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Reinaldo Polito

A decisão de Alain Delon pelo suicídio assistido abalou o mundo

O ator francês Alain Delon  - Reprodução / Internet
O ator francês Alain Delon Imagem: Reprodução / Internet
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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

05/04/2022 04h00

Quem ensinasse aos homens a morrer, ensinar-lhes-ia a viver.
Montaigne

Em época de crise aumenta o número de suicídios. Há quem afirme que esse é um fenômeno real, enquanto outros dizem não passar de mito. Apesar de toda controvérsia a respeito, é necessário reconhecer que algumas circunstâncias podem levar algumas pessoas a esse ato.

Nesse sentido, o risco de que tirem a própria vida aumenta consideravelmente quando enfrentam, por exemplo, problemas financeiros.

Foi em uma tenebrosa quinta-feira, no dia 24 de outubro de 1929, que correu o crash da Bolsa de Valores de Nova York. Esse trágico acontecimento deu início à maior crise já vivida pelos Estados Unidos. Houve um número elevado de falências e cerca de 12 milhões de americanos perderam o emprego.

Alguns daqueles que amargaram prejuízos, sem saber como enfrentar a grave situação, tiraram a própria vida. Portanto, os problemas financeiros são uma causa importante para os suicídios.

Pessoas famosas

Vira e mexe recebemos notícia de que uma pessoa famosa se suicidou. Foi o caso de Ernest Hemingway, que ganhou o Nobel de literatura em 1954 e pôs termo à própria vida em 1961. O mesmo ocorreu com seu pai, em 1929, e com sua neta, Margaux, em 1996. No caso de Ernest o motivo foram os problemas de saúde, especialmente relacionados com a hipertensão, a diabetes e a depressão.

Os exemplos são inúmeros. Um dos mais conhecidos foi o de Robin Williams, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 1998. Também faleceu por suicídio em 2014, quando ainda estava com apenas 63 anos de idade. Tomou essa atitude seis meses depois de perceber sintomas de demência.

800 mil suicídios por ano

Nós nos sentimos tocados quando os suicídios ocorrem. Especialmente com as pessoas famosas. Não compreendemos como alguém que tem fama, admiração, dinheiro, competência e reconhecimento profissional pode ser capaz de partir para o suicídio.

Os números são assustadores. Mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. A quantidade de tentativas é ainda mais alarmante. O suicídio ocupa o segundo lugar nas causas de morte entre os jovens de 15 a 29 anos.

Os especialistas alertam para a precaução que se deve ter ao abordar esse tema. Se o assunto não for discutido com devido critério, há risco de que a discussão se transforme em espécie de gatilho incentivando outros eventos dessa natureza.

Alain Delon

O mundo agora está chocado com a notícia de que Alain Delon decidiu se submeter ao suicídio assistido. Essa é a forma em que a própria pessoa, com a ajuda de outra, toma a decisão final, ingerindo, por exemplo, uma substância letal. Diferente da eutanásia, em que outra pessoa cuida da execução, a pedido do paciente. Neste caso, normalmente, a ação é por uma injeção letal.

Delon está com 86 anos de idade. Em 2019 sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), e desde então tem dado sinais ao seu filho de que gostaria de passar por esse procedimento. Será realizado na Suíça, onde residiu, e que autoriza a morte assistida. Outros países que permitem essa prática são Alemanha, Canadá e África do Sul.

A autorização

Apenas o fato de ter sofrido AVC não seria motivo suficiente para justificar o suicídio assistido. As consequências dessa ocorrência, entretanto, levam à demência vascular e a outras enfermidades sérias. Com esse quadro de possibilidades, o famoso astro recebeu autorização.

Essa é uma decisão difícil e até corajosa. Ele decidiu não passar seus últimos momentos se não fosse vivendo de maneira plena. Nós, seus fãs, egoisticamente, gostaríamos de que permanecesse em nosso meio por mais tempo. Não iremos nos conformar com a sua ausência quando estivermos revendo um de seus mais de 80 filmes, como "O Sol por Testemunha", ou "O Assassinato de Trotsky".

Como disse o poeta inglês John Donne:

A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: por quem os sinos dobram; eles dobram por vós.

Superdicas da semana

  • É perigoso falar sem critério sobre temas como o suicídio
  • Há diferença entre eutanásia e suicídio assistido
  • Na eutanásia, outra pessoa administra a substância letal
  • No suicídio assistido, o próprio paciente é responsável pela ingestão da substância letal

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Como falar corretamente e sem inibições", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Saiba dizer não sem magoar as pessoas" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 minutos para falar bem em público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.