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Governo acena garantir desconto do diesel na bomba para pôr fim a greve

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

27/05/2018 01h24

O governo federal acenou, no fim da noite de sábado (26), com a possibilidade de atender a três itens da lista de reivindicações dos caminhoneiros para tentar colocar fim à greve, que entrou no sétimo dia neste domingo. São eles: fazer o desconto de 10% no valor do diesel nas refinarias (R$ 0,41, segundo o governo) chegar às bombas, aumentar a previsibilidade de reajustes no combustível de 30 para 60 dias e deixar de cobrar pelos eixos suspensos nos pedágios.

O ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) se comprometeu com a análise das propostas durante reunião com representantes dos grevistas e o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. França já havia feito a proposta da isenção do pedágio por eixo suspenso (usado por caminhões quando estão sem a carga total) a caminhoneiros de São Paulo, e agora a oferta foi federalizada.

Marun disse que vai se reunir com o presidente Michel Temer ainda na manhã deste domingo, em Brasília, para discutir a viabilidade das reivindicações.

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Ao mesmo tempo, os representantes dos grevistas vão consultar os caminhoneiros que estão parados nas rodovias para saber se a oferta é suficiente para terminar o movimento que começou na segunda-feira (21). Ambos os lados fizeram questão de ressaltar que se trata de uma negociação em curso, não um acordo firmado.

Novo encontro entre governo e lideranças dos grevistas deve ocorrer hoje no Palácio dos Bandeirantes, às 15h. A presença do governador e grevistas é dada como certa, e Marun avalia se participa pessoalmente ou por videoconferência.

Tanto o ministro quanto os representantes dos caminhoneiros tentaram passar otimismo sobre o sucesso e usaram palavras cordiais para se referir um ao outro.

26.mai.2018 - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ao lado do governador de São Paulo, Marcio França, em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes neste sábado, após reunião com lideranças dos caminhoneiros em greve - Reprodução/GloboNews - Reprodução/GloboNews
Carlos Marun, ao lado de Márcio França, em coletiva de imprensa na noite do sábado (26)
Imagem: Reprodução/GloboNews
Propostas exigem desembolsos públicos

Os itens sinalizados pelo ministro significam que o governo terá de abrir o caixa. A isenção dos eixos suspensos nos pedágios será feita pelas concessionárias e o valor, reembolsado pelo poder público.

Marun afirmou que não há um estudo sobre quanto isto custaria. Mas o governo de São Paulo estima que somente no estado seriam R$ 50 milhões por mês.

O secretário de Governo afirmou que a conta precisa ser calculada e disse que todos devem dividir o custo, se referindo ao governo federal e estados.

Sobre a manutenção do preço do diesel 10% mais barato, Marun declarou que o governo fará o ressarcimento à Petrobras. Só neste ano, o gasto do governo para cobrir esse rombo é de R$ 5 bilhões.

O ministro também afirmou que não sabe como garantir que o desconto nas refinarias chegue integralmente às bombas, mas prometeu estudar o caso e apresentar uma solução. Acrescentou que o governo federal não diminuiu o preço do litro do diesel para o lucro ficar com donos de postos de combustíveis.

O ministro disse ainda que pedirá que a política de aumentos seja feita com certa previsão. Os caminhoneiros pedem 60 dias. Marun havia oferecido inicialmente um mês.

Grevistas e governo trocam gentilezas

Logo que começou a falar, Marun encheu os grevistas de elogios ao dizer que as reivindicações são justas e “que o movimento já é vitorioso”. Ele disse que o governo aceitou negociar desde o primeiro momento mesmo com parte da imprensa criticando a medida.

O ministro reconheceu que o diesel está caro e que aumentos seguidos prejudicam os caminhoneiros. “A imprevisibilidade inviabiliza os negócios. [O caminhoneiro] parte de uma cidade e, no meio do caminho, o preço do diesel é outro.”

Os representantes dos caminhoneiros também mantiveram a porta aberta para o diálogo, adotando um tom ameno e conciliador nas menções ao ministro. Ressaltaram que tentam uma solução e que todos estão se esforçando.

Os discursos são de que o final da greve está próximo. O mesmo otimismo reinava no final da primeira reunião, em que participou somente o governador. Ele não se justificou. Na tarde deste domingo, será dada a resposta se agora o otimismo faz sentido.

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Grevistas vão avaliar proposta

As três medidas do governo são uma federalização de parte do que o governador de São Paulo apresentou aos caminhoneiros paulistas horas antes. Elas foram suficientes para destravar o Rodoanel, mas não surtiram efeito nos motoristas que estacionaram os caminhões na Regis Bittencourt.

Os representantes de grevistas que estiveram no encontro, que começou às 21h de sábado e durou duas horas, vão ter nova conversa com motoristas de todo o país.

A apresentação da proposta feita no sábado por França terminou em discussão acalorada na Regis Bittencourt. Grevistas de outros estados reclamaram que não estavam contemplados e ainda classificaram a oferta de esmola.

Eles queriam diesel a menos de R$ 3 e defendiam que a população apoia o movimento. Afirmavam também que o desabastecimento na segunda-feira aumentaria o poder de barganha.

A outra ala argumentava que é melhor um acordo sem ter todas as pautas atendidas, do que boas reivindicações ignoradas. Estes acrescentavam que, esgotado o diálogo, só resta o uso da força para o governo.

A oposição de pontos de vista evoluiu para uma conversa em tom áspero e elevado e terminou com cada um indo para seu lado de forma tensa. Por fim, a rodovia permaneceu fechada por ser considerada vital para o sucesso da greve.

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