Nem sempre quem fala bem consegue seus objetivos na vida e no trabalho

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

"Que curso de oratória que nada. Imagine se eu preciso desse tipo de aprendizado! Eu já me comunico de forma muito competente."

É mais ou menos assim que reagem alguns profissionais quando são aconselhados por seus gestores a participar de um treinamento para falar em público. Se eles julgam não precisar, por que seus gestores pensam de forma diferente?

Quais são as razões para essa resistência? Alguns dizem ter consciência das suas qualidades de comunicação. Afinal, são sempre elogiados por se apresentarem muito bem em público. Nenhum problema com a voz, com a escolha das palavras, com a postura e a gesticulação. Muito menos ainda com a organização das ideias.

Outros, ao contrário, não se incomodam com as críticas que recebem por causa das suas deficiências de comunicação. Argumentam: "o que importa se não pronuncio bem as palavras, se falo muito baixo ou muito alto, se cometo erros de concordância, se não sei o que fazer com as mãos? Apesar dessas imperfeições, bato sempre as minhas metas".

Por que será que, embora o profissional se apresente com toda correção técnica, não consegue os resultados esperados?

No primeiro caso, os gestores constataram que, embora o profissional se apresente com toda correção técnica, não consegue os resultados esperados. Por que será que mesmo falando bem suas apresentações são malsucedidas? O que poderia ser feito para que aproveitasse melhor seus atributos de comunicação?

A resposta é que quase todos são tão seguros do seu desempenho diante da plateia que se esquecem de que há um objetivo a ser atingido com a mensagem que transmitem. Não avaliam as resistências dos ouvintes, nem se preparam para afastá-las.

Quando percebem existir objeções, não sabem definir se são com relação a eles próprios, ou com relação ao tema que apresentam.

Acham, ingenuamente, que só com sua capacidade de comunicação conseguirão o que desejam

Como sabem se expressar com facilidade, não fazem o dever de casa. Não têm o cuidado de fazer um bom trabalho de bastidores, conversando antes das reuniões com os responsáveis pela avaliação dos projetos ou propostas. Acham, ingenuamente, que só com sua capacidade de comunicação conseguirão o que desejam.

Também, ficam tão fascinados com um bom argumento que passam a repeti-lo exaustivamente, imaginando que assim será mais fácil convencer as pessoas. Não se dão conta de que dessa forma atuam contra a própria causa, pois enfraquecem a arma mais poderosa da sua argumentação. A repetição excessiva pode tirar a força de um argumento.

Não observam que o excesso de argumentos pode prejudicar o trabalho de convencimento

Em outras situações, o equívoco é diferente. Por possuírem muitos bons argumentos, não resistem à tentação de usar todos eles, um a um. Também não observam que o excesso de argumentos pode prejudicar o trabalho de convencimento. E há ainda casos em que erram por irem precipitados à jugular e pedirem a aprovação antes de o público já estar convencido da proposta.

Esses profissionais, seguros da comunicação que possuem, não raro falam além do tempo razoável. Não notam o momento em que as pessoas já estão prontas para tomar a decisão e esticam o discurso além do limite. Apresentam considerações que acabam por criar novas objeções aos próprios argumentos.

Por esses e outros motivos, mesmo aparentemente falando muito bem, esses profissionais são na verdade oradores sofríveis, já que no final não conseguem aprovar o projeto, vender o produto, liderar e estimular seus subordinados. Falar bem, portanto, é também e principalmente obter resultados com a comunicação.

E aqueles que são enviados ao curso mesmo atingindo as metas que lhes são impostas? Por que melhorar a comunicação se vendem os produtos, conseguem a aprovação dos projetos e a aceitação das propostas?

Esse é o questionamento daqueles que não concordam com a opinião dos gestores que insistem na ideia de que devem se aprimorar na arte de falar em público.

Quando um profissional se expressa em público, representa a imagem da empresa, que pode ser prejudicada

Nesse caso, a análise caminha em outra direção. Quando um profissional se expressa em público, evidentemente representa a imagem da empresa. É como se a própria organização onde atua estivesse ali usando a palavra. Por isso se a comunicação não possui qualidade estética, a imagem da empresa também pode ser prejudicada.

Se o profissional se apresenta sem ritmo, com postura deselegante, volume de voz muito baixo ou muito alto, dicção falha, vocabulário inadequado, gesticulação defeituosa, raciocínio truncado, além de correr o risco de ser avaliado como pessoa despreparada, pode também comprometer a imagem de quem estiver representando.

A boa comunicação é a soma de elementos técnicos com fatores estéticos que estimulam os ouvintes

A boa comunicação, portanto, considera não apenas os elementos técnicos, racionais dos argumentos, mas a conjugação desses aspectos com outros fatores estéticos que estimularão os ouvintes a acompanhar a mensagem com mais interesse, além de provocar admiração e respeito pelo desempenho do orador.

Dessa forma, os resultados positivos e a boa projeção da imagem se tornarão possíveis.

Se estiver conseguindo resultados, mas sentir que poderia aprimorar alguns aspectos para que seu desempenho diante do público fosse melhor, talvez esteja deixando de explorar de maneira mais intensa seu potencial de comunicação. Seja seu próprio gestor e tome a iniciativa de aperfeiçoar suas habilidades para falar em público.

Superdicas da semana

  • Fale com o objetivo de conquistar resultados
  • Não negligencie, entretanto, os aspectos estéticos
  • Ninguém é tão bom que não possa melhorar
  • Quando receber um conselho, aceite sem se justificar. Depois reflita sobre sua utilidade

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

Para outras dicas de comunicação, entre no meu site (link encurtado: http://zip.net/bcrS07)
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Os discursos confusos de Dilma

Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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