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"Uber" do passeador de cachorro promete ganho de até R$ 45 por passeio

Divulgação
Fernando Gadotti (à esq.) e Eduardo Baer são sócios na DogHero, criada em 2014 Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/06/2018 04h00

Se você gosta de cachorros e tem tempo para levar um, dois ou três para passear, pode faturar com isso. A startup DogHero lançou o serviço de passeios de cachorros: o dono do animal faz o agendamento no aplicativo, e a empresa indica o passeador. Ele pode ganhar de R$ 15 a R$ 45 por passeio.

Lançado em dezembro do ano passado, o DogWalker está disponível apenas na cidade de São Paulo. A previsão da empresa é que o serviço chegue a outras capitais a partir de julho deste ano, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. O passeio de pets é um serviço dentro do aplicativo da DogHero, que está disponível para Android e iOS, além da internet.

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“O serviço de passeio vinha sendo pedido pelos nossos clientes”, afirmou Fernando Gadotti, 33, um dos sócios da DogHero, que oferece também o serviço de hospedagem de cachorros em casas particulares.

Em seis meses, a empresa disse ter realizado mais de 3.000 passeios. Os preços variam de R$ 25 a R$ 75, dependendo do tempo de duração do passeio (de meia hora ou uma hora) e do número de cachorros (de um a três, sendo todos da mesma família). Planos mensais têm desconto de 20%.

Veja quanto os passeios custam e quanto o passeador ganha:

  • 1 cão: R$ 25 (30 min) a R$ 35 (60 min). Passeador ganha R$ 15 a R$ 21
  • 2 cães: R$ 40 (30 min) a R$ 55 (60 min). Passeador ganha R$ 24 a R$ 33
  • 3 cães: R$ 50 (30 min) a R$ 75 (60 min). Passeador ganha R$ 33 a R$ 45

Os clientes fazem o pagamento no próprio aplicativo. O serviço tem funcionamento similar aos dos aplicativos de transporte, como Uber e 99.

O serviço funciona assim: o cliente baixa o aplicativo, cadastra o endereço, dá informações sobre o cachorro (como porte, raça e idade) e seu comportamento e escolhe quando quer agendar o passeio.

Na outra ponta, a empresa busca o passeador, dentre os 150 disponíveis cadastrados no aplicativo em São Paulo. O cliente é avisado pelo app do início do passeio e pode até acompanhar na plataforma o trajeto do animal em tempo real.

De acordo com a empresa, a atenção é exclusiva, pois o passeador só pode caminhar com um cachorro por vez (ou com até três, se forem da mesma família).

Os serviços DogWalker e DogHero (serviço de hospedagem) são cobertos por seguro, com reembolso de até R$ 5.000 para eventuais gastos com consultas no veterinário, exames e medicamentos por eventos causados durante o passeio ou a hospedagem.

A empresa não divulga o número de clientes, mas disse ter 500 mil cães cadastrados na base.

Passeador de cachorro passa por teste prático

A pessoa interessada em fazer bico como passeador de cachorro deve se cadastrar no aplicativo, na área “Quero ser passeador”. Ela deve ter mais de 18 anos de idade, morar em São Paulo e gostar de animais.

É preciso preencher um formulário com informações pessoais, dias e horários disponíveis para passeio e regiões da cidade onde poderá atuar. Ela deve contar também sua experiência com cães. Segundo a empresa, 15% dos candidatos são aprovados.

Se for aprovado, o candidato passa por uma sessão de orientação no escritório da DogHero, na Vila Mariana, na qual ele recebe orientações de como agir com o cliente e o cachorro. O candidato também faz o “teste de passeio”: acompanhado de uma adestradora, ele passeia pelas ruas do bairro com a cadela Amora, pet do sócio Eduardo Baer, 34.

“Avaliamos como a pessoa conduz o cachorro, se ela tem controle sobre o animal e está atenta ao trajeto para eventuais circunstâncias do percurso, como atravessar na faixa, não deixar o animal comer coisas na rua e não puxar a guia”, disse Gadotti.

Hospedagem de cães e gatos em casas particulares

Criada em 2014 por Baer e Gadotti, a startup DogHero atua no Brasil e na Argentina e está em expansão para o México. No total, a empresa tem 44 funcionários. 

O investimento inicial da empresa foi de R$ 500 mil. A empresa disse ter recebido nesses quatro anos R$ 18 milhões de quatro fundos de investimento. O faturamento e o lucro do ano passado não foram revelados.

O DogHero é outro serviço da empresa que conecta donos de cachorro a anfitriões que hospedam os pets em casa. Atualmente, a empresa tem cerca de 15 mil anfitriões cadastrados em 650 cidades brasileiras e 20 argentinas.

Cerca de 95% dos hóspedes são cachorros. “Mas a procura por hospedagem de gatos tem crescido. Por isso, criamos um filtro no app e site para facilitar que os "pais" de gatos encontrem anfitriões na comunidade”, declarou Gadotti.

O cadastro do anfitrião também é feito pelo site e app. Além de preencher o formulário, ele deve mandar fotos da casa e fazer uma prova online, após assistir a aulas na plataforma sobre comportamento e saúde animal. Apenas 20% dos candidatos são aprovados, segundo a empresa.

Os valores da hospedagem são definidos pelo anfitrião e variam, em média, de R$ 30 a R$ 70 por noite (25% do valor fica com a DogHero). A reserva e o pagamento são feitos pela plataforma com cartão de crédito ou boleto. Não há planos mensais.

Hoje, são 15 mil anfitriões cadastrados no Brasil e 1.500 na Argentina.

Empresa deve ter respaldo jurídico e treinamento constante

Michelle Santos, gerente do Sebrae-SP na regional do Vale do Ribeira, afirmou que o negócio da DogHero pode ser ampliado, uma vez que tem capacidade para agregar cada vez mais passeadores e anfitriões.

“A empresa poderá também ampliar seu leque de serviços, pois seu público-alvo são os donos de pets, e o segmento de animais de estimação cresce cada vez mais no país. Além de serviços para cachorros e gatos, a startup pode abrir novos nichos até para outros tipos de pet”, afirmou.

Para Michelle, outro destaque da DogHero é proporcionar a seus parceiros cadastrados (os passeadores) uma remuneração alta pelos serviços que realizam na empresa.

“É o tipo de empresa que cresce porque o empresário se apaixona pelo problema do cliente”, declarou.

Ela disse, no entanto, que a empresa deveria investir em amparo jurídico, para se respaldar de possíveis emergências que podem ocorrer durante a prestação de serviços, como a morte de um animal.

Treinamento constante de seus prestadores de serviços é outro ponto do qual a empresa não deve descuidar, disse Michelle. “Uma equipe bem treinada reflete em bons negócios”, disse.

Onde encontrar:

DogHero - https://www.doghero.com.br/

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