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Sua padaria faliu, virou Uber e agora vende brigadeiro na praia, de gravata

Empreendedor Marlon Barbosa, 31, vende brigadeiros na praia vestindo camisa social e gravata - Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja
Empreendedor Marlon Barbosa, 31, vende brigadeiros na praia vestindo camisa social e gravata Imagem: Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

07/04/2022 04h00

O vendedor Marlon Barbosa, 31, teve de se virar muito. Trabalhou como vendedor em empresas nacionais e estrangeiros, depois abriu uma padaria que não deu certo, virou motorista de Uber e acabou vendendo brigadeiro em praias do Guarujá (SP).

Para se diferenciar, usa camisa social e gravata. A estratégia deu certo. Diz que chegou a faturar R$ 13 mil em um mês. Após perder o emprego em uma empresa de seguros, tornou-se motorista de aplicativo. Agora, com experiência acumulada, quer virar consultor de empresas.

Abriu e fechou padaria em 3 anos

Natural de Cascavel (PR), Barbosa mudou-se com a família ainda criança para Campinas (SP). Ele morava com os pais e 4 irmãos em um conjunto residencial de baixa renda em uma comunidade carente e permeada pela violência. Apesar das dificuldades, completou o ensino médio, tornou-se vendedor e passou a trabalhar para empresas de porte nacional e internacional.

Após casar-se e perder o emprego, decidiu se aventurar como empresário, abrindo uma pequena padaria. Mas os negócios não deram certo. Em três anos, sem o conhecimento para gerenciar o negócio, fechou as portas, acumulando dívidas.

"Foi quando comecei a trabalhar como motorista de aplicativo. Fazia uma média de 12 horas por dia. Era muito desgastante, eu tinha que arcar com as prestações do carro e pagar a gasolina. Mas estava conseguindo pagar as contas."

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Vendedor virou dono de padaria, motorista de app e hoje produz brigadeiros
Imagem: Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja

Carro quebrado e sem dinheiro

Em 2019, o casal, já com um filho (Lucas, à época com 6 meses), decidiu mudar-se para o Guarujá, no litoral de São Paulo, onde manteve seu trabalho como motorista. Em julho daquele ano, o carro quebrou, e Marlon não tinha dinheiro para consertá-lo.

"Não sabia o que fazer, não tínhamos a quem recorrer". Após algum tempo entregando currículos e solicitações de emprego que nunca foram respondidas, pensou em fazer empadinhas, as quais tinha aprendido a produzir enquanto foi dono da padaria.

Porém o dinheiro não seria suficiente. Nos armários de casa, havia poucos ingredientes. Mas foi o chocolate em pó que chamou a sua atenção.

"Não sei como a ideia surgiu, mas decidi que ia produzir brigadeiros. Fui ao supermercado e comprei duas latas de leite condensado, um pacote de chocolate granulado e forminhas. Gastei R$ 16,50 e consegui produzir 72 unidades".

Barbosa colocou os doces numa caixinha e saiu pelas ruas para vendê-los, por R$ 1. Por conta do frio do inverno, havia pouca gente nas calçadas. Mas isso não o desanimou e, para sua surpresa, em uma hora já havia vendido tudo. "Para mim, a sensação foi de ganhar na loteria", afirmou.

No mesmo dia, o vendedor comprou mais produtos para a confecção dos brigadeiros e conseguiu dobrar a produção, passando a comercializar 150 por dia.

Com o passar do tempo e o fluxo de caixa aumentando, arriscou-se a produzir, com a ajuda da esposa, 400 num só dia e saiu para oferecer os doces aos banhistas, nas praias da cidade. Vendeu todos. Assim, a praia virou o seu mercado potencial.

Praias, figurino especial e lucro de 400%

STAND UP - Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja - Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja
Entregas podem ser feitas até de stand up paddle
Imagem: Reprodução/Instagram/@srbrigadeiroguaruja

Com os negócios indo bem, Barbosa teve a ideia de montar um figurino. A camisa social que usava quando era funcionário veio primeiro, para proteger os braços do sol. Depois, acrescentou chapéu de palha, avental e calça de neoprene (usada em esportes aquáticos).

Por fim, a gravata para dar o toque final. A linguagem visual de sua marca também começava a surgir. Embalagens, etiquetas personalizadas, perfis nas redes sociais (Instagram e Youtube).

A partir daí, Barbosa, já usando o nome Sr. Brigadeiro Guarujá, passou a tornar-se mais e mais conhecido. As pessoas o paravam na praia para tirar fotos com ele. Em poucos meses, já tinha conseguido consertar o carro e pagar as parcelas atrasadas. Em janeiro de 2020, diz que ganhou cerca de R$ 13 mil.

Além da disposição física, a simpatia e o desejo de vencer, o segredo do negócio, segundo Barbosa, está na margem de lucro. O investimento na produção de brigadeiros é baixo, possibilitando uma margem de 400% nas vendas. Mesmo nos meses fracos, da baixa temporada, ele conseguia ganhar R$ 3.000, em média.

Morando no interior e trabalhando na praia

A família aumentou, com o filho Eduardo, de 1 ano, e mudou-se para Valinhos (SP). Barbosa agora tenta diversificar ainda mais seu trabalho, estudando e se aperfeiçoando para atuar como consultor de empresas na área de vendas.

Apesar da mudança, ele continua vendendo os brigadeiros nas praias do litoral de São Paulo, aos finais de semana e feriados. O sogro possui um apartamento no Guarujá, onde ele fica hospedado quando desce a serra para fazer as vendas. Mas acredita que já tem condições de se tornar um consultor, para ajudar outras pessoas a crescerem profissionalmente.

"Com a experiência que eu adquiri nesses três anos, sinto que sou capaz de ajudar outros empreendedores e empresas. Vender brigadeiros me trouxe até aqui, mas não é algo que me imagino fazendo com mais idade. Pedalar a bicicleta, carregar as caixas cheias, tudo isso é fácil enquanto ainda estou jovem. Mas é o amanhã que me preocupa", declarou.

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