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Consegue dizer tudo em 2 min? É preciso ser enxuto para vencer na carreira

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Getty Images

Para que um profissional continue progredindo em sua carreira e aspirando por posições cada vez mais gratificantes precisa aprender a agir com rapidez e eficiência. As organizações exigem que ele desenvolva tarefas multifuncionais, tenha capacidade de adaptação às mudanças, seja flexível e saiba assumir riscos e tomar decisões.

E não é só. Sobreviverá apenas quem souber liderar, trabalhar em equipe, for ético, bem preparado e criativo. Dependendo da empresa em que o profissional estiver atuando, esses requisitos poderão ser mais ou menos exigidos.

Mas em qualquer circunstância, certamente, essas habilidades não serão desconsideradas na avaliação do seu desempenho. Entra aí, de maneira decisiva, a capacidade de se comunicar.

E, atenção: de se comunicar com eficiência e objetividade, tanto para falar quanto para escrever. Quem não souber transmitir suas ideias, propostas e projetos de forma concisa não se encaixará nesse perfil corporativo. Por mais competente que seja, perderá espaço para aqueles que sabem interagir com outras pessoas e defender suas posições.

Comunicação clara, rápida e eficiente

Será avaliado como competente aquele que apresentar resultados e souber dizer tudo o que precisa de forma clara, rápida e eficiente. Nesses tempos bicudos, em que a concorrência não dá tréguas e as transformações de mercado ocorrem num piscar de olhos, quase ninguém consegue se deter em textos e discursos longos.

Ainda que a pessoa goste das reflexões mais profundas, os afazeres e o dinamismo dos negócios não permitem. A tarefa de hoje surge junto com o pedido de solução para ontem.

Não são poucos os que precisam de dez, doze e até mais horas de trabalho diário para administrar suas obrigações. Mesmo tendo interesse, a circunstância os leva a preferir os resumos à análise detalhada.

Há exceções, é claro. A maioria, entretanto, se enquadra nesse figurino. E não adianta criticar ou censurar esse comportamento. É uma realidade que precisa ser entendida e levada em consideração. Fracassa quem tenta bater de frente com essa tendência cada vez mais presente em época de tanta correria, especialmente na vida corporativa.

Crie o hábito de cortar

A busca da concisão, da palavra breve, mas significativa, já existia no passado, e não constitui uma marca apenas dos dias atuais.

Fernandes Pinheiro, por exemplo, na sua "Postilla de rhetorica e poetica", publicada nos finais dos anos mil e oitocentos, já chamava a atenção para a importância da objetividade: "Não há assunto, por mais vasto e complicado que pareça, que não se possa resumir numa frase".

Hoje essa qualidade, mais que nunca, tornou-se obrigatória. Comece a exercitar essa habilidade. Procure dizer tudo o que precisa no menor tempo possível. Escreva e-mails, relatórios, memorandos, cartas.

Depois de concluir, comece a cortar. Elimine o excesso de adjetivos, as explicações complementares, as informações desnecessárias. Com o tempo, você desenvolverá a habilidade de dizer tudo em menos tempo.

Faça o mesmo com seus discursos. Na nossa escola, damos um tempo de dois minutos para que o aluno transmita sua mensagem completa, com começo, meio e fim. Os executivos ficam surpresos ao perceber que não precisam de mais tempo para transmitir o que precisavam. E levam essa experiência da sala de aula para suas reuniões.

Tenha o cuidado, todavia, para não passar informações incompletas, truncadas, sem sentido. Nessa fase de "treinamento", dê o texto enxuto para uma ou mais pessoas lerem, ou faça o discurso resumido para pessoas conhecidas. Peça que expliquem o que entenderam. Se disserem a você o que pretendeu transmitir, significa que está no caminho certo.

Superdicas da semana

  • Quanto mais enxuta for a sua comunicação, maior será a chance de você ser lido, ouvido e entendido
  • Aprenda a enviar e-mails curtos. Diga tudo em uma ou duas frases
  • Procure escrever qualquer texto em apenas 25% do tamanho que costuma usar
  • Aprenda a fazer discursos em apenas dois ou três minutos
  • Só fale mais se for muito necessário para o entendimento da mensagem ou se a circunstância exigir
Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 minutos para falar bem em público e conversar com desenvoltura", publicado pela Editora Sextante, e "Superdicas para falar bem", publicado pela Editora Saraiva.

Para outras dicas de comunicação, entre no meu site (link encurtado: http://zip.net/bcrS07)
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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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