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Perfume, chá, chocolate: empresa distribui 13 mil amostras grátis por dia

Patrícia Büll

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Quase 4 milhões de brindes em dez meses --ou 13 mil amostras grátis distribuídas por dia, em média. Esses são números que a Samplify, empresa de marketing de São Paulo, alcançou desde janeiro de 2017, quando iniciou a operação.

A empresa distribui amostras de produtos variados, como perfume, chocolate, chá e pão de mel. Em vez de utilizar pontos de venda tradicionais, como supermercados, a empresa entrega as amostras para clientes em academias, salões de beleza, barbearias, lojas de departamento e de brinquedos, bares, restaurantes, universidades e até campos e quadras de futebol amador.

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Ernesto Villela, 40, fundador da empresa, diz que a Samplify faz a "ponte" entre a indústria e o varejo. O faturamento médio mensal é de R$ 500 mil, com lucro médio de 16% reinvestido no negócio.

Bauducco, Avon, O Boticário, Unilever e Nestlé são alguns dos 14 clientes que a empresa conquistou ao longo de 2017, diz o empresário.

A empresa cobra R$ 1 por amostra para distribuição na cidade de São Paulo, e a quantidade mínima de unidades a ser distribuída é de 100 mil por ação. Em um exemplo hipotético, o cliente pagaria no mínimo R$ 100 mil para a Samplify. O orçamento pode ser feito no site da empresa.

Parceiro recebe R$ 0,30 por amostra distribuída

Funciona assim: uma empresa quer lançar um produto ou divulgar melhor algum que já existe. Ela contrata a Samplify e informa o perfil do público-alvo, a região onde quer atuar e a quantidade de amostras a ser distribuída, por exemplo.

A Samplify seleciona, dentre seus parceiros cadastrados, quais se encaixam nesse perfil e envia as amostras para serem distribuídas. Atualmente, há cerca de 3.000 estabelecimentos cadastrados, em 300 cidades, e uma equipe especialmente dedicada a identificar novos parceiros, segundo Villela. 

Além de oferecer um brinde e agradar seu cliente, o dono do estabelecimento ganha R$ 0,30 (30 centavos) por amostra distribuída. 

Segundo ele, a amostra é distribuída dentro da rotina do estabelecimento pelos próprios funcionários, diminuindo os custos com promotores. "Já que a amostra é dada como um presente da loja, o funcionário não precisa passar nenhuma informação sobre o produto", relata.

Um exemplo de ação realizada, segundo Villela, foi para a Bauducco, para promover a venda de pão de mel em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. "Nosso parceiro na ação foi a Riachuelo. Deixamos as amostras de pão de mel nas lojas, e o cliente ganhava o produto quando passava pelo caixa", diz.

Resultados são medidos por aplicativo

A empresa criou uma metodologia para medir os resultados da ação de marketing, por meio de um aplicativo. Duas vezes por semana, em média, um dos 18 funcionários da Samplify vai até o local de entrega para verificar como a distribuição dos brindes foi feita --fora da capital paulista, há auditores terceirizados. Ele coleta informações como a quantidade de amostras entregues por dia.

Ao final do processo, a ferramenta dá um "score" [nota] para o estabelecimento. "Se o parceiro tiver duas ações com 'score' baixo, acaba sendo descredenciado da nossa rede. É isso que garante uma execução alta", diz Villela. 

De acordo com o empresário, a mensuração dos resultados é feita por meio de pesquisa de satisfação junto aos clientes que receberam o brinde alguns dias após a ação. A pesquisa é feita por uma empresa terceirizada especializada em pesquisa de opinião.

Outra forma de medir o resultado é checar o volume de compra do produto em mercados e lojas próximas ao local onde as amostras foram entregues, segundo Villela. Ele diz que este é um diferencial da empresa e, por isso, não revela como essa verificação é feita.

Empresário dividiu uma empresa em três start-ups

Villela diz que atuou com marketing por 12 anos. Em 2004, criou a Enox, empresa de mídia indoor (propaganda de marcas dentro de outros estabelecimentos) e depois dividiu-a em três start-ups, uma delas a Samplify. Ele avalia que a ideia foi bem recebida. O investimento inicial, de R$ 1 milhão, foi feito pela antecipação de um contrato (feito com uma indústria), antes mesmo de a plataforma começar a operar. 

A indústria de consumo não para de lançar produtos, e o varejo não dá conta de divulgar. Percebi, então, que havia espaço para 'convencer' o consumidor, e a melhor forma de fazer isso é pela experimentação.

Ernesto Villela, dono da empresa

Concorrência pode inibir expansão

Bruno Zamith de Souza, consultor do Sebrae-SP, diz que um dos pontos positivos do negócio é a possibilidade de as empresas testarem um produto antes de colocá-lo definitivamente no mercado. Para ele, o boca a boca continua como uma das melhores formas de divulgação.

Essa forma de apresentar o produto é muito bacana, porque apresenta o brinde como um benefício da rede de fornecedores, e não como algo gratuito. Isso é um diferencial bem interessante para o consumidor e ajuda a gravar a marca pela experiência agradável.

Bruno Zamith de Souza, do Sebrae-SP

O consultor diz, no entanto, que trabalhar com um nicho (no caso, a indústria) pode ser uma barreira de crescimento. "Com o tempo, talvez a empresa tenha de acrescentar outros serviços além da distribuição de brindes e mensuração de resultados." Outro risco apontado pelo consultor é a concorrência. "A Samplify precisa ficar atenta para não perder o foco daquilo que oferece, mantendo a mesma qualidade, mas de forma mais competitiva."

Onde encontrar:

Samplify - www.samplify.com.br

Vaquinha dançando anima o supermercado

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