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Você não está só: Gandhi e Tolstoi também tinham medo de falar em público

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Thinkstock

Se você sente medo de falar em público e acha que esse é um problema de alguns poucos desafortunados, está equivocado. Vários estudos, como a pesquisa realizada com 3.000 americanos e publicada pelo jornal "Sunday Times", demonstram que o medo de falar em público é o maior medo do homem.

Mesmo considerando que a pesquisa esteja comprometida pela época ou local onde foi realizada, o medo de falar em público estaria entre os primeiros apontados pelo homem. Só para dar uma ideia, veja quais são os principais medos apontados na pesquisa:

1º - Medo de falar em público
2º - Medo de altura
3º - Medo de problemas financeiros, de doenças e de águas profundas
4º - Medo da morte

Algumas citações foram atribuídas a tantos autores diferentes que não me atrevo a cravar com certeza quem disse ou escreveu as pérolas pela primeira vez. Só revelo que não são de minha autoria. Essas frases, que fazem parte do anedotário mundial, mostram bem o nervosismo que algumas pessoas sentem quando precisam falar em público.

A primeira é a seguinte:

O cérebro é uma coisa maravilhosa. Começa a funcionar no instante em que nascemos, e só para na hora em que precisamos fazer um discurso diante da plateia.

A outra também é curiosa:

Quando me encaminho para a tribuna para fazer um discurso só Deus sabe o que vou falar. Quando começo a falar, nem Deus sabe mais.

Muitas das mais importantes personalidades da história revelaram sentir muito medo de falar em público. Mahatma Gandhi, por exemplo. Depois de ter se formado em direito, procurou uma forma de contornar seu incontrolável nervosismo. Ao fazer sua primeira apresentação oral, redigiu o discurso, pois assim não se perderia diante do público.

Supunha que com o discurso escrito se sentiria mais à vontade. A solução idealizada por Gandhi, entretanto, não foi bem-sucedida. O seu nervosismo era tão acentuado que, ao se apresentar diante da plateia, as mãos tremiam tanto que não conseguiam suportar as folhas de papel, impedindo que ele lesse o que estava escrito. Esse advogado tão tímido e inseguro tornou-se depois um dos maiores líderes da história mundial.

O russo Leon Tolstoi, um dos maiores nomes da literatura de todos os tempos, também tinha muito medo de falar em público. Na obra "Guerra e Paz" o escritor descreve uma cena interessante. Em uma das passagens, conta como a personagem Pierre Bezúkhov, depois de falar para os maçons e ter sido malsucedido, enfrenta períodos de frustração e depressão.

Aylmer Maude, responsável pela tradução, revela em nota explicativa que o incidente se refere à dificuldade que o próprio Tolstoi sentia para falar em público. Comenta que nas poucas vezes em que ele se atreveu a proferir discursos em público se sentiu muito desconfortável e não obteve bons resultados.

A história das pessoas importantes que sentem medo de falar em público vem de longe. Isócrates viveu de 436 a 338 a.C. Foi discípulo de Górgias e um dos mais destacados retores da Grécia antiga. Teve o mérito de ampliar o estudo da oratória, acrescentando à retórica boa parte da filosofia que aprendeu também como discípulo de Sócrates.

O fato curioso é que Isócrates, ainda que tenha sido um dos mais profundos estudiosos da retórica, chegando mesmo a implantar essa disciplina no currículo escolar ateniense, nunca proferiu um só discurso. Apenas estudou sua técnica e os escreveu. Fugia da tribuna por causa da voz defeituosa para a oratória e do pavor incontrolado para falar em público.

Viajando no tempo até os nossos dias, temos vários exemplos de pessoas renomadas que sentem medo de falar em público. Um deles é o escritor Paulo Coelho, chamado de cidadão do mundo, que em diversas entrevistas confessou esse desconforto que sente diante da plateia.  José Mayer, grande ator, disse em entrevista no programa do Jô Soares que sempre fica com a mão gelada quando está no palco.

Uma das mais competentes apresentadoras da televisão brasileira, Ana Paula Padrão, em entrevista para o "Guia do Estudante" também revela que, quando precisa falar em público, fica nervosa e chega a ter insônia.  Apesar desse medo, entretanto, consegue driblar a timidez quando se apresenta diante das câmeras.

Citei esses exemplos de importantes personalidades nas mais diferentes áreas de atuação para mostrar que o medo de falar em público é um sentimento comum. Não importa a formação, a posição hierárquica, a projeção social. Sentir medo faz parte da vida da maioria das pessoas. A boa notícia é que você pode superar esse medo. Para isso é preciso trabalho, estudo e dedicação.

Para diminuir a quantidade de adrenalina liberada por causa do medo, e que provoca o nervosismo, observe as seguintes recomendações: conheça o assunto com profundidade. Saiba ordenar o raciocínio com começo, meio e fim. Pratique bastante. E aprenda a identificar suas qualidades de comunicação.

Assim, você poderá se sentir mais confiante para falar diante da plateia. Ah, e se diante do público sentir o coração batendo mais forte, as mãos geladas, ou um leve tremor nas pernas, saiba que esses fatos são normais e acontecem com quase todas as pessoas. Depois dos primeiros instantes, você queimará o excesso de adrenalina e se sentirá mais à vontade.

Superdicas da semana

  • Sentir um pouco de medo de falar em público instiga a se preparar melhor
  • Se você souber mais do que precisa para falar, vai se sentir mais confiante
  • Pratique bastante. Converse por quanto tempo puder sobre o assunto antes de se apresentar em público
  • Se ficar com receio de ter um branco, leve um roteiro escrito como apoio

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Vença o Medo de Falar em Público", "Como Falar Corretamente e Sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva; e "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante.

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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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