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Bancárias fazem protesto contra Pedro Guimarães em frente à sede da Caixa

Bancárias fazem protesto contra Pedro Guimarães em Brasília - Reprodução/Facebook Sindicato dos Bancários de Brasília
Bancárias fazem protesto contra Pedro Guimarães em Brasília Imagem: Reprodução/Facebook Sindicato dos Bancários de Brasília

Do UOL, em São Paulo

29/06/2022 13h40Atualizada em 29/06/2022 15h11

Bancárias realizaram hoje um protesto contra o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, após ele ter sido acusado de assédio sexual por funcionárias da empresa. O ato foi realizado em frente à sede do banco em Brasília, chamada de Matriz 1.

A manifestação foi convocada pelo Sindicato dos Bancários de Brasília, que classificou as denúncias como um "comportamento repugnante" e pediu pelo imediato afastamento de Guimarães do cargo, bem como " rigorosa e imediata apuração das denúncias, inclusive nos campos criminal, civil e administrativo".

Uma faixa com os dizeres "assédio sexual é crime" foi estendida pelas manifestantes.

Pedro Guimarães foi acusado por funcionárias da Caixa Econômica Federal de comportamentos inadequados e intimidações constantes no ambiente de trabalho. As primeiras denúncias foram publicadas ontem pelo jornal Metrópoles, que resguardou a identidade das mulheres. O Ministério Público Federal já investiga o caso, que corre em sigilo, afirmou a publicação.

Nesta manhã, Pedro Guimarães participou de um evento da Caixa, em Brasília, para divulgar o Plano Safra 2023. Em discurso, ele disse que tem "uma vida pautada pela ética".

"Quero agradecer a presença de todos vocês, da minha esposa. São quase 20 anos juntos, dois filhos e uma vida inteira pautada pela ética. Tanto é verdade que, quando eu assumi o banco, ele tinha os piores ratings [classificações] das estatais. [Foram] dez anos de balanços com ressalvas. E hoje a gente é um exemplo. Então tenho orgulho do trabalho de todos vocês e da maneira como eu sempre me pautei em toda a minha vida", afirmou.

Segundo a colunista do UOL Thays Oyama, a demissão de Guimarães após as acusações é certa e está prevista para hoje. O principal nome cotado para substituí-lo é da assessora de Produtividade e Conectividade do Ministério da Economia, Daniella Marques, segundo reportou a colunista Carla Araújo.

Entenda as denúncias

As denúncias, que incluem toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites incompatíveis à relação de trabalho, começaram a surgir no fim do ano passado. Todas as mulheres que falaram ao site Metrópoles, sem que seus nomes fossem divulgados, trabalham ou trabalharam em equipes que atendem diretamente ao gabinete da presidência da Caixa.

As cinco entrevistadas disseram que se sentiram abusadas em diferentes ocasiões, e sempre em compromissos de trabalho. Os casos aconteceram, muitas vezes, em viagens relacionadas ao programa Caixa Mais Brasil.

Segundo relato, o presidente do banco escolhe, preferencialmente, "mulheres bonitas" para as comitivas nas viagens. De acordo com Ana*, uma das funcionárias que denunciaram o assédio, o comunicado de escolha é como um prêmio.

Outra prática comum, segundo as funcionárias, é que mulheres que despertam a atenção de Guimarães durante as viagens sejam chamadas para atuar em Brasília, muitas vezes promovidas hierarquicamente sem preencher requisitos necessários. A prática deu, inclusive, origem a uma expressão usada para se referir a elas: "disco voador".

Em contato com o UOL, o Ministério da Economia disse que não irá se manifestar sobre o caso.

Em nota, a Caixa afirma que "não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo e que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio.". Ainda no texto enviado ao UOL, a instituição diz que "o banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de 'qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça'".

O UOL também entrou em contato com Pedro Guimarães por e-mail e por telefone para comentar as denúncias. O texto será atualizado em caso de manifestação.