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Investir em títulos de empresas ganha espaço, mas exige atenção maior

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Com juros baixos, fundos de renda fixa que investem em títulos de empresas crescem em 2019
  • Risco de aplicar em papéis de empresas é maior por fatores como possiblidade de calote
  • Antes de investir, é preciso checar em quantas empresas o fundo investe e quais são elas
  • Se são companhias de setores em crise ou que apareceram no noticiário policial é melhor pular fora
  • Especialistas recomendam que carteira tenha mais de 10 papéis, e de empresas de setores variados
  • Também vale ficar de olho no tamanho e competência da equipe que vai administrar essa carteira

Nos últimos três anos, o governo reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 4,5% ao ano. Isso é bom para a economia, porque reduz custos para quem quer criar ou expandir negócios e gerar empregos, mas prejudica o investidor.

Afinal, essa taxa, a Selic, determina o rendimento de vários títulos do governo que estão lá naquele fundo de investimento mais tradicional e seguro, onde o gerente do seu banco colocou seu dinheiro.

A queda da Selic tem levado mais investidores a buscar alternativas em outros investimentos, e o fundo de renda fixa de crédito privado é um dos que estão crescendo.
Bruno Eiras, sócio-gestor da Devant Asset

Os números comprovam isso. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), nos últimos 12 meses, os fundos de renda fixa de maneira geral sofreram saques de R$ 24 bilhões. No mesmo período, as categorias de fundos de renda fixa que investem em títulos de empresas, classificados como Crédito Livre, receberam mais de R$ 34,5 bilhões. Ou seja: tem muita gente transferindo dinheiro para o crédito privado.

Essas carteiras estão apresentando rendimentos médios, no acumulado em 12 meses, de 6,38% a 9,4%, dependendo dos prazos dos títulos —quanto mais longo o vencimento dos títulos, maior o rendimento.

De modo simples, quando uma pessoa entra em um fundo que investe em crédito privado é como se ela estivesse emprestando dinheiro a uma empresa. O administrador da carteira vai aplicar os recursos do investidor em títulos como debêntures, CDBs, LCAs e LCIs.

Risco é empresa ter problemas

Quando uma pessoa investe em crédito privado o maior risco é o da empresa
Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research

Se a empresa tiver problemas financeiros, terá dificuldades para honrar compromissos, e isso pode incluir o pagamento dos juros que a companhia prometeu ao investidor.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Rodovias do Tietê. Em 2013, a concessionária lançou debêntures, que foram compradas por fundos e diretamente por pessoas físicas. O papel dava um rendimento de 8% ao ano mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Com a recessão, a companhia passou a ter problemas de receita e, em 2018, pediu recuperação judicial, dando calote nos investidores —que agora tentam recuperar parte do dinheiro.

Perguntas para fazer antes de investir

A primeira pergunta que o investidor deve fazer antes de entrar em um fundo que aplica em títulos de empresas é: quais empresas são essas? Se na lista aparecerem companhias de setores em crise ou que apareceram no noticiário policial é melhor pular fora.

Outro ponto que merece destaque é a quantidade de empresas que estão em um mesmo fundo. Se o administrador de recursos colocou muito dinheiro em títulos de poucas companhias, os ovos estão todos em uma mesma cesta —se ela cair, o investimento vira pó.

Os administradores de recursos recomendam que uma carteira tenha mais de 10 papéis, pelo menos, para que os riscos estejam diversificados. Se as empresas forem de setores diferentes, melhor ainda, pois um problema pode afetar todo um segmento de atividade econômica.

Outra pergunta que deve ser feita é sobre o histórico da empresa no mercado de capitais. Saber se aquela debênture interessante representa apenas a primeira vez que a companhia lançou um papel para investidores pode representar um risco, pois não há um histórico.

Quanto mais tempo uma empresa está no mercado, maior o histórico, para checar se ela honrou seus compromissos anteriores.

Há empresas que são especializadas em fazer classificação de risco, dando notas para as companhias de acordo com a capacidade de pagamento de cada uma delas. O administrador dos fundos deve dizer a você se a carteira dele foca em companhias que possuem boas notas, ou se ele está comprando papéis de empresas que têm notas baixas.

De olho na equipe do fundo

Se você decidiu investir no fundo, é o administrador da carteira que vai movimentar seu dinheiro. Por isso, o time da gestora merece atenção.

Tem que identificar a equipe, ver se é um time com experiência. E ver o tamanho da equipe.
Bernardo Schneider, presidente da Icatu Vanguarda

Para ele, o investidor deve estar atento mesmo depois que o dinheiro for aplicado. Uma debênture, por exemplo, que foi comprada por um fundo no dia do lançamento, pode ser negociada depois com outros investidores. Essa é uma das formas que os administradores têm para atender solicitações de resgate quando um dos cotistas do fundo quer sacar uma parte do investimento.

Além disso, mesmo um bom gestor pode se sentir forçado a aplicar em uma empresa de que não gosta muito. Isso acontece, por exemplo, quando tem muito dinheiro entrando numa carteira e, para aplicar esses recursos, o administrador precisa comprar mais papéis no mercado. Nem sempre ele encontra um bom negócio.

Para o executivo da Icatu Vanguarda, esse problema tende a diminuir, porque o mercado está em um ciclo virtuoso. "Com juros mais baixos, tem mais gente interessada em investir nas empresas. E as companhias, percebendo isso, aumentam a oferta desses papéis no mercado", afirmou Schneider. Segundo ele, há sete anos, o mercado secundário de títulos privados movimentava R$ 5 milhões por dia, e hoje o giro é de R$ 700 milhões.

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