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'Fraude', 'pagam de maluco': BTG sobe o tom contra acionistas de Americanas

No sábado (11), o BTG entrou com recurso contra uma liminar que protegeu a Americanas de seus credores - Mauro Pimentel/AFP
No sábado (11), o BTG entrou com recurso contra uma liminar que protegeu a Americanas de seus credores Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Do UOL, em São Paulo

16/01/2023 14h01Atualizada em 16/01/2023 17h26

O banco BTG Pactual recorreu na Justiça contra uma liminar que protegeu as Americanas S.A. dos credores. A petição, apresentada no sábado (14), chama os principais controladores da empresa de "semideuses" e se refere ao rombo bilionário descoberto na empresa como "fraude".

Veja as alegações do BTG, um dos principais credores das Americanas:

  • 'Semideuses do capitalismo'

Para o BTG, os três acionistas de referência das Americanas — os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, sócios do fundo 3G Capital — estão sendo protegidos.

Os três homens mais ricos do Brasil (...), ungidos como uma espécie de semideuses do capitalismo mundial 'do bem', são pegos com a mão no caixa daquela que, desde 1982, é uma das principais companhias do trio.

[Decisão] absolve liminarmente os acionistas controladores - literalmente os três homens mais ricos do Brasil, com patrimônio conjunto avaliado em mais de R$ 180 bilhões (!!) -, livrando-os de pagar a conta de sua própria pirotecnia e colocando todo o fardo da sua lambança contábil nos ombros dos credores.

São estes, pois, os responsáveis por controlar, há 40 anos (atualmente acionistas de referência), a companhia que simplesmente não percebeu um rombo contábil de R$ 20 bilhões.

  • 'Maior fraude corporativa na história do país'

A petição classifica o episódio como "a maior fraude corporativa de que se tem notícia na história do país", citando um trecho do livro "Sonho grande: Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo", de Cristiane Correa.

É o fraudador pedindo às barras da Justiça proteção 'contra' a sua própria fraude. É o fraudador cumprindo a sua própria profecia, dando verdadeiramente 'uma de maluco para esses caras saberem que é pra valer'.
Trecho cita frase de "Sonho grande"

Agora, a história se repete. Do que se viu do escândalo da Kraft Heinz, o traço característico para a prática de fraude parece ser a manipulação de informações contábeis. Foi isso o que ocorreu em 2019. E é exatamente isso que ocorre agora.

A situação nasce de uma fraude premeditada, que vem sendo cultivada durante anos e que só foi divulgada após a blindagem do patrimônio dos responsáveis pela falcatrua.

  • 'Fraudador confesso'

Ao fim e ao cabo, a decisão agravada acaba beneficiando unicamente os controladores que fraudaram o balanço da companhia e optaram por ocultar a informação até que seu patrimônio estivesse devidamente blindado.

O escândalo da Americanas não se trata de um rombo recente, mas construído ano a ano há mais de década, tudo parte de um plano engendrado para lucrar às custas de todo o mercado financeiro e sair ileso, com bens blindados no exterior.

[A decisão] entrega R$ 1,2 bilhão do patrimônio alheio [no caso do BTG] a um fraudador confesso, que admite em sua petição — pelo menos assim é referido na decisão ora agravada — ter dívidas superiores a R$ 40 bilhões; ou seja, o R$ 1,2 bilhão do Banco virarão pó do dia para a noite nas mãos de quem se vangloria por "pagar de maluco".

O que dizem Americanas e BTG

Procurado, o BTG Pactual diz que não vai comentar a petição

Em nota, a Americanas diz que a medida cautelar "visa somente a sustentação jurídica necessária para que tanto a Americanas como os credores possam chegar a um possível acordo". Afirma ainda que a suspensão da medida "poderia gerar assimetria entre os seus credores, inclusive bancos, e não ajudaria no processo".

Relembre o caso

  • Na sexta-feira (13), o juiz Paulo Assed Estefan, da 4ª vara empresarial do Rio, concedeu uma medida de tutela de urgência cautelar, dando 30 dias para que a Americanas decida se vai pedir recuperação judicial
  • No despacho, o juiz informa que a Americanas alega risco de seus credores pedirem o vencimento antecipado de R$ 40 bilhões em dívidas
  • Para evitar a quebra da empresa, Estefan suspendeu essa possibilidade por 30 dias.
  • No entanto, o BTG Pactual já havia bloqueado R$ 1,2 bilhão da empresa que estavam no banco. A decisão do juiz determina que o banco devolva o R$ 1,2 bilhão à empresa.
  • O BTG Pactual, então, recorreu na Justiça contra a liminar que protegeu a Americanas dos credores.
  • A petição foi feita pelo banco no fim de semana. O juiz de plantão disse que não tomaria uma decisão sobre o assunto. O caso deve ser analisado essa semana.