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Dólar sobe a R$ 4,813, novo recorde, em dia instável; alta no ano é de 20%

Do UOL, em São Paulo

13/03/2020 17h05

O dólar comercial teve um dia de forte oscilação nesta sexta-feira (13), mesmo com atuação do Banco Central. Pela manhã, o dólar chegou a cair quase 3%, em meio a estímulos de bancos centrais em todo o mundo. Porém, passou a subir à tarde e fechou em alta de 0,57%, a R$ 4,813 na venda, após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar emergência nacional por causa do coronavírus.

Este é o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real. Na semana, o dólar avançou 3,85%, maior alta desde novembro de 2019. Em março, a valorização chega a 7,40% e, no ano, a 19,93%.

Instabilidade deve continuar

A semana foi de grande tensão nos mercados globais e também no Brasil, com o dólar comercial chegando a superar o nível de R$ 5 na quinta-feira e a Bolsa de Valores tendo as operações suspensas temporariamente durante três dias. A instabilidade deve continuar, segundo analistas.

"Como o coronavírus é uma doença nova, ainda não é possível saber qual seu impacto efetivo para a economia", disse em nota a Levante Investimentos. "Incerteza afeta os preços e aumenta a volatilidade no curto prazo."

Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, afirmou que "a volatilidade deverá permanecer pois não há fato novo que aponte o fim dessa turbulência".

Atuação do BC no câmbio

No Brasil, o Banco Central recorreu a uma terceira ferramenta de intervenção cambial, ao ofertar até US$ 2 bilhões por meio de leilões de linhas —venda com compromisso de recompra. Os leilões contemplam dinheiro novo. É a primeira vez que o BC faz oferta líquida de moeda nessa modalidade desde 17 e 18 de dezembro do ano passado.

"O Banco Central tem feito atuações bastante frequentes nos últimos dias", acrescentou Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. "(Essa medida) vai na mesma direção, de fornecer algum suporte e liquidez para os mercados na medida do possível".

Nesta semana, o BC vendeu dólares à vista e realizou operações de swap cambial tradicional. Desde segunda-feira, já colocou US$ 7,245 bilhões em moeda à vista e injetou US$ 10,5 bilhões este ano via contratos de swap.

Recorde do dólar não considera inflação

O recorde do dólar alcançado hoje considera o valor nominal, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Levando em conta a inflação nos EUA e no Brasil, o pico do dólar pós-Plano Real aconteceu no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 22 de outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,952, mas o valor atualizado ultrapassaria os R$ 7.

Fazer esta correção é importante porque, ao longo do tempo, a inflação altera o poder de compra das moedas. O que se podia comprar com US$ 1 ou R$ 1 em 2002 não é o mesmo que se pode comprar hoje com os mesmos valores.

* Com Reuters

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