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Não empresto dinheiro nem para minha mãe!

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Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

19/11/2020 04h00

Eu não empresto dinheiro para ninguém! Nem para mãe, amigo, muito menos para cunhado. Antes de pensar que sou ingrata ou que não tenho amor ao próximo, quero mostrar como isso pode ser uma das piores decisões da sua vida.

Seu planejamento

Se você tem um dinheiro guardado, significa que em algum momento da sua vida você se dedicou a fazer um planejamento, a economizar, estudou, começou a investir e por isso hoje tem um montante acumulado.

Até que um dia chega um conhecido, uma pessoa que não tem controle nenhum sobre o dinheiro, vive endividada, não consegue mais empréstimos em bancos, e pede uma grana emprestada a você! "Olha, eu nem queria incomodar, mas já tentei de tudo e estou desesperado. Pode me emprestar um dinheiro? É urgente e eu juro que devolvo tudo!"

Começo do fim

Esse tipo de situação é péssima, pois você fica em uma saia justa. Se emprestar, já sabe que não vai mais ver a cor do dinheiro novamente e também já espera que a pessoa vai voltar outras vezes com esse mesmo discurso, pedindo cada vez mais dinheiro emprestado, por vários motivos diferentes.

Se não emprestar, você vai ficar conhecido em sua família e entre os amigos por ser uma pessoa muquirana, que se preocupa mais com o dinheiro do que com o bem-estar dos outros, que não ajuda quando pedem e assim ficará mal visto.

A saída

Isso já aconteceu diversas vezes comigo. Eu acreditava que emprestando estava fazendo uma boa ação e ajudando a pessoa de verdade, mas quando percebi que o que acontecia era o contrário, mudei. A pessoa que é descontrolada não vai se importar com você e seu dinheiro, pois não faz isso nem com ela mesma. Ela não vai se estimular para resolver a própria vida, pois agora encontrou um novo caixa eletrônico: você.

A solução para evitar esse tipo de situação é avaliar a finalidade desse empréstimo. Se a pessoa está pedindo dinheiro para comprar algo como uma roupa, um carro novo, uma viagem ou cobrir gastos descontrolados, não ajude. Agora, se a situação é real e urgente, como uma doença grave, uma possibilidade de melhoria de vida, eu não empresto, eu dou o dinheiro.

Doe

Eu deixo bem claro que é uma doação e que não espero nada de volta. Dessa maneira não me frustro se a pessoa não devolver e não se arruína a amizade. Se a pessoa for de boa índole e respeita você, ela vai fazer questão de devolver tudo. Caso contrário, você fez sua parte e não sairá como má pessoa da história.

Não existe a necessidade de auxiliar a todos, nem dar todo o dinheiro de que a pessoa precisa. Ofereça o suficiente e um valor que não vai deixar você em apuros. Se no momento você não tem condições financeiras para auxiliar, não entre numa dívida para tentar ajudar outras pessoas.

Se meu amigo, cunhado ou principalmente minha mãe precisar, realmente, eu doo, eu compro o que a pessoa precisa, eu ajudo de verdade. Por isso sempre falo: Não empreste! Dê o dinheiro!

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UOL Notícias

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL