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Computador ruim afeta satisfação e desempenho no trabalho, diz pesquisa

Quando a cobrança da empresa é grande e o equipamento, inadequado, o estresse do colaborador sobe - Alvarez/Getty Images
Quando a cobrança da empresa é grande e o equipamento, inadequado, o estresse do colaborador sobe Imagem: Alvarez/Getty Images

Denyse Goody

do UOL, em São Paulo

23/04/2021 04h00

Um computador lento e que trava o tempo todo não é um aborrecimento menor no cotidiano de trabalho. A falta de equipamentos adequados para a execução das tarefas gera estresse e atrapalha o desempenho dos colaboradores, de acordo com os achados da edição 2020 da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que serve de base para o Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar, uma parceria da Fundação Instituto de Administração com o UOL.

Entre os funcionários das 100 empresas mais bem avaliadas quanto à sua capacidade de proporcionar um ambiente saudável e produtivo para os profissionais, 31% dos que acham que os materiais disponibilizados pela companhia são ruins também apontam que o trabalho lhes gera estresse excessivo. A média geral é de 19%. No grupo dos que apontam que o trabalho tem causado esgotamento mental estão 25% dos que avaliam negativamente os equipamentos, contra média de 13%. O oposto se dá no grupo de colaboradores que acham que o trabalho alivia o seu estresse no dia a dia. Aí estão somente 7% dos que reclamam dos equipamentos, comparados com 13% da média.

"Se a organização cobra metas, exige que as tarefas sejam executadas rápido, mas o computador disponível é ruim, o funcionário acaba ficando estressado mesmo", diz Lina Nakata, professora da FIA.

Os dados também mostram ser menor do que a média geral o contingente de funcionários que acham os equipamentos inadequados entre os colaboradores mais bem avaliados da empresa: 53% contra 63%. No grupo dos que têm o pior desempenho da organização estão 2% dos que reclamam dos materiais e apenas 1% de quem considera o material oferecido pela companhia adequado.

A maior parte das críticas feitas pelos colaboradores na pesquisa diz respeito aos computadores, assim como a maior parte das sugestões, destacando, nos dois casos, as novas demandas geradas pelo home office na pandemia. Também são mencionados, como aspectos a melhorar em termos de estrutura e materiais, a falta de salas minimamente confortáveis, de equipamentos de proteção individual, cadeiras ruins e veículos de transporte com manutenção que deixa a desejar.

Ao analisar a opinião dos colaboradores sobre os equipamentos tecnológicos - essencialmente computador e telefone celular profissional -, a empresa pode notar que existe uma tendência de maior insatisfação dos mais jovens, comenta Nakata. "No passado, a maior parte da população tinha o primeiro contato com esses aparelhos no trabalho. Com o passar do tempo, os notebooks e celulares ficaram mais baratos, e as famílias podem se equipar com os modelos mais modernos. Se o equipamento encontrado no escritório é pior do que aquele que o funcionário tem em casa, o incômodo é certo", afirma a pesquisadora da área de gestão de pessoas.

Melhores práticas

A Santa Helena, maior fabricante de alimentos à base de amendoim do Brasil, dona da marca Paçoquita, entende que dar uma atenção especial ao material de trabalho é importante para engajar os colaboradores. "O conhecimento técnico de seus colaboradores e a dedicação para alcançar bons resultados podem ser materializados quando os equipamentos corretos estão disponíveis para as funções adequadas", diz Elaine Ribeiro, gerente de Recursos Humanos da companhia, cuja fábrica fica em Ribeirão Preto, no interior paulista. "A percepção do colaborador quanto à infraestrutura da empresa é um entre os principais termômetros para entender sua satisfação no local de trabalho."

Tanto na área administrativa quanto na produtiva, a empresa provê treinamentos para a correta utilização das máquinas. A área de engenharia faz a manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos fabris segundo os manuais das máquinas e as normas regulamentadoras. "Para os equipamentos de tecnologia da informação, o prazo de troca é de três anos, garantindo assim que estejam sempre adequados para suportar as necessidades que as atualizações dos sistemas trazem para a companhia", afirma Ribeiro.

Entre os 100 lugares incríveis para trabalhar, 44% estabelecem prazos fixos para a troca de equipamentos, contra 13% das que não se classificaram no ranking do Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar na edição do ano passado.

Como a tecnologia fica obsoleta cada vez mais rápido, a recomendação dos especialistas é de substituição de computadores e celulares corporativos no intervalo de três anos. O prazo, que costuma ser o da garantia do fabricante, é citado por 5% das empresas que não se classificaram entre as melhores e 8% das que ficaram nas mais elevadas posições do ranking, como a Santa Helena e também a companhia farmacêutica veterinária MSD Saúde Animal, a administradora de benefícios para trabalhadores Alelo, a unidade local da fabricante suíça de sabores e fragrâncias Givaudan, a gestora de recebíveis Meireles e Freitas Cobrança Digital, e a agência do Sebrae no Rio Grande do Norte.

O Instituto Nordeste Cidadania (Inec) e a Unimed de São José do Rio Preto incluem nas melhores práticas de utilização dos equipamentos de tecnologia da informação alertas e bloqueio dos sistemas corporativos à noite e nos finais de semana e feriados para preservar a saúde e os momentos de lazer dos colaboradores.

O Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2021 estão abertas e vão até 15 de junho.