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Reinaldo Polito

Será que existe maldição nas CPIs?

As CPIs trazem má sorte para seus integrantes? - Getty Images/iStockphoto
As CPIs trazem má sorte para seus integrantes? Imagem: Getty Images/iStockphoto
Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

20/04/2021 04h00

Os homens fortes são naturalmente os mais impressionados e, por conseguinte, os mais supersticiosos.
Balzac

Podemos afirmar que as CPIs acabam em pizza? Sim e não. Como há um caso ou outro levantado por essas comissões, talvez fosse exagero dizer que elas não serviram para nada. Por outro lado, se considerarmos o que essa turma gasta de tempo e dinheiro para apurar esses "pixulecos", seria possível também responder que sim.

Na verdade, uma CPI se transforma em verdadeiro palanque político. É a oportunidade que algumas excelências têm para fazer discurso de campanha praticamente o dia todo. Ter essa exposição que os deputados federais, representantes do povo, e senadores, representantes dos estados e Distrito Federal, conseguem na mídia é autêntico sonho de consumo.

Além dessa projeção pessoal, aqueles que ocupam os principais postos na comissão, por motivos corporativistas, ou conveniências pessoais, têm a oportunidade de esmiuçar a vida de seus desafetos e combatê-los, às vezes, até de forma inclemente. É a chance de tirá-los da frente, para benefício próprio, ou daqueles a quem desejam ajudar.

Por isso, essa brigalhada para saber quem será o presidente, quem conquistará a relatoria, quem ocupará os outros cargos de destaque na comissão. Os trabalhos ainda nem tiveram início e alguns já ensaiam seus discursos de campanha. Ainda mais agora, com a ajuda das mídias sociais, não vai sobrar pedra sobre pedra. Vamos assistir a uma guerra fratricida.

Por outro lado, se eu fosse político, antes de enfiar o pé na porta, daria uma rápida olhada no retrovisor para analisar o que aconteceu com aqueles que durante as CPIs fizeram da tribuna um palanque eleitoreiro.

Sorte na CPI! Desgraça na vida?

A turma da CPI deveria revirar um pouco as páginas da história recente e tirar a poeira que começa a acumular. Será que pararam para pensar no que aconteceu com muitos daqueles que brilharam nas últimas CPIs? Sei não, mas parece que as bruxas andaram soltas.

Desde presidente da Câmara, que era um dos focos de atenção, até aqueles mais diretamente ligados à comissão, como presidentes e relatores das CPIs, esse pessoal não teve muito o que celebrar no futuro. São tantos os casos, que até seria possível generalizar. Vejamos aqueles que foram mais marcantes.

O ex-deputado Ibsen Pinheiro (PMDM-RS), que era o presidente da Câmara na época da CPI do PC Farias, em 1992, que acabou resultando no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, passado algum tempo, foi cassado sob a acusação de enriquecimento ilícito.

Mais próximo de nós, o ex-senador Delcídio Amaral (PT-MS), que foi presidente da CPMI dos Correios em 2005, também teve de enfrentar maus bocados. Em 2015 foi preso em flagrante, acusado de tentar obstruir a delação premiada de Nestor Cerveró, ex-executivo da Petrobras.

A lista não tem fim

Dá a impressão até de que não escapa ninguém. Vamos relembrar mais alguns que tiveram projeção durante as CPIs e precisaram enfrentar grandes dissabores.

O ex-senador Efraim Morais (PFL-PB), que presidiu a CPI dos Bingos, em 2005, teve seus bens bloqueados pela justiça, acusado de lavagem de dinheiro e relação com o crime organizado. O relator da CPI, ex-senador Garibaldi Alves Filho, foi outro político que não se reelegeu.

O ex-senador Tião Viana (PT-AC), que esteve à frente da CPI do apagão aéreo, em 2007, foi acusado de receber dinheiro irregular da Odebrecht. O ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que foi o relator, acabou cassado por falta de decoro em 2012.

O ex-senador Magno Malta (PL-ES), que presidiu a CPI do Narcotráfico, em 1999. Foi acusado de diversas irregularidades e não conseguiu se reeleger.

O histórico é impressionante e quase estarrecedor. Se fosse um caso ou outro, vá lá, mas com tanta gente enrolada depois de se projetar nas CPIs, acho que antes de começar a brigar por cargos, valeria a pena avaliar se compensa correr o risco de passar por percalços mais tarde.

Lógico que são coincidências, e que estou só fazendo ilações com o objetivo de troçar, mas que parece haver uma maldição, parece. Que vossas excelências fiquem espertas. Não custa nada, de vez em quando, nos lembrarmos do dito espanhol: no creo em brujas, pero que las hay las hay.

Penso também, a partir dos exemplos analisados, que a maioria já estava enrolada em falcatruas. Se ficassem quietinhos, talvez até passassem despercebidos

Só que ao subir no pedestal da CPI se julgaram meio intocáveis, e, passado o vendaval, os adversários foram à forra, e deram um jeito de se vingar, trazendo os malfeitos deles à tona.

Por um ou outro motivo, é prudente que não vacilem. Ainda está em tempo de continuar fora dessa encrenca. Cada um sabe muito bem o que fez. Depois não vai querer colocar a culpa na maldição das bruxas.

Superdicas da semana

  • Quanto mais alto chegamos, mais forte pode ser o tombo
  • Ninguém chuta cachorro morto
  • Pelo sim, pelo não, é melhor deixar a barba de molho
  • Nem sempre é bom ser protagonista

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Assim é que se Fala", e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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