador está no Brasil apenas para ganhar no curto prazo, o outro perfil pretende fazer investimentos no longo prazo. Isso pode ajudar o dólar a se manter no Brasil e, mantidas as condições atuais, o real tende a se valorizar em relação ao dólar.

Para onde vai a Bolsa?

O mercado financeiro pode se beneficiar com a reforma.

O Santander acredita que o Ibovespa pode atingir 140 mil pontos até junho de 2024. Para o Bank of America, o Ibovespa pode chegar aos 135 mil pontos até o fim do ano. Mas, segundo relatório divulgado pelo banco americano, isso deve acontecer principalmente porque os preços das ações hoje estão baratos em relação ao histórico.

Outro fator que pesa na Bolsa brasileira é o setor de commodities. É o caso da Vale e de petroleiras, com participação expressiva no Ibovespa, e em baixa.

Para a XP, o setor que mais pode se beneficiar é a indústria. O setor poderia crescer até 25% acima do cenário sem reforma em 15 anos. Mas, ainda que esses efeitos sejam positivos, só devem ser verificados em prazos mais longos. Isso porque as mudanças devem ocorrer de forma gradual e os seus efeitos tendem a ser menores em um primeiro momento e crescer ao longo do tempo.

Qual o impacto para o consumidor?

A reforma não visa alterar o pagamento de impostos para pessoa física, e sim para as empresas. Mesmo assim, deve haver um impacto positivo para os consumidores, segundo o especialista em direito econômico, financeiro e tributário Michel Haber, professor do Ibmec-SP.

Veja aqui o que a Reforma Tributária muda para o bolso do consumidor.

Custos reduzidos serão repassados para o consumidor. "Sistemas tributários complexos geram custos de conformidade para as empresas, que são os custos que a empresa tem para decifrar e estar conforme a legislação tributária. Obviamente a empresa repassa esse recurso para o consumidor final", afirmou. Por isso, produtos e serviços podem ficar mais baratos.

Inflação cai com isenção para cesta básica

Texto aprovado isenta os alimentos da cesta básica de tributos. Os itens que entrarão na cesta básica nacional ainda terão que ser definidos. A proposta inicial da reforma tributária deixava dúvidas sobre o impacto para a inflação, principalmente por causa dos impostos sobre a cesta básica. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) chegou a calcular que a reforma poderia causar um aumento de, em média, 59,84% nos impostos sobre a cesta básica.

Com essa isenção, a inflação deve cair. "Com a alíquota zero para a cesta básica, isso tende a reduzir o processo inflacionário", diz a economista Carla Beni, professora da FGV.

Juros dependem do Banco Central

Mesmo com a melhora na economia e na inflação, não é possível afirmar se a aprovação da reforma levará a uma queda na taxa de juros. "Se a reforma vai contribuir para que a taxa Selic caia no segundo semestre, isso é uma questão muito específica da condução do Banco Central."

Para Carla Beni, a taxa de juros já podia ter caído. Isso porque o Brasil é o país com a maior taxa de juros do mundo, quase 7%, em um levantamento feito com 26 economias pela B3. Mesmo assim, os juros dependem da decisão do BC.

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