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Empreendedorismo

Vendia escova de dente em escola e hoje fatura R$ 197 mi com aparelho bucal

Divulgação
Fernando Massi é sócio e fundador da rede OrthoDontic Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/07/2018 04h00

Filho de pai bancário e de mãe professora, Fernando Massi, 44, fazia palestras em escolas sobre higiene bucal e vendia kits de escova de dente para ajudar a bancar os custos da faculdade de odontologia, em Londrina (PR). Hoje, ele é um dos sócios da OrthoDontic, que em 2017 faturou R$ 197 milhões. O lucro não foi revelado.

Criada em 2002, em Londrina, a OrthoDontic é uma rede de clínicas com foco em ortodontia (prevenção e correção do alinhamento dos dentes com o uso de aparelhos), mas também faz outros atendimentos, como limpeza dos dentes e restauração. O tratamento ortodôntico tem duração de 36 meses, em média.

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A rede tem 204 unidades (sendo três próprias) em 17 estados e no Distrito Federal. O investimento inicial na empresa foi de R$ 150 mil. A projeção de faturamento neste ano é de R$ 230 milhões.

"A ideia de fazer palestras sobre saúde bucal e vender os kits surgiu durante as aulas práticas de odontologia social, nas quais íamos até uma escola de Londrina para atender gratuitamente os alunos de lá. Esse trabalho era muito curativo, e eu pensei em algo mais preventivo", declarou Massi. Ele, então, preparou uma palestra motivacional sobre saúde bucal e montou os kits para a venda. Estava no 3° ano da faculdade.

Vendia de 30 a 40 kits por dia

Massi disse ter feito parceria com uma marca de escovas de dentes para comprar os produtos mais baratos. O custo de cada kit era em torno de R$ 7, e ele revendia por R$ 39,90 cada. As palestras eram gratuitas.

Eram três palestras por dia, em três dias da semana, para alunos do período noturno de escolas públicas estaduais de Londrina. Ele só podia fazer as palestras à noite porque o curso de odontologia era integral.

Em média, ele diz que vendia de 30 a 40 kits por dia, após as palestras. Cada kit era composto por quatro escovas de dente, um limpador de língua, um espelhinho de dentista, seis pastilhas evidenciadoras de placa bacteriana (a pessoa coloca a pastilha na boca, a esfrega nos dentes, com o auxílio da língua, até a completa dissolução, e depois faz bochecho com água para retirar o excesso), e um CD com orientações preventivas sobre saúde bucal.

“Toda a minha palestra era preparada para a venda dos kits no final. Nela abordava, por exemplo, técnicas de higienização dos dentes”, disse.

Segundo ele, das 66 escolas públicas de Londrina na época, ele fez palestras em 55, com salas onde havia de 30 a 40 alunos, em média. Os alunos tinham um prazo de até 30 dias para fazer o pagamento. A inadimplência era próxima a 30%.

A atividade de palestras e venda de kits durou três anos, até o final da faculdade, em 1998.

Apesar de cursar uma faculdade pública (Universidade Estadual de Londrina), Massi disse que empregava o dinheiro para comprar equipamentos odontológicos que usava no curso e depositava uma parte na poupança do pai. “Nessa época, eu nem tinha conta bancária”, disse. Ao se formar, os recursos foram usados para montar seu próprio consultório, em 1999.

Hoje, Massi não atua mais na profissão de dentista. Sua atuação é focada na administração da rede de franquias. Ele tem quatro sócios.

Franquia custa R$ 360 mil

A empresa começou a vender franquias em 2004. O investimento inicial é de R$ 360 mil, para cidades a partir de 50 mil habitantes. Não há modelo de franquia para cidades com população menor que isso.

O modelo exige um número mínimo de sete profissionais (cinco funcionários e dois dentistas). Cada unidade atende, em média, cerca de 2.000 pacientes por mês.

Confira os dados da franquia fornecidos pela empresa:

  • Investimento inicial (para cidades a partir de 50 mil habitantes): R$ 360 mil (inclui taxa de franquia, taxa de instalação e capital de giro).
  • Taxa de royalties: 8% do faturamento bruto
  • Taxa de publicidade: 2% do faturamento bruto
  • Faturamento médio mensal: R$ 200 mil
  • Lucro médio mensal: R$ 40 mil
  • Prazo de retorno: 25 meses

Empresa não deve se descuidar de sua base de clientes

Tatiana Petrin, analista de negócios do Sebrae-SP, afirmou que Massi conseguiu alinhar a necessidade (de gerar renda) com a oportunidade (de trabalhar com prevenção de saúde bucal). Segundo ela, isso mostra que um empreendedor não precisa ser necessariamente dono de empresa para começar um negócio.

“Antes de tudo, um empreendedor precisa ter atitude, comportamento. Ele teve, na época, o propósito de trabalhar com prevenção e ganhar dinheiro com isso. O lucro foi uma consequência. Ele percebeu a situação e teve a iniciativa.”

Tatiana também destaca sua liderança para assumir o risco de um negócio e sua visão estratégica, ao agregar novos parceiros para abrir a OrthoDontic. "Ele é um bom exemplo de empreendedor que inspira novas gerações."

Ela disse, no entanto, que a empresa deve tomar cuidado com a concorrência. “Como o negócio não é uma novidade, pois clínicas odontológicas existem aos montes, ele não pode se descuidar de sua base de clientes, as classes mais pobres, que são o diferencial de seu negócio”, afirmou.

O gasto médio (de R$ 80 a R$ 110 por paciente) também é outro ponto de preocupação, segundo Tatiana. “A empresa precisa ganhar em volume de venda, para chegar ao faturamento planejado. Por isso, é importante ter estratégias bem alinhadas com a meta da empresa, além do monitoramento sistemático do que foi planejado”, disse.

Onde encontrar:

OrthoDontic - https://www.orthodonticbrasil.com.br/

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