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FIAgro e as inúmeras novas opções de investimento

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Juliana Mello

Juliana Mello

Sócia-diretora de Novos Negócios e Distribuição na Fortesec, empresa financeira especializada em investimentos imobiliários

25/01/2021 04h00

No fim de dezembro, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria os Fundos de Investimento para o Setor Agropecuário (FIAgro). A ideia é que os fundos tenham benefícios tributários e de gestão para incentivar a alocação de recursos de pessoas físicas e empresas no setor rural, processo semelhante ao que aconteceu com o ramo da construção civil com a criação dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), hoje altamente populares entre os investidores.

O texto ainda depende da aprovação do Senado, cujas discussões já devem começar em fevereiro, após eleições da presidência da Câmara. A expectativa do mercado é grande! Com esse PL, os fundos poderão adquirir imóveis rurais, comprar ativos financeiros como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), investir em empresas focadas no segmento que não sejam negociadas na Bolsa de Valores, títulos de crédito e cotas de fundos que apliquem mais de 50% no setor.

Um mundo de possibilidades deve ser aberto para o agronegócio, que representa atualmente cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Sem um fundo dedicado ao setor, o agronegócio fica atrás do ramo imobiliário em opções de financiamento. É possível observar a diferença no estoque de operações de securitização: existem, atualmente, R$ 102,84 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), segundo dados da Uqbar, enquanto os CRAs se limitam a R$ 58,39 bilhões. Dada a importância do agronegócio para a economia brasileira, acredito que com a chegada do FIAgro esses números fiquem mais próximos ou essa tendência seja até invertida.

A falta de um veículo próprio para o setor também limita o mercado de capitais às grandes corporações. Atualmente, companhias com rating "AAA", aquelas com as melhores classificações de risco no país, são as que mais conseguem vender títulos de renda fixa aos investidores. Isso acontece porque a compra é feita diretamente pela pessoa física, a única que consegue usufruir do benefício fiscal do papel. Exatamente pelo risco muito baixo, essas operações costumam gerar pouco retorno.

Com a criação da nova categoria de fundos, gestores profissionais, com capacidade técnica para avaliar ativos e estruturas mais elaboradas, vão montar seus veículos e selecionar no mercado as melhores opções para alocar os recursos diante da avaliação de risco e retorno.

As emissões de operações de securitização dos últimos cinco anos mostram essa concentração em grandes nomes no ramo do agronegócio. Embora o setor tenha acessado mais o mercado, com a captação de R$ 61,58 bilhões, os recursos se limitaram a 358 operações segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

No mesmo período, o ramo imobiliário levantou R$ 65,85 bilhões em recursos em um total de 1.154 operações, indicando que o ticket médio dos CRIs foi substancialmente menor e as emissões financiaram também projetos pequenos.

A aprovação do FIAgro deve acontecer em um momento muito propício: a taxa básica de juros está na mínima histórica, os investidores buscam opções de diversificação com boas perspectivas de rendimento, enquanto o início da vacinação no Brasil reduz incertezas com a covid-19 e aumenta o apetite por risco. Com isso, a demanda pelos fundos deve ser alta.

As ofertas iniciais de ações (IPOs) esperadas para o início do ano serão um bom termômetro para o apetite do mercado por investimento no agronegócio. Na fila estão a sucroalcooleira Jalles Machado e a sementeira Boa Safra, que poderão levantar os recursos ainda no começo do ano.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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