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Prazo dado por governo de SP se esgota, e caminhoneiros continuam na Régis

Felipe Pereira/UOL
Rodovia Regis Bittencourt continua interditada próximo à capital Imagem: Felipe Pereira/UOL

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

2018-05-26T21:07:40

2018-05-29T11:25:49

26/05/2018 21h07Atualizada em 29/05/2018 11h25

O prazo acordado com o governo paulista para por fim à greve no estado de São Paulo terminou às 21h deste sábado (26), e a rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, continuava interditada próximo à capital nesse horário. O governador Márcio França (PSB) condicionou acatar cinco reivindicações dos manifestantes em troca da liberação das estradas até o meio da noite.

Todo o Rodoanel foi liberado, conforme mostrou o Jornal Nacional, da Rede Globo. Porém, na rodovia Régis Bittencourt, altura de Embu das Artes (SP) e a 19 quilômetros da capital, ainda havia filas de caminhões parados nos dois sentidos. Houve discussões entre caminhoneiros que têm visões diferentes a respeito das propostas do governador.

O governo paulista se propôs a ceder nos seguintes pontos: reduzir o IPVA em 2019, deixar de cobrar eixos suspensos nos pedágios, fazer chegar às bombas o desconto de 41 centavos no diesel determinado pelo governo federal, cancelar as multas aplicadas a grevistas e incluir um caminhoneiro na agência reguladora dos transportes públicos.

Quem defende o fim do movimento argumenta que é melhor um acordo que não contemple tudo a um que inclua muitas coisas, mas que não se materialize.

No entanto, há grevistas que dizem que as medidas são insuficientes, pedem diesel abaixo de R$ 3 e sugerem zerar a cobrança de PIS/Cofins. Também reclamam que o alívio no preço do combustível e outras concessões serão aplicados somente sem São Paulo. 

Sem o convencimento dos manifestantes, os caminhões continuavam parados. Grevistas que participaram da acalorada discussão na Régis defendem que a manutenção dos motores desligados ocorre porque a negociação apenas começou.

O governador ainda não se manifestou sobre a situação. França havia condicionado a efetivação das medidas à desmobilização da greve, evitando passar pela situação vivida pelo governo federal. 

Em coletiva de imprensa na noite deste sábado, o ministro Raul Jungmann, da Segurança Pública, disse que ainda havia 566 pontos de bloqueio parcial em estradas pelo país, enquanto outros 524 pontos já haviam sido liberados.

"Um número praticamente meio a meio entre aquelas [rodovias] que se encontram liberadas e interditadas", disse o ministro, durante entrevista no Palácio do Planalto. "Tivemos seis casos em que o desbloqueio não se deu de forma negociada, em que tivemos que utilizar o choque da Polícia Rodoviária Federal, porém sem vítimas", acrescentou Jungmann.

Como era o acordo

O governador Márcio França disse que vai elaborar uma proposta para o IPVA diferenciado aos caminhoneiros em 2019. Ele explicou que o valor vai depender de um estudo que indique quantos veículos serão beneficiados. Os representantes dos caminhoneiros autônomos informaram no encontro que seriam cerca de 130 mil. Sobre o desconto no pedágio, ele passa a valer à zero hora de terça-feira.

O governador acredita que haverá uma queda de aproximadamente R$ 50 milhões no faturamento das concessionárias. O valor seria ressarcido pelo governo federal. A solução é mais um motivo para explicar a presença do articulador político do presidente Temer às 21h no Palácio dos Bandeirantes. As concessionárias serão procuradas nos próximos dias para tratar do caso.

França também se comprometeu a usar o poder de fiscalização do estado para fazer o desconto de 10% no preço do diesel nas refinarias, determinado pelo governo federal, chegar às bombas de combustível. O percentual representa 41 centavos, e o governador de São Paulo disse que usará o Procon para o preço litro do combustível ser reduzido no mesmo valor.

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