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Petrobras cai 7% e Bolsa fecha no menor patamar desde novembro de 2020

Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
Imagem: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

17/06/2022 17h56

A forte queda nas ações da Petrobras hoje gerou um tombo de 2,90% no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3). Além disso, a Bolsa desceu a 99.824,94 e, pela primeira vez desde 4 de novembro de 2020, terminou o pregão abaixo dos 100 mil pontos.

No horário do fim da sessão, a PETR3 apresentava baixa de 7,31% e estava cotada a R$ 29,91. A PETR4 perdia 6,88% e valia R$ 27,08. A movimentação das ações está relacionada ao anúncio da estatal de que os preços da gasolina e do diesel aumentarão para as distribuidoras, o que foi duramente criticado por políticos.

Os novos valores terão validade a partir de amanhã. O litro da gasolina passou de R$ 3,86 para R$ 4,06 — aumento de 5,18%. Já para o diesel, a elevação foi de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro — alta de 14,26%. O valor do GLP foi mantido.

Outra mudança divulgada hoje é a taxa única do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de combustíveis, determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. A decisão de que as alíquotas deverão ser iguais em todo o Brasil começará a valer em 1º de julho.

A Petrobras está na mira do governo de Jair Bolsonaro (PL) para ser privatizada e é alvo de constante crítica do chefe do Executivo, que considera o lucro dela "um estupro".

Antes do anúncio de hoje, Bolsonaro já havia dito no Twitter que o governo federal é contra qualquer aumento.

"A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo", falou de manhã.

Essa semana, o presidente disse, durante entrevista para o canal do YouTube da jornalista Leda Nagle, que a Petrobras estaria "dando dica" de que planejava aumentar os preços.

Presidência da Petrobras

Com a escalada nos valores, a ala do governo tem pressionado pela saída de José Mauro Ferreira Coelho, atual presidente da estatal. Especialistas consultados pelo UOL, no entanto, afirmam que, conforme as regras atuais, o presidente da Petrobras não tem poder sobre o conselho de administração sozinho.

Apesar disso, há pressão pela saída do atual presidente da Petrobras. Com o anúncio dos aumentos nos combustíveis, Lira voltou ao Twitter para dizer que Coelho deve "renunciar imediatamente". "Não por vontade pessoal minha, mas porque não representa o acionista majoritário da empresa, o Brasil", escreveu.

O presidente da Câmara ainda analisou que Coelho trabalha "sistematicamente contra o povo brasileiro na pior crise do país".

Teto do ICMS

O Congresso Nacional aprovou essa semana um projeto de lei complementar que visa baratear o preço dos combustíveis. O projeto limita a 17% a cobrança de ICMS sobre gasolina, diesel etc.

O texto já foi aprovado pela Câmara e Senado e aguarda sanção de Bolsonaro, que defende o projeto. Especialistas de fora do governo, no entanto, alertam que o teto do ICMS pode não impedir a escalada de preços.

Isso porque, na outra ponta, os aumentos do custo do petróleo no mercado internacional e do dólar ante o real podem manter os combustíveis em alta.

Além da falta dessas certezas, o projeto traz risco à verba de escolas públicas. O ICMS é fundamental no repasse à educação no Brasil.