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Ex-ministro chama de barbeiragem tentativa de turbinar auxílio fora do teto

Maílson da Nobrega diz que medida é um "misto de populismo fiscal com trapalhada administrativa" - Lula Marques/Folha Imagem
Maílson da Nobrega diz que medida é um "misto de populismo fiscal com trapalhada administrativa" Imagem: Lula Marques/Folha Imagem

Do UOL, em São Paulo

20/10/2021 08h57

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nobrega disse, em declaração publicada pelo jornal O Globo, que a tentativa do governo em turbinar o Auxílio Brasil com recursos de fora do teto de gastos foi uma "barbeiragem" que pode ser vista como um "misto de populismo fiscal com trapalhada administrativa".

Ontem, o governo chegou a confirmar um evento para apresentar detalhes do programa que vai substituir o Bolsa Família, mas cancelou diante da repercussão do mercado com as informações adiantadas pela imprensa. Ontem, a Bolsa tombou 3,28% e o dólar comercial subiu 1,33%, fechando a R$ 5,594.

"Foi uma barbeiragem. O presidente deve ter pressionado para que o projeto fosse apressado para alavancar sua popularidade e o mercado reagiu mal. Trata-se de um misto de populismo fiscal com trapalhada administrativa. O mercado até melhorou depois que a cerimônia foi cancelada', disse Maílson da Nobrega.

Conforme publicou ontem a colunista do UOL Carla Araújo, o presidente, que tem buscado aumentar a popularidade em busca da reeleição, decidiu que, além dos R$ 300 que tinha combinado para turbinar o Bolsa Família, quer um formato que ainda beneficie os chamados "invisíveis", que não atenderiam aos critérios do programa, com um ticket médio de R$ 100, ampliando o benefício para a faixa dos R$ 400.

A medida implica financiar parte do programa com recursos de fora do teto de gastos, o que foi visto com preocupação por investidores. Ainda não há uma nova data para a apresentação do projeto, que pode passar por alterações.

Para Maílson da Nobrega, se confirmada a medida sinaliza uma piora no quadro fiscal. "Vão dar calote nos precatórios, o que é uma violação de contrato e uma vergonha para uma equipe econômica que se diz ultraliberal", disse.

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