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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Previdência privada é uma roubada?

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

29/11/2021 04h00

Nessa época do ano muito se fala sobre os planos de previdência privada, mas as informações e opiniões sobre o assunto podem causar certa divergência. Essa modalidade de investimento é uma roubada?

Para muita gente é, sim, e existem bons argumentos para isso: históricos de baixos retornos, altas taxas de administração, além de explicações e direcionamentos malfeitos para a escolha dos produtos são algumas das principais reclamações quando falamos de previdência privada.

No entanto, será que essa é uma verdade em todos os casos ou apenas os mais comuns?

A verdade é que os planos de previdência privada têm vantagens relacionadas ao Imposto de Renda e facilidades para transmissão de herança que nenhum outro investimento possui. Assim, quando essas características são combinadas a um ou mais fundos com ótima gestão, temos um excelente veículo de investimento.

Produtos assim existem? A boa notícia é que sim, eles existem. A má é que eles não são os mais comuns nem os mais conhecidos, o que faz com que você precise pesquisar para encontrá-los.

Vamos conhecer um pouco das vantagens da previdência e depois vamos ver o que analisar para encontrar um fundo de excelência atrelado a um plano.

Sem dúvida, uma das maiores vantagens de um plano de previdência é a possibilidade de lançar os aportes feitos em PGBL na declaração do Imposto de Renda e diminuir a base de cálculo. Com isso, você deixa de pagar o imposto sobre os valores investidos, e isso não é pouca coisa. Ao contrário, é um benefício incrível, e todos os que podem aproveitar deveriam usar.

Para poder usufruir desse benefício, é necessário que a pessoa seja contribuinte de algum regime de previdência oficial, como o INSS, ou ser aposentado por um deles. Além disso, o abatimento dos valores investidos só é aproveitado no modelo completo da declaração anual de ajuste do Imposto de Renda e limitado a 12% da renda bruta tributável. Se você se enquadra, pode economizar um bom dinheiro que, de outra forma, estaria pagando ao governo já.

Essa economia não é um presente do governo, mas uma postergação. Quando você for resgatar o dinheiro, o imposto será cobrado sobre os valores investidos, que você deixou de pagar hoje.

Se você acha que não faz muita diferença, pense de novo. Os recursos vão ficar rendendo por anos, talvez décadas, e esse rendimento é seu. Além disso, existe uma boa chance de que você pague 27,5% sobre uma parte de sua renda hoje. Ao fazer o abatimento, você deixa de pagar essa alíquota de imposto e, quando for pagar no resgate, ela pode ser bem menor. Em geral 10% e, em alguns casos, simplesmente não vai pagar nada. Percebeu como pode ser muito dinheiro?

Para alguém com renda tributável de R$ 10 mil por mês, isso significa uma economia de impostos de até R$ 3.960, ao se investir R$ 14.400 em um ano. No resgate, ao invés de pagar os R$ 3.960 que teria pago anos antes, poderá pagar apenas R$ 1.440, além de ter ficado com os rendimentos do período. Imagine fazer isso por muitos anos, e você verá que estamos falando de muito dinheiro.

Além dessa vantagem incomparável, todos os planos, sejam PGBL ou VGBL, não têm come-cotas, a antecipação do pagamento do Imposto de Renda incide na maior parte dos fundos de investimento duas vezes ao ano, o que aumenta o retorno de longo prazo.

Do ponto de vista de planejamento sucessório, permitem livre direcionamento dos recursos, desde que não entrem em conflito com a lei. Por fim, esses recursos também não entram em inventário, proporcionando liquidez em momentos nos quais os beneficiários mais precisam, além de economizar parte dos custos do processo.

Agora que você viu que realmente existem muitas vantagens nos planos de previdência, por que tanta gente fala mal deles? Isso acontece porque a maior parte dos fundos de previdência é mesmo ruim, com custos muito altos e gestão simples, focada em renda fixa.

Felizmente, esse quadro tem mudado nos últimos anos, e hoje é possível encontrar excelentes fundos de investimento, de gestores renomados e com sólido histórico de retornos, além de custos mais baixos. Eles são menos comuns nos grandes bancos, mas cada vez mais numerosos em corretoras e nas gestoras que distribuem seus próprios veículos.

Para escolher um fundo assim, atente-se ao seu perfil como investidor, mas lembre-se de que normalmente são investimentos de longo prazo e, nesse caso, para obter maiores retornos, é importante aceitar oscilações nos retornos de curto prazo, que podem até ficar negativos durante alguns meses.

Tente evitar fundos de renda fixa, a não ser que seus prazos de resgate sejam mais curtos, de até três anos.

Prefira os multimercados, que possibilitam maior liberdade aos gestores. Os mais modernos —chamados de superfundos ou superprevidências— já fazem essas escolhas pelo cliente, sendo constituídos como fundos de fundos, nos quais uma equipe de gestão profissional monta uma carteira com o que entende serem as melhores opções de fundos de investimento, mudando sempre que encontrar melhores opções, o que significa gestão profissional e ativa. Esses veículos ainda são raros, mas começam a ganhar maior importância e são uma tendência de mercado.

Agora que você conhece as características, sabe que a previdência privada pode ser uma roubada para quem não pesquisa antes ou decide aderir sem refletir sobre o assunto. Se optar pelos melhores planos, pode aproveitar as vantagens, mas seja rápido, já que, para usar o benefício do PGBL na declaração do próximo ano, os aportes precisam ser feitos ainda em 2021.

Para o ano que vem, a possibilidade de deixar os aportes recorrentes em débito automático pode ajudar na disciplina e te aproximar de seus objetivos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL