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Líder de caminhoneiros culpa Bolsonaro por nova alta nos combustíveis

Wallace Landim, o Chorão, afirmou em nota que pode haver greve de caminhoneiros - Divugação/Arquivo pessoal,
Wallace Landim, o Chorão, afirmou em nota que pode haver greve de caminhoneiros Imagem: Divugação/Arquivo pessoal,

Do UOL, em Brasília

17/06/2022 15h08

O líder de caminhoneiros Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou hoje que a categoria não descarta entrar em greve devido ao novo aumento no preço dos combustíveis anunciado pela Petrobras. Segundo a estatal, o litro da gasolina vendido às distribuidoras subiu 5,18%, passando de R$ 3,86 para R$ 4,06. Já o litro do diesel foi reajustado em 14,26%, saltando de R$ 4,91 para R$ 5,61.

Chorão, que preside a Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores), responsabilizou o governo pela nova alta, por não ter "reestruturado a Petrobras" ao longo do mandato. "O governo se acomodou e, por ironia do destino, o ministro apelidado de Posto Ipiranga [Paulo Guedes], que deveria resolver esse problema, é o grande culpado desse caos", afirmou o líder caminhoneiro, em nota.

Segundo a nota assinada por Chorão, a culpa pela alta de preços dos combustíveis é da política de preços da Petrobras, que, segundo ele, está provocando um "caos econômico" na sociedade. Para o líder caminhoneiro, Bolsonaro "precisa entender que ficar dando xilique não vai resolver o problema".

"A verdade é que, de uma forma ou de outra, mantendo-se essa política cruel de preços da Petrobras, o país vai parar novamente. Se não for por greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve é o mais provável", alertou. O último aumento do diesel havia ocorrido há 39 dias.

Desde o ano passado, com a escalada dos preços dos combustíveis já em andamento, Chorão vinha falando na possibilidade de uma paralisação, devido a "promessas não cumpridas" por Bolsonaro. Além da alta no diesel, a categoria vinha reclamando de problemas como a dificuldade para se ter acesso a linhas de crédito.

Na última troca de presidentes da Petrobras, em abril, Chorão declarou não ver perspectiva de melhora com a mudança, devido à continuidade da política de preços. "Nada vai mudar enquanto o preço estiver atrelado no PPI [Preço de Paridade de Importação]. Ficou muito claro que até a questão do ICMS nos estados é paliativo", afirmou ele na ocasião.

Queixas

Políticos alinhados ao governo, a começar pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PL), subiram o tom das críticas contra a Petrobras após o novo anúncio de aumento.

Em entrevista a uma rádio em Natal, Bolsonaro afirmou que vai propor à Câmara dos Deputados a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a diretoria da Petrobras e membros do Conselho de Administração. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu hoje que o presidente da estatal, José Mauro Coelho, "tem que renunciar imediatamente".

Em nota à imprensa, a estatal afirmou ser "sensível" ao momento atravessado pelo Brasil e pelo mundo. "Quando há uma mudança estrutural no patamar de preços globais, é necessário que a Petrobras busque a convergência com os preços de mercado", justificou a empresa.

Bolosonaro já havia afirmado, na semana passada, que a Petrobras estaria "dando dica" de que pretendia aumentar os preços. "Não interessa quanto seja o aumento, já está absurdo o preço dos combustíveis", disse o presidente, que chamou o lucro da empresa de "extorsivo".