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Lugares incríveis para trabalhar têm mais mulheres na liderança

Pesquisa FIA/UOL mostra que parcela de mulheres CEOs nas melhores empresas é o dobro da média do mercado - Getty Images
Pesquisa FIA/UOL mostra que parcela de mulheres CEOs nas melhores empresas é o dobro da média do mercado Imagem: Getty Images

Denyse Godoy

do UOL, em São Paulo

16/03/2021 04h00

As empresas que conseguem criar ambientes saudáveis e produtivos para os funcionários têm mais mulheres na liderança do que a média das organizações no Brasil. Essa é uma conclusão da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que serve de base para o Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar, uma parceria da Fundação Instituto de Administração (FIA) com o UOL.

Entre as 100 empresas classificadas como Lugares Incríveis na edição 2020 da pesquisa, a presença feminina nos cargos iniciais de liderança é de 49% contra 42% da média do mercado, de acordo com dados do Ministério da Economia. Na média liderança, são 35% contra 27%. Na diretoria, 18% ante 14%.

Quando uma empresa conta com participação maior de mulheres na liderança, a chance de ter uma presidente (CEO) do sexo feminino também é maior. Há seis presidentes mulheres entre as 100 melhores companhias para trabalhar, de acordo com o levantamento feito por Naiara Oliveira, consultora da pesquisa FEEx. Entre as 250 maiores empresas brasileiras, a parcela de CEOs mulheres é de 3%, segundo pesquisa da consultoria Bain & Co. com a rede social de negócios LinkedIn.

A leitura desse fenômeno pode ser feita na ordem inversa: empresas que têm uma mulher na presidência colocam mais profissionais do sexo feminino em outros níveis de liderança. Essa característica das organizações com mulheres no topo da hierarquia se verifica pela comparação com as companhias consideradas ótimas para trabalhar que têm homens como CEOs.

No grupo das 100 empresas qualificadas como Lugares Incríveis Para Trabalhar, as companhias com uma presidente mulher têm 42% da diretoria do sexo feminino, contra apenas 12% nas organizações lideradas por homens. Na gerência, as proporções são de 42% e 34%, respectivamente. No nível de supervisão e coordenação, 44% ante 38%.

"Com mais mulheres na liderança, mais as profissionais do sexo feminino são inspiradas a subir na carreira", diz Lina Nakata, professora da FIA Business School. "As mulheres muitas vezes não se sentem capazes de ocupar cargos mais altos."

Os números da pesquisa dão boas indicações para as empresas que têm interesse em aumentar a diversidade nos seus quadros. A FEEx levanta, ainda, discussões sobre como fazer isso.

De forma geral, as estratégias tradicionais dedicadas a aumentar a inclusão de mulheres ou gerar uma equidade de gênero se mostram insuficientes.

Segundo a FEEx, empresas que têm, por exemplo, comitês específicos para discutir a ascensão de mulheres a cargos de liderança não colocam mais profissionais do sexo feminino em posições de chefia do que a média. Nas que têm os comitês, elas são 37% dos líderes. Nas que não têm, 36%. Situação parecida se observa entre as empresas que oferecem orientação para o desenvolvimento da carreira da mulher: estas têm 39% de líderes do sexo feminino, contra 36% das que não têm.

Para Nakata, são qualidades intangíveis da cultura da empresa que mais contribuem para impulsionar a carreira das mulheres. "Por exemplo, coibir piadas machistas no ambiente de trabalho", diz. Ou garantir processos de seleção e promoção equânimes. "Quando um homem se candidata a uma posição sem ter alguma das competências para o cargo, a empresa assume que ele vai aprender ao longo do tempo. Quando é uma mulher, a organização acha que ela não serve para a vaga. Não é por maldade das companhias, são processos inconscientes que acabam atrasando o progresso das profissionais."

Quanto mais inteiradas as empresas estiverem do grau de diversidade dos seus colaboradores, mais podem investir em medidas conscientes para evoluir. Ter mais mulheres na liderança é uma característica das melhores companhias para trabalhar.

O Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience, que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2021 estão abertas e vão até 15 de junho.