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Bolsonaro omite que auxílios vão até dezembro e diz que PEC não é eleitoral

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo*

14/07/2022 17h22Atualizada em 14/07/2022 19h41

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse hoje que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Auxílios, aprovada na Câmara dos Deputados, não é "eleitoreira" já que "quem está necessitado não quer saber se tem eleição ou não". Durante a entrevista, o mandatário omitiu que os novos auxílios e os reajustes de benefícios sociais valem apenas até 31 de dezembro deste ano.

A PEC é uma das apostas da base aliada para melhorar o desempenho de Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Ela prevê reajuste de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil (ex-Bolsa Família), aumento de R$ 53 para R$ 120 do vale-gás, criação de auxílio-caminhoneiro de R$ 1.000 e lançamento de um auxílio para taxistas, com custo de R$ 2 bilhões.

No caso do Auxílio Brasil, a intenção é zerar a fila do programa ainda em 2022. Além disso, a PEC traz recursos para gratuidade de idosos no transporte público e subsídios para o etanol. Serão disponibilizados ainda R$ 500 milhões para o programa Alimenta Brasil. O custo total das ações é de R$ 41,2 bilhões.

"Olha, na própria PEC foi colocada situação de emergência. Foi bom porque entrou na própria PEC. Então está contornado esse problema. Agora, quem está necessitado não quer saber se tem eleição ou não. Quem está passando fome nessa época." A fala foi transmitida no canal Foco do Brasil, que reproduziu as imagens do Notícias do Brasil, no YouTube.

Bolsonaro acusou o PT (Partido dos Trabalhadores) de querer prorrogar a votação da PEC e deixar os pobres esperando, diferentemente do que a sigla diz pregar. A oposição critica os danos financeiros que a ação, vista como eleitoreira, trará aos cofres públicos para este e o próximo ano.

"Você pode ver, a própria esquerda tentou fazer com que entrasse em vigor essa PEC depois das eleições. Ou seja, o pobre fica mais 4 meses aguardando. Esse é o sentimento que o PT tem para com a população brasileira. E não é apenas os R$ 600, ajuda os taxistas, caminhoneiros também, no vale-gás também ajuda. Eles sempre pregavam que deveríamos ter um olhar, sensibilidade com os mais pobres, chega na hora deles contribuir e são contra. Poderia ter aprovado há mais tempo essa PEC."

O mandatário também comentou a queda de internet na Câmara dos Deputados durante a votação da proposta. O problema técnico gerou insegurança sobre a votação do texto. O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), disse que vai pedir à Polícia Federal (PF) e ao Ministério da Justiça que apurem o caso.

"A queda nos dois sistemas da Casa está sendo apurado também. Pelo que tudo parece é tentativa de atrasar [a aprovação] porque eles sabiam que se atrasasse mais dois, três dias entraria no recesso [da Câmara, em 17 de julho]. Aí [a votação] ficaria para agosto. Mais um mês que os mais humildes ficariam desassistidos."

Bolsonaro vai a evento de promulgação de PEC

O presidente Jair Bolsonaro participou da cerimônia de promulgação da PEC no Congresso Nacional. Sentado ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e do chefe da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), este último responsável por viabilizar a aprovação na Casa, Bolsonaro elogiou o Congresso Nacional pela aprovação da pauta.

O Parlamento, Câmara e Senado são essenciais. Somos parceiros. Por vezes a gente fala, está na Constituição, que são três poderes harmônicos e independentes, mas ouso a dizer que o Parlamento e o Executivo são irmãos xifópagos [siameses]. Nós estamos juntos sempre, nós dependemos um do outro e vivemos em plena harmonia. Então, esse momento me deixa muito feliz e orgulhoso de ser o chefe do Executivo do Brasil. Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

Aproveitando a ocasião, o mandatário, que cancelou sua live semanal para comparecer à cerimônia, criticou o Bolsa Família, antigo nome do atual Auxílio Brasil e criado no governo do PT. Ele declarou ainda que agradecia ao parlamento por "complementar propostas saudáveis e bastantes úteis para a população".

"Até novembro do ano passado tínhamos o Bolsa Família que equivalia a R$ 190 em média. Em novembro passou para o mínimo R$ 400 e agora passa para R$ 600. Esses recursos vão diretamente para o bolso, a conta dos beneficiários. São 18 milhões de famílias no Auxílio Brasil e deixo claro que pouco mais de 2/3, em torno de 14 milhões, são mulheres."

Assim como nas declarações desta tarde, Bolsonaro não disse em nenhum momento que os novos auxílios e os reajustes de benefícios sociais valem apenas até 31 de dezembro deste ano.

Presidente elogia às mulheres

Ainda no discurso, Bolsonaro aproveitou para novamente elogiar as mulheres em meio às tentativas de conseguir votos do eleitorado feminino. De acordo com a pesquisa Datafolha, o atual mandatário encontra resistência entre o grupo em todas as classes sociais para o pleito deste ano. Já os homens são a maioria do público bolsonarista.

"Então, o nosso olhar também para as mulheres do Brasil, assim como nós fazemos no tocante à titulação de terras no Brasil. (...) Mesmo quando existe um casal [o benefício] vai para a esposa. Vai para homem apenas quando ele está solteiro ou viúvo. É o nosso olhar todo especial para as mulheres do Brasil, pessoa logicamente importantíssima, nenhum homem pode sonhar em crescer na vida se não tiver ao lado uma magnífica e grandiosa mulher."

Ontem, o chefe do Executivo chegou a afirmar ter menos aceitação entre o eleitorado feminino porque as mulheres "gostam menos" de motociatas. Os eventos são promovidos pelo presidente que, comumente, anda ou pilota motocicletas ao lado dos seus apoiadores pelos estados, faz discursos e publica nas redes sociais.

*Com Fabrício de Castro, do UOL, em Brasília, e do Estadão Conteúdo