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Empreendedorismo

Mãe e filho investem R$ 750 em doce americano e faturam R$ 67 mil por mês

Alê Gitti e Rosane Marino são sócios no Mooca Buns, especializado em cinnamon rolls (doce popular nos EUA) - Divulgação
Alê Gitti e Rosane Marino são sócios no Mooca Buns, especializado em cinnamon rolls (doce popular nos EUA) Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/07/2022 04h00

Quando Alexandre Gitti Júnior, 22, pediu que a mãe fizesse cinnamon rolls (doce muito popular nos EUA) para a sobremesa, Rosane Marino, 63, só tinha receita de fatias húngaras, mas adaptou a iguaria para atender o pedido do filho. A receita ficou tão boa que eles decidiram transformar aquilo em um negócio, em junho de 2020.

Hoje, mãe e filho são sócios no Mooca Buns, loja especializada no doce americano, e faturam R$ 67 mil por mês, em média. Em 2021, o faturamento foi de R$ 90 mil. O lucro não foi divulgado.

Cinnamon rolls são rolinhos recheados com açúcar e canela; fatias húngaras são pãezinhos recheados de coco.

"O cinnamon rolls que minha fez ficou tão bom, que sugeri de a gente fazer para vender", disse Alê Gitti, que na época estava desempregado e em busca de estágio na sua área de gestão de políticas públicas.

Segundo ele, a primeira ação foi no próprio prédio onde mora, na Mooca, em São Paulo. Gastaram R$ 71 para comprar os ingredientes. Após anunciar a ação no grupo de WhatsApp dos moradores do prédio, ele e Rosane bateram de porta em porta, andar por andar, para oferecer a mini degustação do doce (são 68 apartamentos). Tiveram a primeira encomenda no dia seguinte. No primeiro mês, o investimento inicial na empresa foi de R$ 750.

"Desde o primeiro dia de produção até hoje, eu anoto todos os gastos diariamente. Tenho esse controle financeiro da empresa", diz Alê Gitti.

Empresa foi formalizada para atender a Amazon

Para divulgar o Mooca Buns, Alê Gitti criou página no Instagram e passou a mandar o doce para influenciadores digitais, para que ajudassem na divulgação.

Toda a produção dos doces era feita na cozinha do apartamento da família, e era o próprio Alê Gitti quem fazia as entregas.

O crescimento da empresa foi gradativo. E o Alê comemora cada coisa que acontece. Ele tem sangue de empreendedor, é muito entusiasmado. Se eu fizesse um bolinho de cenoura, ele venderia. O que faz toda a diferença é a vontade de o negócio acontecer.
Rosane Marino, sócia no Mooca Buns

O Mooca Buns só foi formalizado em março de 2021, para, segundo Alê Gitti, poder atender a Amazon, que encomendou o doce para um evento online com 150 funcionários.

Primeira loja aberta em 2022

Em fevereiro deste ano, os sócios abriram a primeira loja do Mooca Buns, na Mooca mesmo. Investiram R$ 85 mil no espaço.

Mas quem ainda está à frente da cozinha é a Rosane. É ela quem faz a massa do cinnamon rolls; e outras quatro confeiteiras fazem as coberturas com 15 sabores diferentes. O preço varia de R$ 13 (Big Simples) até R$ 23 (Big Nutella).

Big Pecan Caramel - Divulgação - Divulgação
Um dos destaques é o Big Pecan Caramel: recheio de canela, cobertura de caramelo artesanal e noz pecan
Imagem: Divulgação

Um dos destaques é o Big Pecan Caramel (recheio de canela, cobertura de caramelo artesanal e noz pecan), com 170 gramas. Custa R$ 18. Os que mais saem são o clássico (recheio de canela, cobertura de cream cheese com baunilha) e o simples (recheio de canela, com açúcar polvilhado por cima). Os preços são R$ 17 e R$ 13, respectivamente.

"Nossa meta agora é abrir outras lojas, mas antes ter uma cozinha central para poder abastecer essas unidades. Pensamos ainda em abrir franquia, mas não é nossa prioridade no momento", diz Alê Gitti.

Cuidado para negócio não virar "modinha"

Juliana Segallio, consultora de negócios e marketing Sebrae-SP, diz que os sócios acertaram ao fazer a degustação do cinnamon rolls junto à clientela, para testar a aceitação do produto, e ter um bom posicionamento da marca nas redes sociais.

"Antes de abrir a empresa, é preciso enxergar a viabilidade do negócio. Não se abre um negócio apenas pela necessidade ou pela afinidade. É preciso ter consciência de que aquilo precisa gerar lucro. Senão, vira um 'hobby com custo'", declara.

Outro ponto positivo, diz ela, é ter controle dos custos, o que Alê Gitti diz fazer desde o primeiro dia do negócio. "Para isso, você precisa ter a ficha técnica do produto para saber o seu custo e poder compor o preço. Só com um controle de custo você consegue fazer a precificação correta", afirma.

A consultora diz, no entanto, que a empresa deve ficar de olho na clientela, para criar fidelização e conquistar novos clientes. "Para isso, vale prestar atenção nas tendências, oferecendo novos sabores e novidades aos clientes, e ficar atento à movimentação do mercado, tendo cuidado para que o negócio não vire apenas uma modinha", diz.

Onde encontrar:

Mooca Buns - https://moocabuns.com/

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