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Finanças pessoais


Quer financiar uma empresa via "vaquinha"? Ganho é alto, mas risco também

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

16/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • "Crowdfunding" é uma vaquinha virtual em que o dinheiro é usado para financiar projetos imobiliários e negócios inovadores
  • Também pode ser usado para emprestar dinheiro para pessoas que estão endividadas ou precisando de recursos
  • É indicado para empreendedores que buscam dinheiro a baixo custo para montar seu negócio ou desenvolver um projeto
  • Para quem empresta o dinheiro, proporciona rendimento superior aos investimentos tradicionais
  • Os riscos, porém, são altos: "Não é um investimento indicado para amadores"
  • Os projetos são divulgados em plataformas digitais de investimento participativo, que devem ser autorizadas pela CVM

Que tal lucrar emprestando dinheiro para uma empresa inovadora que acabou de ser criada ou para uma construtora levantar um prédio?

As propostas desse tipo no mercado, chamadas de "crowdfunding", são tentadoras porque prometem rendimento muito acima das aplicações tradicionais, mas também apresentam riscos consideráveis. Entenda como funcionam essas operações.

O que é "crowdfunding"?

É o termo em inglês para a velha prática da "vaquinha", quando pessoas se juntam para doar dinheiro para uma entidade ou em favor de uma causa. Nos últimos anos, a "vaquinha" ganhou nova roupagem, foi para a internet e deixou de ser restrita a doações.

Agora, é possível ganhar dinheiro com ela, ajudando a financiar projetos imobiliários, negócios inovadores ou até mesmo emprestar dinheiro para pessoas que estão endividadas ou precisando de recursos.

Rentabilidade alta

Fonte de recursos mais barata do que pegar empréstimo no banco, ela é indicada para empreendedores que buscam dinheiro a baixo custo para montar o seu negócio ou desenvolver um projeto específico.

Para quem empresta o dinheiro, o "crowdfunding" proporciona um rendimento superior aos investimentos tradicionais disponíveis no mercado.

"No 'crowdfunding', você faz o papel do banqueiro. Empresta o seu dinheiro em troca de uma taxa de juros mais alta", disse Alberto Ajzental, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Investimento não é para amadores

A questão central de qualquer "crowdfunding" de investimento é o nível de risco. As projeções de rentabilidade costumam ser elevadas, acima de 12% ao ano (o dobro da Selic, a taxa básica de juros), justamente para compensar o fato de os projetos serem arriscados. Porém, não é garantido que os valores que estão no papel se tornarão realidade.

Fique atento ao prazo do investimento. Veja se ele é compatível com o tempo necessário para desenvolver o projeto que o seu dinheiro vai financiar.

Avalie também as condições específicas de cada projeto. Por exemplo, se você vai investir em uma empresa nova, precisa ter em mente que grande parte das companhias novatas no Brasil não resiste ao primeiro ano.

Caso o dinheiro seja destinado à construção de um condomínio residencial, pense que a obra pode sofrer atrasos, os custos de construção podem aumentar ou os apartamentos podem simplesmente não serem vendidos.

Ajzental sugere que o investidor visite o local do empreendimento, pesquise o potencial da região e verifique a TIR (taxa interna de retorno), um indicador que mede o potencial de rentabilidade de um projeto.

Você tem a oportunidade de ganhar como um banco, mas também tem o risco de perder como um
Alberto Ajzental, professor da FGV

"Não é um investimento indicado para amadores. É importante ter um mínimo de conhecimento financeiro e sobre o negócio que receberá o investimento", afirmou.

É permitido fazer isso?

Os investimentos no formato de "crowdfunding" foram regulamentados em 2017 pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão do governo responsável por regular e fiscalizar o mercado financeiro.

A CVM estabeleceu alguns parâmetros. Por exemplo, o investidor que tem patrimônio de até R$ 100 mil não pode aplicar mais do que R$ 10 mil por ano nesse tipo de operação. O investidor que tem um patrimônio superior a R$ 100 mil pode investir até 10% do patrimônio por ano, desde que comprove a existência dos bens ou investimentos.

Cuidado com golpes

Os projetos que aceitam investimentos desse tipo são encontrados em plataformas digitais de investimento participativo, disponíveis na internet. As plataformas são responsáveis por analisar e reunir os projetos e disponibilizar toda a informação aos investidores interessados.

Geralmente, cada plataforma se especializa em um determinado tipo de negócio, como empreendimentos imobiliários ou startups. Se buscar "crowdfunding" no Google, encontrará diversas plataformas.

Tome cuidado para não cair em armadilhas ou golpes na rede. É possível conferir aqui as 24 plataformas de internet autorizadas pela CVM a oferecer investimentos desse tipo.

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