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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Minha família não sabe cuidar do dinheiro. Como posso ajudar?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

22/07/2021 04h00

Quando começamos a cuidar melhor das finanças, conseguimos perceber facilmente o quanto outras pessoas erram com o dinheiro. É muito comum nesse momento pensarmos em ajudá-las, principalmente quando se trata de nossos parentes.

Por melhor que seja sua intenção, existem vários cuidados que devem ser tomados antes de oferecer qualquer ajuda. Separei as melhores práticas e quais armadilhas mais ocorrem nessas horas.

Cuidado com o tabu

Falar sobre dinheiro é tabu em nossa cultura. Não gostamos de falar da nossa vida financeira e não aceitamos que outras pessoas deem palpite sobre a forma como cuidamos do nosso dinheiro.

Por isso, se você quer ajudar alguém a organizar as finanças, tenha muito cuidado ao entrar nesse assunto. Evite julgamentos e não fique insistindo. Umas das formas de fazer isso é de casualmente, durante uma conversa. Por exemplo: "Descobri uma forma muito fácil de controlar minhas finanças. Isso me ajudou muito a sair das dívidas e começar a investir. Se você tiver interesse eu te ensino!". Falando desse jeito você evita confrontos e consegue chegar mais tranquilamente ao assunto.

Não seja o insistente

Se a outra parte não demonstrar interesse em falar disso, não fique insistindo. O primeiro passo para a mudança é a vontade de mudar. Do contrário, você só vai desgastar sua relação com a outra pessoa além de não conseguir avançar na conversa.

Caso exista o interesse, é preciso ir com calma em relação às mudanças propostas. Deixe a pessoa livre para decidir o que deve cortar ou não dos gastos diários e quais sacrifícios serão feitos no orçamento. Seja claro em mostrar que a mudança só será efetiva se houver real comprometimento.

É comum que a outra parte não consiga seguir o que foi proposto ou que abandone a ideia de cuidar do dinheiro. Não julgue esse comportamento e deixe claro que você está aberto para ajudar novamente.

Ensine a pescar

Outra maneira de pessoas ao nosso redor procurarem ajuda é pedindo dicas de investimento. O cuidado deve ser redobrado nesse caso. Se você indicar um ativo que dê prejuízo ou renda pouco, a culpa em relação ao fracasso da aplicação cairá inteiramente sobre você. Ensine a pescar, não dê o peixe pronto! Apresente materiais e conteúdos relacionados ao assunto e tire eventuais dúvidas que surgirem no meio do caminho.

Lembre-se sempre de que dinheiro não deve ser motivo de discussão ou de atritos, e por melhor que sejam as suas intenções é muito fácil cair em erros e perder uma amizade por conta de uma fala mal colocada ou um julgamento em relação a hábitos de consumo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL