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Empreendedorismo

6 passos que um microempreendedor deve seguir antes de abrir um negócio

Getty Images/Maskot
Imagem: Getty Images/Maskot

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/09/2020 04h00

Vai montar o seu negócio, mas não sabe se pode ser MEI (microempreendedor individual) ou uma microempresa? Especialistas recomendam o que você deve fazer antes de abrir as portas de sua empresa para ter mais chance de sucesso. Entre eles, elaborar um modelo de negócios e formalizar a empresa.

"Muitas vezes, o microempreendedor não se identifica como empreendedor. São pessoas que iniciaram um negócio por necessidade ou oportunidade e, sem qualquer planejamento, fazem investimentos ou operações comerciais sem estruturar um modelo do negócio em que pretende atuar", declarou Aurélio Guimarães, analista de Negócios do Sebrae-SP.

Para Arthur Igreja, especialista em negócios e inovação, o microempreendedor deve ter os mesmos conhecimentos que qualquer empresa. "Deve ter um plano elaborado de produto, preço e serviço, saber como serão realizadas as vendas, a estocagem e a comunicação com o mercado e clientes. Esse profissional precisa ter muita clareza a respeito dos aspectos tributários, legais, bem como as licenças que ele precisa para operar e, especialmente, os aspectos trabalhistas em razão de administrar uma pequena empresa", afirmou.

Seis passos antes de montar seu negócio

1) Analisar seu comportamento empreendedor

Ser empreendedor é diferente de ser funcionário de uma empresa. Por isso, primeiro, você deve entender se tem características empreendedoras, de fato.

Não basta ter conhecimento no setor ou ser um amante da área em que pretende abrir um negócio.
Aurélio Guimarães, analista de negócios do Sebrae-SP

"É preciso agir compatível com um bom tomador de decisões, ter inteligência emocional para tomar decisões no momento certo e da maneira certa e, principalmente, ter hábitos comportamentais que lhe trarão aptidão para garantir mais longevidade do seu negócio", afirmou Guimarães.

2) Elaborar um modelo de negócio

A maioria dos aspirantes a empresário tem uma boa ideia, mas nem sempre uma boa ideia será um negócio. Portanto, esta pessoa terá o desafio de transformar essa ideia em um modelo de negócio.
Aurélio Guimarães, analista de negócios do Sebrae-SP

Segundo ele, existem metodologias e diretrizes que podem encurtar o processo de consolidar a ideia em um negócio de fato. O Sebrae, por exemplo, desenvolve ações para isso.

3) Estudar a viabilidade financeira

Será que esse negócio gera lucro? É rentável? Eu conseguirei sustentar financeiramente o negócio?. Estas são perguntas que todo empreendedor deve fazer em relação às finanças de sua empresa.

"Antes de aplicar dinheiro em uma ideia ou em um negócio, procure fazer um estudo de viabilidade financeira. Assim, você correrá menos riscos e poupará desperdício de dinheiro por cometer erros que seriam facilmente identificados em um estudo de viabilidade", afirmou Guimarães.

4) Formalizar a empresa

Toda empresa é regida por leis e regras, e, por isso, é necessário conhecê-las antes de abrir as portas do seu negócio.

O analista do Sebrae-SP diz que a maioria dos empresários alega desconhecer grande parte disso e fica surpreso com as obrigações, os direitos e os deveres que são exigidos legalmente de uma empresa.

"Portanto, buscar auxílio para entender o conjunto de regras a que sua empresa se submeterá para se formalizar diante das instituições federais, estaduais e municipais será primordial para evitar transtornos futuros, promover garantias legais, atender seu papel de cidadão e gozar dos benefícios que somente uma empresa formalizada tem", declarou.

É importante, por exemplo, saber em qual categoria seu negócio pode ser classificado: MEI ou microempresa (ME).

As principais diferenças entre ambas estão no faturamento bruto anual permitido, no número de funcionários contratados, nos tipos de atividades permitidas, no enquadramento jurídico e recolhimento tributário.

Por exemplo, enquanto o MEI poderá faturar anualmente até R$ 81 mil, uma ME pode faturar até R$ 360 mil/ano. O MEI pode registrar a contratação de até um funcionário, e as empresas ME, até dez.

Há restrições quanto às atividades exercidas pelo MEI. Consulte as atividades permitidas no Portal do Empreendedor.

5) Saber como acessar o mercado e linhas de crédito

Que uma empresa precisa de cliente, todo mundo sabe. Mas como fazer para o negócio acessar constantemente o mercado? Há inúmeras maneiras, diz Guimarães, como participação em feiras e eventos, ativação da rede de contatos, capacitação em vendas online, uso de ferramentas digitais ou qualquer outra maneira que aproxime seu negócio de novos clientes.

"Por fim, todos os negócios precisam de investimento, seja dinheiro próprio ou acessado por meio de linhas de crédito e financiamento. Atualmente, há inúmeras instituições públicas e privadas que permitem aos futuros microempreendedores acessar linhas de crédito com a finalidade de viabilizar seu negócio", afirmou Guimarães.

O analista diz, no entanto, que, antes de pedir financiamento em bancos, o empreendedor deve saber qual o valor exato pretendido, como usará o dinheiro e quais as condições de juros, prazos e finalidade.

É preciso apurar a modelagem financeira para analisar se tem o dinheiro ou qual capital será necessário para fluxo de caixa, principalmente.
Arthur Igreja, especialista em negócios e inovação

6) Contratar suporte contábil e apólices de seguros

Especialistas dizem que é importante contratar suporte jurídico e contábil e também apólices de seguro, para proteger o seu negócio de quaisquer danos que possa vir a sofrer.

Para Guimarães, do Sebrae-SP, as contratações desses serviços são maneiras de calcular o risco de existência da sua empresa. "Imagina você perder suas máquinas e equipamentos em um incêndio ou num roubo. O serviço de seguro patrimonial permite recuperar a sua condição de trabalho mais rápido e promove a sensação de segurança na hora de correr riscos", afirmou.

O professor José Varanda, coordenador dos cursos de graduação da Escola de Negócios e Seguros, diz que a contratação de seguro também é um item importante para as microempresas.

Em caso de sinistro, as seguradoras contratadas irão reparar os danos e cobrir os prejuízos, permitindo a continuidade do negócio no mercado.
José Varanda, coordenador dos cursos de graduação da Escola de Negócios e Seguros

"Infelizmente, o empresário brasileiro tem pouca cultura com relação a isso. Mas quando ele está fazendo um negócio, de certa forma, está apostando que dará certo. Porém, também ele pode falhar e ter danos no capital que refletirão até no âmbito familiar. O seguro serve como um contrapeso ao risco que está sendo assumido. Funciona como um amortecedor", afirmou Arthur Igreja.

Contratação de microsseguros

Desde 2012, a Susep (Superintendência de Seguros Privados, órgão regulador do mercado) estabeleceu as disposições e condições para a oferta de microsseguros, que podem ser contratados por microempresas ou pelo microempreendedor.

Paulo Galindo, diretor da Associação Nacional das Microsseguradoras, diz que o ramo de microsseguros está dividido em duas modalidades: de danos (incêndio, queda de raio, perda de renda, panes elétricas, roubo etc.) e de pessoas (morte, invalidez, despesas médicas etc.).

"O microempreendedor tem que analisar os seus riscos e garantir, principalmente, a continuidade do seu negócio e a tranquilidade de um suporte financeiro aos seus familiares em caso de falta do seu principal mantenedor", afirmou.

Segundo ele, as principais vantagens dos microsseguros são o baixo custo, a facilidade na contratação e a agilidade na liquidação dos sinistros. Isso atende tanto ao MEI como à microempresa. É possível, diz Galindo, contratar um microsseguro a partir de R$ 50 ao ano.

O microsseguro é uma ferramenta de inclusão social e de educação financeira básica, pois atua principalmente nas faixas mais vulneráveis da população economicamente ativa, que, em geral, não têm acesso aos seguros tradicionais.
Paulo Galindo, diretor da Associação Nacional das Microsseguradoras

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