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Finanças pessoais

Pare já com estes 9 erros que fazem você gastar mais em vez de economizar

Thâmara Kaoru

Do UOL, em São Paulo

19/09/2018 04h00

Para economizar, vale a pena fazer estoque, comprar produtos em promoção e aceitar programas de fidelidade? Nem sempre. Há algumas situações em que a economia pode acabar virando um gasto à toa para quem está preocupado demais em economizar.

O UOL conversou com Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), e Walter Franco, professor de economia do Ibmec/SP, para listar erros comuns de quem quer economizar, mas acaba gastando mais. Confira:

1) Pegar a segunda unidade só para ter desconto

Você vai ao mercado ou ao shopping e vê uma placa dizendo que a segunda unidade de um item terá desconto. Pode parecer uma economia, mas nem sempre é.

Por exemplo: você precisa de uma blusa. Uma loja oferece desconto de 30% na compra de uma segunda blusa que custa R$ 100. Se você comprasse apenas uma, que é do que precisa, gastaria somente os R$ 100. Comprando a segunda unidade, pagará R$ 170, ou seja, R$ 70 a mais do que deveria.

Segundo Marcela, o consumidor precisa primeiro avaliar a necessidade do produto, não o desconto. “Quando você vê um produto muito barato, você é levado a comprar algo de que não precisa. Não é para analisar o preço. É para analisar o produto e o quanto você precisa dele.”

2) Comprar só para ganhar um brinde, cupom ou selo

Você vai a uma loja, e o vendedor fala que, se gastar mais um pouquinho, dá para levar um brinde, participar de um sorteio ou receber um selo para preencher uma cartela e trocar por alguma coisa depois.

Parece um bom negócio? Se vai ao mercado toda semana e gasta cerca de R$ 10 a mais para completar o requisito que dá direito ao brinde, cupom ou selo, acaba gastando R$ 40 a mais todo mês sem necessidade.

“Se a empresa está fazendo isso, é para incentivar a comprar mais. A empresa está fazendo a parte dela, que é tentar vender. O consumidor tem que fazer a parte dele, que é pensar duas vezes antes de comprar. Ele pode até optar por comprar, mas precisa ser uma decisão consciente. Será que vale a pena comprar mais para ganhar um brinde? Será que no final você não está gastando mais do que o brinde vale?”, afirmou Marcela.

3) Adquirir um produto barato, mas que não dura nada

Você até consegue comprar um produto por um preço bem em conta, mas em poucos meses precisa comprar novamente? Então, pode não estar economizando.

“Com eletrodomésticos e móveis, por exemplo, vale a pena investir mais na durabilidade do que ter que comprar um outro produto logo. A internet pode ser uma boa aliada, pois a pessoa consegue pesquisar o que os outros consumidores estão achando do produto”, disse Marcela.

4) Fazer estoque e acabar sem dinheiro no fim do mês

Para Franco, fazer estoque pode acabar prejudicando o orçamento do final do mês. “Quando vivemos em períodos de inflação alta, como aconteceu antes do Plano Real, fazia sentido ter um certo estoque de alimentos e produtos do dia a dia. Em uma realidade de inflação baixa, como agora, se torna economicamente errado fazer estoque. Do que adianta comprar várias coisas assim que recebe o salário e acabar no cheque especial no fim do mês?”

5) Comprar produtos perto da validade e esquecer no armário

Você vai ao mercado e aquele produto que normalmente é bem caro está mais barato por causa do prazo de validade? Comprar muitas unidades e esquecer no armário pode virar prejuízo. Imagine que o produto custe R$ 10 e, por causa da promoção, você decide levar cinco unidades. Se esquecer de consumir, R$ 50 foram jogados fora.

"Supermercados colocam em promoção produtos que estão próximos ao vencimento. A pessoa compra um monte para aproveitar e, no final, ela não consome tudo aquilo. O dinheiro fica lá no supermercado”, afirmou Marcela.

6) Aproveitar passagem barata, mas esquecer outros gastos

É tentador ver uma passagem aérea barata, mas é preciso lembrar de todos os outros gastos da viagem. “O consumidor precisa levar em conta os chamados gastos acessórios, que são outras despesas atreladas àquela compra. Pode pagar muito barato pela passagem, mas, se o destino é um lugar muito caro, como vai pagar o hotel e as refeições, por exemplo?”, disse Marcela.

A economista afirmou que esses gastos extras também podem acontecer quando o consumidor compra um cupom de desconto para um jantar, mas esquece de considerar quanto vai gastar com bebidas, serviço e estacionamento, por exemplo. 

7) Gastar só para ter anuidade grátis ou receber desconto

Ter um cartão de crédito com anuidade grátis se você gastar um certo valor todo mês parece uma boa economia? Pagar um pacote bancário para incluir alguns serviços também é uma boa ideia? Nem sempre. No cartão de crédito, você pode acabar gastando só para não perder o benefício da gratuidade e, na conta bancária, poderia contratar um pacote gratuito em vez de pagar uma tarifa.

“A pessoa está pagando R$ 10 por uma conta bancária, mas não sabe que os bancos são obrigados a oferecer um pacote essencial gratuito. Ela acha que está fazendo um bom negócio, mas não está”, disse Marcela.

8) Contratar um combo, mas não usar todos os serviços

Você fecha um combo de serviços e acha que está economizando? Não necessariamente. Pode acontecer de não usar um determinado serviço, mas estar pagando por ele, segundo Marcela. “Tem que tomar cuidado, pois em alguns casos as empresas embutem serviços que o cliente não usa. A saída nem sempre é diminuir o pacote, mas fazer comparações com outras empresas com combos similares.”

9) Deixar o controle financeiro de lado

Mesmo quem está acostumado a economizar precisa fazer um controle do orçamento. “A pessoa precisa saber quais são as entradas e saídas de dinheiro do mês. Fazer o exercício de marcar os gastos ajuda a conseguir se planejar melhor”, disse Franco.

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