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Bitcoin se valoriza 419% em reais em um ano; você deve investir em 2021?

Bitcoin está em valorização recorde hoje, saiba se vale o investimento - Getty Images/iStockphoto
Bitcoin está em valorização recorde hoje, saiba se vale o investimento Imagem: Getty Images/iStockphoto

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

07/01/2021 04h00

O bitcoin foi um dos investimentos que mais se valorizaram no mundo em 2020, saltando de US$ 7.300 para US$ 29.433, uma alta de 303%. Em reais, a criptomoeda passou de R$ 29.399 para R$ 152.700, diante da valorização do dólar em relação à moeda brasileira, uma alta de 419%, segundo a empresa de informações financeiras Economatica.

Para te ser uma ideia, o ouro foi o investimento tradicional que mais rendeu ganhos no ano passado, com uma alta de 56%. No mercado, analistas preveem que em 2021 o bitcoin se valorize ainda mais. Mas é preciso muito cuidado ao investir.

Chega a US$ 200 mil neste ano?

Em relatório divulgado aos clientes, o banco de investimentos JPMorgan afirmou que o bitcoin se tornou um rival do ouro e pode ser negociado a até US$ 146 mil em 2021, se conseguir se estabelecer como um ativo seguro. Outros analistas mais eufóricos falam em US$ 200 mil.

Investir pouco para não ter infarto

Apesar do otimismo, os especialistas dizem que os investidores precisam ter uma série de cuidados para não cair em golpes e para minimizar o risco de o bitcoin se desvalorizar. Tem de investir bem pouco.

"Uma desvalorização de 60% do bitcoin é comum, levando em conta a série história. O bitcoin deve estar presente na sua carteira, com um tamanho que, se cair 60%, você não vai ter um ataque do coração. Você pode ter 1% ou 2% da carteira nesse ativo. Não 10% ou 15% dos investimentos. Uma queda brusca machuca e assusta
George Wachsmann, CIO e sócio fundador da Vitreo

Motivos para a valorização em 2020

Dois movimentos explicam a valorização do bitcoin em 2020, afirmou João Marco Braga da Cunha, gestor de portfólios da gestora de recursos Hashdex.

O primeiro deles é a entrada de investidores institucionais no mercado. Investidores institucionais são grandes fundos de investimentos, gestoras de recursos e investidores qualificados que fazem apostas em bens que podem render lucros expressivos.

Segundo Cunha, a entrada desses investidores no mercado de bitcoin dá certa credibilidade. Em dezembro, a MicroStrategy investiu US$ 1,1 bilhão em bitcoins. A Fidelity Investments anunciou também em outubro a criação de um fundo para investidores institucionais com foco em bens digitais.

A Square, empresa de pagamentos de Jack Dorsey, fundador do Twitter, investiu US$ 50 milhões em bitcoin em outubro passado. Outro movimento que deu ainda mais respaldo para a valorização, declarou Cunha, foi a decisão do Paypal de permitir que os clientes comprem, vendam e armazenem bitcoins e outras moedas virtuais usando as carteiras online da empresa de pagamentos digitais.

Os clientes do PayPal também poderão usar criptomoedas para fazer compras nos 26 milhões de comerciantes integrados a sua rede a partir de 2021.

"A grande notícia do ano, a centelha do barril de pólvora, foi o anúncio da PayPal. Em poucos cliques, o cliente faz investimentos em bitcoin, de maneira prática
João Marco Braga da Cunha, gestor de portfólios da Hashdex

O que pode ajudar em 2021

Cunha afirmou que alguns eventos podem ditar o ritmo de valorização do bitcoin em 2021. Um dos mais esperados pelo mercado para o ano é a oferta pública inicial (IPO, na sigla em Inglês) da Coinbase, a maior corretora de moedas digitais dos Estados Unidos.

A busca por ações da empresa será um termômetro que afetará o preço do bitcoin, afirmou o gestor da Hashdex.

Além disso, a empresa de investimento VanEck refez seu pedido à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em Inglês) para criar um ETF ("Exchange Traded Fund", em inglês) de bitcoin. Se aprovada a criação, será o primeiro do mercado norte-americano.

ETF são fundos que seguem os resultados de determinados indices. Se os índices sobem ou descem, os fundos acompanham na mesma proporção. Esses índices reúnem ações de empresas com alguma característica em comum: por exemplo, as mais negociadas, as que mais pagam dividendos, entre outras.

Para Wachsmann, da corretora Vitreo, a entrada de investidores pessoa física no mercado de bitcoin pode impulsionar o preço da criptomoeda. Segundo ele, em 2017, a moeda digital foi uma das palavras mais buscadas no Google naquele ano.

"Uma nova explosão de procura e de investimentos de pessoas físicas também pode ajudar na valorização do bitcoin. No caso dos brasileiros, a procura pode ser ainda maior porque os ganhos crescem diante da valorização do dólar. A variação cambial fez o bitcoin render mais para os brasileiros", declarou.

Cuidados antes de investir

Antes de comprar bitcoins o investidor precisa estar ciente de que esse é um investimento de grande oscilação de preços, com fortes movimentos de alta e baixa.

"Ao investir em bitcoins, as pessoas têm que ter ciência da forte variação de preços e dos riscos que essa oscilação trazem. As pessoas não estão acostumadas com isso e podem se assustar", declarou Wachsmann.

Segundo ele, o investimento em bitcoin não deve ser pensado para o curto prazo, para ganhos imediatos, e sim em longo prazo.

Outra dica dos especialistas é fugir de toda empresa que prometer enriquecimento rápido ou fórmulas mágicas para ficar rico rapidamente. O risco de golpe é enorme, dizem especialistas. Em grande parte das vezes, essas ofertas não passam de iscas para as famosas pirâmides financeiras.

Quem decidir comprar bitcoin ou outra criptomeda de uma corretora, antes de se cadastrar e transferir dinheiro deve verificar o site da empresa. Gaste tempo checando se aparecem os nomes dos responsáveis pela plataforma, os termos de uso, o CNPJ da companhia e o tempo de existência da empresa.

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