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EUA decidem subir juros e isso pode afetar o dólar e os juros no Brasil

Mariana Bomfim

Do UOL, em São Paulo

O banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, ou Fed) decidiu subir a taxa básica de juros nesta quarta-feira (14). A taxa ficará entre 0,5% e 0,75%, como esperado pela maioria dos especialistas. Essa decisão é importante para o Brasil e pode mexer com o seu bolso.

Os EUA são considerados a economia mais segura do mundo. Por isso, é natural que os investidores queiram aplicar dinheiro lá --a menos que outros lugares paguem bem mais para compensar o risco maior de calote. É o que acontece com o Brasil: tem risco maior e paga juros mais altos aos investidores para compensar. 

Os juros nos EUA ficaram num nível historicamente baixo por um bom tempo, por causa da crise mundial de 2008-2009. Desde o final de 2008 até dezembro de 2015, a taxa por lá girou entre zero e 0,25% ao ano. Para efeito de comparação, a taxa básica de juros no Brasil atualmente é de 13,75% ao ano.

Essa taxa é utilizada pelos bancos de um país como indicador-chave do valor dos juros que pagam ao tomar dinheiro emprestado do Banco Central --e, por sua vez, do dinheiro que emprestam a seus clientes. Disso dependem investimentos e despesas de consumo.

Como fica o dólar?

Um aumento da taxa de juros lá, ainda que mínimo, pode fazer investidores tirarem seu dinheiro de outros países e levarem para os EUA. Com menos dólares no Brasil, por exemplo, o real tende a ficar mais fraco e o dólar sobe, segundo a economista Virene Matesco, professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas). 

O impacto mais visível é no preço das viagens internacionais e dos produtos importados, como azeites, vinhos e peixes (como o bacalhau). Mas outros itens, apesar de serem produzidos aqui, também sofrem indiretamente com a alta do dólar. É o caso do pãozinho e de outras massas, como o macarrão, além de alimentos como tomate e carne e de produtos de higiene, como desodorantes e cremes.

A economista diz, no entanto, que o mercado já estava esperando por essa alta de juros e, por isso, não espera que o dólar suba muito. "A tendência é que o mercado de dólar já tenha 'precificado' a alta dos juros" nos últimos dias, diz. 

E os juros no Brasil?

A alta dos juros nos EUA também pode tornar mais difícil para o Banco Central brasileiro continuar cortando os juros por aqui, de acordo com Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest.

O país não concorre apenas com os EUA para atrair investimentos. Concorre com todos os outros países. Os riscos aqui são ainda maiores se for considerada a situação do país, com a maior recessão da sua história, a perda do selo de bom pagador das três principais agências de classificação de risco, o rombo nas contas públicas e, principalmente, a crise política, afirmam analistas.

"A crise política gera imprevisibilidade, o que contribui para que a percepção do risco de se investir no Brasil seja maior", diz Fernando Bergallo, diretor da assessoria de câmbio FB Capital.

Para conseguir atrair o investidor, o Brasil compensa o risco maior com uma garantia de retorno alta. Ou seja, com juros elevados. Na última reunião, o BC reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% e indicou que, com a inflação em queda, poderia continuar cortando a taxa. Agora, com a alta dos juros nos EUA, esse processo de corte pode desacelerar ou ser interrompido.

Onde investir seu dinheiro?

A recomendação dos especialistas continua sendo investir em renda fixa. "Com juros altos no Brasil, quem tem investimento em taxa pré-fixada ganha porque seu investimento fica travado na taxa mais alta, mesmo se os juros caírem", diz Bergallo.

Calil sugere procurar investimentos que paguem pelo menos 100% do CDI e sejam livres de Imposto de Renda. "Para quem quer investir em renda variável, fundos imobiliários têm rentabilidade interessante", diz.

Tecnologia ajuda na organização das finanças

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