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Comecei a programar aos 13 anos; hoje faturo R$ 20 milhões com robô fiscal

Lucas Ribeiro é fundador e CEO do Grupo Roit, que faturou R$ 20 milhões no ano passado - Divulgação
Lucas Ribeiro é fundador e CEO do Grupo Roit, que faturou R$ 20 milhões no ano passado Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/09/2022 04h00

De família de baixa renda, Lucas Ribeiro, 35, gostava de informática e sonhava em ter um computador, que diz ter conquistado com muito sacrifício dos pais aos 11 anos de idade. Dos 12 aos 15 anos, ele fez mais de 20 cursos de desenvolvimento para web. Hoje, Ribeiro é CEO do Grupo Roit, empresa de tecnologia com sede em Curitiba, e faturou R$ 20 milhões no ano passado. O lucro não foi revelado.

"Eu via o computador como um caminho para ganhar dinheiro", declara.

A Roit é especializada em soluções nas áreas de gestão contábil, financeira, fiscal e tributária, aplicando inteligência artificial e robotização. Seus clientes são grandes e médias empresas. Segundo ele, são mais de 300 clientes, entre elas Equatorial Energia, Profarma, Grupo Madero, Petrobahia e Goplan.

O primeiro computador ele não esquece

Ribeiro conta que começou a trabalhar cedo, aos oito anos, na mercearia de bairro que o seu tio Marcos tinha em Almirante Tamandaré (região metropolitana de Curitiba). Ganhava R$ 10 por semana.

"Lá, eu trocava os preços nas mercadorias, atendia clientes, ajudava a retirar itens de caixas e colocar nas prateleiras", afirma. Ele diz que sua meta era ganhar dinheiro. Então, começou a comprar doces diretamente do distribuidor para vender na escola. O tio Marcos até o dispensou da mercearia por isso.

Mas foi outro tio, o Ailto, que o ajudou a concretizar o sonho de trabalhar com informática: ele, que trabalhava na Petrobras, pagou vários cursos na área para o sobrinho.

"Meu pai comprou o computador financiado, após muito esforço e persistência da minha parte. Era um Itautec preto lindo. Também depois de muito lobby, consegui que meu tio pagasse cursos de web design e web developer para mim", declara Lucas, filho de Joel Ribeiro e Meire Lopes, ambos policiais civis, hoje aposentados.

Aos 13 anos, Ribeiro começou a desenvolver sites para clientes da empresa de uma amiga. "Fazia isso ainda de forma informal, como bico e, aos 14 anos, já ganhava mais do que a soma dos salários dos meus pais. Cheguei a ganhar R$ 7.000 por mês."

Emancipado aos 16 anos, abriu sua primeira empresa: a Pontocombr, de desenvolvimento web. Ficou com ela por oito anos.

Ribeiro cursou administração com ênfase em marketing. Depois, fez Direito e duas especializações: uma em projeto e desenvolvimento de software e outra em direito tributário.

Fazia consultoria tributária para empresas

Em 2011, aos 24 anos, ele abriu uma empresa de consultoria tributária, investindo cerca de R$ 500 mil. Com a saída dos sócios, em 2013, Ribeiro unificou os negócios colocando a marca Roit e, em 2016, passou a fazer contabilidade para empresas em lucro real, um diferencial no mercado.

"Esse foi o pulo do gato, pois a maioria das empresas de contabilidade é focada no Simples Nacional e no lucro presumido. Já o lucro real exige profissionais mais experientes, processos bem estruturados e alta tecnologia, com necessidades de lançamentos rápidos e consistentes, além de apurações tributárias mais complexas", diz.

Depois, em 2018, a Roit iniciou o desenvolvimento próprio de tecnologia, focada em inteligência artificial e robotização.

O que faz a empresa?

A Roit tem serviços que ajudam as empresas a recuperar dinheiro. Há, por exemplo, um sistema que faz uma varredura para identificar impostos que foram pagos e não deveriam, impostos não pagos e outros declarados incorretamente.

Nossas soluções de inteligência artificial e de robotização fazem em três minutos, sem erros, o que um humano levaria horas ou dias para fazer e ainda com equívocos prejudiciais à empresa.
Lucas Ribeiro, fundador e CEO do Grupo Roit

Atenção às mudanças tributárias

Éder Max, consultor de negócios do Sebrae-SP, diz que Ribeiro tem o perfil empreendedor desde criança. "O que se destaca é a sua pró-atividade em buscar sempre oportunidades e usar sua rede de contatos para isso", afirma.

Para o consultor, Ribeiro entrou em um mercado competitivo, focando no nicho contábil para atender grandes empresas, "onde não há limites para crescimento".

Max diz, no entanto, que é preciso ter um bom planejamento estratégico para a empresa crescer sem se "queimar" no mercado. "Para isso, a empresa precisa prever a necessidade de mais recursos, sejam eles financeiros, técnicos ou de recursos humanos, para poder dar conta do mercado. Ter um bom planejamento estratégico pode ajudar a expandir sua clientela", afirma.

Outro ponto de atenção, diz o consultor, é conseguir acompanhar as constantes modificações tributárias que estão por vir, como uma possível reforma tributária no país. "Todo fator externo, como mudanças tributárias, pode afetar o negócio. Por isso, é importante ter sempre uma assessoria jurídica e tributária para fazer a previsão de futuros impactos na empresa."

Onde encontrar

Roit: www.roit.ai