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Embrapa ensina agricultor a combater praga que pôs 6 Estados em emergência

André Cabette Fábio

Do UOL, em São Paulo

24/12/2013 06h00

Resistente a agrotóxicos, a lagarta Helicoverpa armigera foi um dos destaques no noticiário agrícola de 2013. Seis Estados brasileiros declararam situação de emergência fitossanitária, após a praga ter causado prejuízos de ao menos R$ 2 bilhões na safra passada.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) planeja visitar todas as regiões do país e promover palestras para agricultores, ensinando métodos de combate à lagarta, num projeto chamado de Caravana Embrapa.

Oito municípios do Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal já foram visitados em dezembro. O objetivo é visitar 33 municípios até março de 2014, quando as caravanas chegam ao extremo Norte do Brasil. Até agora, 1.300 agricultores já foram atendidos por cerca de 27 pesquisadores, afirma a Embrapa.

A praga atinge as plantações de algodão, soja e milho, principalmente, mas também causa estragos nas lavouras de feijão, laranja e tomate.

A primeira região a ser declarada em estado de emergência fitossanitária foi o Oeste da Bahia, no começo de novembro, pouco depois de lançar um plano de combate com orçamento de R$ 6,3 milhões. Mato Grosso também foi declarado em emergência fitossanitária por causa da lagarta, seguido de regiões dos Estados de Goiás, Minas GeraisPiauí Mato Grosso do Sul.

Programação 2014 da Caravana Embrapa

DataCidadeContato Embrapa
14.jan.2014Lucas do Rio Verde (MT)(66) 3211-4220
15.jan.2014Sapezal (MT)(66) 3211-4200
16.jan.2014Campo Verde (MT)(66) 3211-4200
27.jan.2014Dourados (MS)(67) 3416-9701
28.jan.2014Naviraí (MS)(67) 3416-9701
30.jan.2014São Gabriel do Oeste (MS)(67) 3416-9701
fev.2014Luís Eduardo Magalhães (BA)a definir
fev.2014Porto Nacional (TO)a definir
fev.2014Pedro Afonso (TO)a definir
fev.2014Balsas (MA)a definir
fev.2014Uruçuí (PI)a definir
fev.2014Pato Branco (PR)(61) 3448-4433
fev.2014Ponta Grossa (PR)(61) 3448-4433
fev.2014Londrina (PR)(61) 3448-4433
fev.2014Cascavel (PR)(61) 3448-4433
fev.2014Uberlândia (MG)(31) 3027-1267
fev.2014Unaí (MG)a definir
fev.2014Uberaba (MG)(31) 3027-1267
mar.2014São José do Rio Preto (SP)a definir
mar.2014Itapeva (SP)a definir
mar.2014Campinas (SP)a definir
mar.2014Assis (SP)a definir
mar.2014Barretos (SP)a definir
mar.2014Boa Vista (RR)(95) 4009-7100
mar.2014Macapá (AP)(96) 4009-9501
  • Fonte: Embrapa

Embrapa propõe uso de vespas, vírus e bactérias

O pesquisador da Embrapa Paulo Galerani afirma que a caravana divulgará métodos complementares aos agrotóxicos. Um exemplo é o uso de vírus e bactérias que atacam a praga, ou de vespas que botam ovos dentro dos ovos das lagartas.

"Propomos que se lance mão desses defensivos biológicos, que podem livrar a lavoura inteira com um uso mínimo de defensivos químicos", diz.

A lagarta ataca principalmente os órgãos reprodutivos das plantas, como a vagem da soja, o botão do algodão e a espiga do milho, mas também pode se alimentar de outras partes do vegetal e tem atacado outras culturas, como o tomate e a laranja.

Como a praga fica geralmente nas partes médias e baixas da planta, é mais difícil atingi-la com agrotóxicos, além de ela ter alta resistência a eles.

Galerani afirma que, apesar de já ter sido identificada na Austrália, Índia, China e em vários países da África, a lagarta é novidade no continente americano e pegou os agricultores de surpresa quando apareceu no começo do ano em plantações de soja e algodão do oeste da Bahia.

Isso fez com que fosse identificada inicialmente por engano como outra espécie, a Helicoverpa zea, e tratada com os agrotóxicos errados, o que atrasou seu combate.

Estado de emergência permite importar novos agrotóxicos

Com a ineficácia dos agrotóxicos convencionais, produtores procuraram alternativas de combate em 2013, como o uso de vespas que botam seus ovos dentro dos ovos da lagarta. De março a abril, meses normalmente fracos para esse tipo de produto, a empresa Bug Agentes Biológicos aumentou suas vendas em 30%.

No começo de agosto, produtores de soja e algodão do Oeste da Bahia receberam orientação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para utilizarem o agrotóxico benzoato de mamectina pela primeira vez no Brasil. Segundo os cálculos da época, 35% da safra de soja da região havia sido perdida. 

De acordo com Luiz Rangel, diretor de sanidade sanitária da Secretaria de Defesa Agropecuária, cerca de 40 toneladas do agrotóxico foram importadas, mas elas foram embargadas por uma ação civil pública do Ministério Público baiano e estão estocadas no município de Luís Eduardo Magalhães (BA). 

Como resposta, o governo atendeu em setembro a reivindicações do setor agropecuário e permitiu, por decreto, a importação temporária de agrotóxicos contra a Helicoverpa e concedeu às esferas municipais, estaduais e federais do Poder Executivo o poder de declarar estado de emergência fitossanitária.

Nesses casos, o governo pode adotar medidas emergenciais de combate a pragas, entre elas a importação de agrotóxicos não liberados no Brasil.

Contatos da caravana da Embrapa:

Telefones: (61) 3448-4569 e (61) 3448-4247

E-mail: caravana@embrapa.br

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