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Finanças pessoais

Fuja de promessas de ganho alto e fácil; veja dicas para não cair em golpes

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

06/11/2020 12h28

Clientes acusam o economista e digital influencer Vinicius Ibraim por prejuízos financeiros de R$ 30 milhões em uma operação na Bolsa, após prometer retornos de até 10% ao mês. O advogado de Ibraim confirma a "operação malsucedida" na Bolsa, mas nega que ele tenha dado um golpe. No entanto, bastava uma simples consulta à B3 para saber que ele estava impedido de operar desde outubro.

Essa, inclusive, é uma das dicas dadas por consultores financeiros e profissionais de mercado aos investidores para não cair em golpes e fraudes: checar o registro do profissional junto aos órgãos e entidades do mercado financeiro. Veja abaixo mais dicas do que fazer antes de confiar seu dinheiro a alguém.

Checar se o profissional tem registros

Com a taxa básica de juros, a Selic, em níveis historicamente baixos, de 2% ao ano, os tradicionais investimentos de renda fixa estão perdendo até da inflação. Nesse ambiente, investidores brasileiros que sempre estiveram acostumados ao ganho fácil e sem risco da aplicação em títulos do governo passaram a procurar alternativas mais rentáveis. Esse movimento é natural, dizem consultores financeiros, pois correr mais risco para ter mais retorno é uma regra padrão das finanças.

O problema para muita gente é que tem oportunistas que exploram essa situação para atrair investidores desavisados para golpes financeiros.

Por isso, é muito importante tomar uma série de cuidados antes de aplicar seu dinheiro em alguma proposta vendida a você como "oportunidade incrível'".

Para começar, um profissional precisa ter registros em diferentes órgãos privados e públicos para operar no mercado financeiro. Veja abaixo os principais.

CVM (Comissão de Valores Mobiliários): É aqui que as instituições financeiras —bancos, corretoras, distribuidoras de valores e gestores de recursos— precisam ser registradas.

A CVM tem inclusive um serviço próprio para atender investidores. Nessa página, o aplicador pode checar se a empresa que está oferecendo serviços existe e está regular.

Também é possível checar se a instituição financeira, mesmo regularizada, está passando por alguma investigação ou se já sofreu alguma penalidade.

Bolsa (B3): O cliente pode checar se a empresa financeira está regularizada para atuar na Bolsa.

Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais): Representa todas as empresas dos mercados de capitais e também permite ao aplicador checar dados de instituições financeiras.

Se alguém diz que trabalha para uma instituição financeira que não aparece nos cadastros da CVM nem da Anbima, fuja. Ou melhor: denuncie!

Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais): Representa os profissionais de mercado. É por meio dessa entidade que as pessoas fazem os testes para obter os certificados necessários para atuar no mercado financeiro.

Nessa página, por exemplo, o cliente pode checar o nome do profissional consta na entidade, se ele está já aprovado ou se a situação dele está pendente.

Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros): Associação não governamental e sem fins lucrativos, com 20 anos de atuação, reúne todos os planejadores financeiros com certificação CFP® no Brasil e demais profissionais interessados na atividade de planejamento financeiro pessoal.

No Brasil, a Planejar representa com exclusividade a certificação CFP® (Certified Financial Planner), presente em 26 países no mundo, com mais de 188 mil profissionais certificados, além de ser a única entidade afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board), autorizada a conceder a Certificação CFP® para profissionais que atendam aos padrões mundiais desta certificação.

Nesse link, estão os profissionais com certificação para atuar como planejador financeiro.

Desconfie das promessas

O profissional de mercado que um primo seu apresentou em um churrasco da família prometeu ganhos de 10% ao mês? Pergunte: como ele consegue oferecer um ganho tão acima daquele que há no banco?

Especialistas sempre repetem: quanto maior o ganho, maior o risco. Então pergunte ao profissional: quais os riscos que estou correndo?

Questione: em que essa aplicação investe? Renda fixa? Bolsa? Dólar?

Os rendimentos variam de mercado para mercado, mas há referências que devem ser usadas.

Renda fixa: A taxa básica de juros está em 2% ao ano. Ao ano! Se alguém diz que investe em renda fixa e que o ganho é de 2% ao mês, pergunte a ele como consegue isso. Esse tipo de rendimento tem mais cara de pirâmide do que de investimento em título do governo ou de empresa, como debênture.

Renda variável:Sim, a Bolsa, o dólar e o ouro podem render mais de 10% em um mês, mas também podem perder mais de 10% em um mês. Então se alguém oferece garantia de ganhos fixos de 10% ao mês, ele está mentindo.

Não tem como garantir esse tipo de rendimento, sem riscos.

Peça provas dos ganhos --e cheque tudo

Golpistas são insistentes e insinuantes. Eles tentam convencer os incautos usando como arma apenas a argumentação, o discurso, a proximidade. São sempre amigáveis, usam roupas e acessórios chamativos. Ignore tudo isso e pergunte: quais as provas? Qual seu histórico de investimento nos últimos 12 meses?

Se ele não apresentar nada —e muito rapidamente— fuja. E mesmo que o profissional apresenta algum tipo de documento, como uma lâmina de fundos de investimento, cheque os dados que estão ali —começando pelo nome da empresa que aparece na papelada ou no site.

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