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Finanças pessoais

Bolsa recua em agosto após quatro meses de alta; dólar e ouro sobem

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

31/08/2020 17h51

Resumo da notícia

  • Ibovespa cai 3,4% em agosto, primeira retração desde março
  • Dólar volta a subir, após queda em julho; ouro mantém tendência positiva
  • Cenário para restante do ano depende de retomada da economia

A Bolsa interrompeu, em agosto, uma sequência de quatro meses seguidos de valorização, após o Ibovespa, principal índice de ações do país, recuar 3,4% no mês, para 99.369 pontos. No sentido oposto, o dólar voltou a se valorizar ante o real após pausa em julho, enquanto o ouro chegou à sétima valorização mensal desde janeiro de 2020.

Agosto foi marcado pela retomada gradual das atividades econômicas no país, mas a Bolsa acabou afetada pelo ambiente político. Profissionais de mercado apontam que investidores temem que uma eventual mudança no Ministério de Paulo Guedes venha a afetar a retomada da economia.

Incerteza ajuda dólar e ouro

O dólar também foi influenciado por esse ambiente de incerteza, mas no sentido oposto ao da Bolsa. O dólar comercial subiu 5,02% em agosto, elevando a 36,58% a alta no ano ante o real.

O ouro também manteve o padrão de ganhos, acompanhando a tendência verificada no mercado internacional, onde o metal bateu recorde histórico de cotação. Alta de 4,9% no mês e de 69,75% acumulada no ano.

"No Brasil, o cenário político será de continuidade das discussões sobre os limites de despesas do governo e a pressão sobre o teto de gastos. O presidente e sua equipe econômica vão se dedicar a formatar um desenho para o Renda Brasil que, ao mesmo tempo, caiba dentro do teto de gastos e seja palatável para o Congresso. A equação não é de fácil solução, e as chances de atritos são grandes. Por isso, esperamos um mês de volatilidade para a Bolsa brasileira em setembro", afirmou a estrategista-chefe da Rico Investimentos, Betina Roxo.

Para o estrategista-chefe da Clear Corretora, Roberto Indech, as eleições nos Estados Unidos também são um tema que começa a ganhar importância no ambiente de investimentos como fator de incerteza.

Ações concorrendo com ações

Na Bolsa, além do ambiente político local e externo, fatores técnicos seguraram a valorização do Ibovespa pelo quinto mês seguido. O economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, aponta que as ações já negociadas passaram a competir com um outro ativo: as novas ações que estão sendo oferecidas em operações de IPO e de follow-on.

"Consideramos ainda a forte pressão exercida por empresas querendo abrir o capital, com fila na CVM de 40 empresas, sendo 20 ingressando com pedidos no mês, além de mandatos que chegam a quase 80 empresas. Isso retira parte da pressão compradora do mercado secundário", afirmou Bandeira.

Além disso, diz Bandeira, é natural o mercado fazer uma pausa depois que o Ibovespa acumulou uma sequência de valorização desde fins de março. Desde que bateu o fundo do poço este ano, no dia 23 de março, o Ibovespa já subiu mais de 50%.

"Assim, ficamos agarrados no meio do caminho do intervalo de variação do Ibovespa que nos últimos dois meses não consegue se descolar do intervalo entre 100 mil pontos e 104 mil pontos", disse Bandeira.

No ano, o Ibovespa ainda acumula perdas de 14%.

Fundos imobiliários se recuperam

O setor imobiliário negociado na Bolsa apresentou desempenho positivo em agosto. O Ifix, índice das cotas dos fundos imobiliários negociados em Bolsa, subiu 1,8%, reduzindo as perdas em 2020 para 13%.

Para gestores de recursos, a retomada gradual da atividade econômica no país permitiu a reabertura de empreendimentos, como shopping centers e prédios comerciais, reativando o fluxo de pagamentos de rendimentos para as cotas dos fundos.

Além disso, o setor imobiliário é um ativo real que tem sido procurado por investidores como alternativa ao baixo rendimento da renda fixa tradicional, como poupança e fundos DI.

Cenário para restante do ano

A taxa básica de juros Selic em mínimas históricas vai manter limitada a remuneração da renda fixa tradicional, como as aplicações de poupança e fundos DI, dizem profissionais de mercado. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, com projeções de analistas para a economia, a Selic deve encerrar 2020 em 2% ao ano.

Com os juros nesses níveis, há uma tendência de que os investidores continuem buscando ativos com maior risco em busca de retorno, diz o sócio da Guelt Investimentos, Flávio Byron, citando aplicações em Bolsa e fundos multimercados.

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