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Reinaldo Polito

O senador Otto Alencar arruma treta com advogado na CPI e aprende uma lição

Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

30/06/2021 14h55

É sempre bom aprendermos, mesmo com nossos inimigos; raramente bom arriscarmo-nos a instruir, mesmo os nossos amigos.
Charles Cales Colton

Na sessão desta quarta-feira, 30, o senador Otto Alencar (PSD-BA), membro da comissão da CPI da Covid-19, teve a oportunidade de aprender uma boa lição. A de não usar ironia ou sarcasmo quando houver o risco de a mensagem ser pega ao pé da letra.

Ele havia substituído temporariamente o senador Omar Aziz (PSD-AM) na presidência da sessão da CPI. Esse fato tem ocorrido com certa frequência com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O convocado como depoente foi o empresário Carlos Wizard Martins, que compareceu assessorado pelo advogado criminalista Alberto Zacharias Toron.

Tinha habeas corpus

Amparado por um habeas corpus, o empresário tinha o direito de permanecer calado. E exerceu essa prerrogativa praticamente o tempo todo. A todas as perguntas respondia que se reservava o direito de permanecer em silêncio. Em determinado momento, depois de algumas acusações ao depoente, Otto Alencar resolveu usar a ironia e fazer uma brincadeira em tom bem jocoso.

Disse que Wizard estava amarelo, e o advogado vermelho, como se tivesse tomado sol. Toron não aceitou o comentário do senador, e, de maneira indignada, partiu para o revide. Afirmou que aquela forma de se dirigir a ele era uma covardia. Alencar, aparentemente, sem saber bem com quem estava falando, possivelmente, imaginando não se tratar de um advogado tão traquejado, ordenou à polícia legislativa que o retirasse do local.

O senador não deveria agir assim com ninguém, lógico, pois todos devem ser respeitados, independentemente de posição econômica, social ou cultural. Em circunstâncias semelhantes, entretanto, precisaria ter sensibilidade para saber que o tiro pode sair pela culatra.

Pediu desculpas

Em seguida ficou sabendo que Toron era um advogado diferenciado, muito conhecido pelos parlamentares, especialmente do relator Renan Calheiros. Vendo que a situação poderia ficar pesada para o seu lado, mudou a atitude e se desculpou. No fim, tudo acabou bem, mas a treta já estava formada, e serviu para esquentar ainda mais o noticiário.

Fica para todos nós um grande ensinamento. É preciso saber quem é o interlocutor antes de sermos agressivos ou contundentes com ele. Que não devemos usar ironia ou mensagem subentendida nas circunstâncias em que a palavra pode ser tomada ao pé da letra. Esses fatos ocorrem quando a outra parte está em confronto, como era o caso do advogado, ou quando há dificuldade de entendimento, devido ao baixo nível de preparo, que não foi o caso.

Parece que essa CPI está sendo uma boa experiência para o senador. Já está sofrendo processo movido pela Dra. Nise Yamaguchi, que alegou ter sido agredida por ele durante o seu depoimento, e agora essa. No interior dizemos: para um bom aprendizado basta pôr o dedo na tomada. Com os choques que tem levado, acho que sua excelência vai aprender.

Superdicas da semana

  • Cuidado com quem vai brincar
  • Ironia fina e mensagem subentendida não se usa diante de desafetos
  • Quem está no confronto pode pegar a brincadeira ao pé da letra
  • Na dúvida, prefira não ser irônico

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Oratória para líderes religiosos", publicado pela editora Planeta, "Como Falar Corretamente e sem Inibições", "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante.

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