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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que abandonei meu plano de previdência privada; você precisa saber isso

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

08/10/2021 04h00

Planos de previdência privada são um excelente negócio para bancos e corretoras. Já para os clientes? Bom, desconheço pessoas que tenham carregado o plano até o fim e hoje estão vivendo dele. Eu sou uma delas. Existe um motivo, e eu vou explicar na coluna de hoje. Vou mostrar também qual é o único caso em que, a meu ver, a previdência privada é, sem dúvida, vantajosa.

Antes, só quero deixar claro que não estou falando da previdência corporativa, aquela em que o funcionário aplica um valor todo mês, e a empresa completa. Esse modelo, em geral, é vantajoso para o empregado. Estou falando, sim, dos famosos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). Leia abaixo.

A vantagem da previdência privada

A vantagem da previdência privada está na facilidade de transmitir um patrimônio aos herdeiros. Não há forma legalmente aceita que seja mais simples, rápida e barata do que esta.

Após a morte do investidor, os valores do plano de previdência são transferidos para a conta corrente das pessoas que ele escolheu como sucessoras, sem passar pelo inventário e sem pagar ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação).

Esse imposto é de 4% na maioria dos estados do Brasil, podendo chegar a 8% em alguns casos. Além disso, para fazer o inventário, os sucessores precisam contratar um advogado, que, não raro, pode cobrar 6% do patrimônio a ser transmitido.

Em uma sucessão de R$ 100 mil, por exemplo, o custo do advogado mais o imposto podem chegar R$ 10 mil, se o valor não estiver em previdência privada.

Por que abandonei minha previdência privada?

Foram várias decepções, mas vou focar na principal.

Depois de alguns anos de aportes regulares, fiquei um tempo sem aportar e resolvi pedir o resgate.

Para a minha surpresa, se eu fizesse o resgate na hora, eu receberia menos dinheiro do que o total investido, devido ao imposto de 25%. Essa situação, eu não desejo para ninguém.

No caso, era um plano do tipo PGBL. Ele permite que você faça um abatimento de até 12% na base de cálculo do seu Imposto de Renda. Por outro lado, você paga o IR na hora do resgate, sobre o valor total.

A alíquota do IR varia de 35% a 10% do valor que você acumulou no fundo, de acordo com o tempo decorrido desde o início dos aportes.

Se você está no fundo há menos de dois anos, pagará 35% para resgatar, conforme abaixo:

  • Até 2 anos: 35%
  • De 2 a 4 anos: 30%
  • De 4 a 6 anos: 25%
  • De 6 a 8 anos: 20%
  • De 8 a 10 anos: 15%
  • Acima de 10 anos: 10%

Vamos calcular?

Supondo que você tenha uma renda de R$ 5.000 por mês e invista R$ 500 por mês no PGBL durante um ano, qual seria o seu lucro na hora do resgate? Vamos considerar que o fundo tenha uma rentabilidade de 5% ao ano.

Após um ano

Se você for resgatar tudo ao final de um ano, você terá um prejuízo de R$ 1.310, já considerando o ganho com o abatimento do IR.

Após cinco anos

Caso você resgate só depois de cinco anos, seu lucro será de R$ 338.

Após dez anos

Somente ao deixar o dinheiro no fundo por uma década você terá vantagem. No caso, seria um lucro de R$ 3.391.

Já se você aplicar a mesma quantia em um fundo que não seja de previdência e tenha a mesma rentabilidade bruta (5% ao ano), seu lucro será de R$ 2.902.

Conclusão: você lucrou 16% a mais para deixar o seu dinheiro preso em um fundo de previdência, em comparação com um fundo que não seja de previdência.

E o VGBL?

O plano de previdência do tipo VGBL não oferece uma desvantagem tão grande, pois o IR incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor total aplicado.

Assim, naquela simulação, se você investe R$ 500 por mês em um VGBL, ao longo de um ano, com uma rentabilidade bruta de 5%, você não terá prejuízo. Apenas pagará um IR de 35% sobre o lucro, enquanto em um fundo que não seja de previdência a alíquota de IR será de 17,5%.

E você, o que achou?

Se você investe ou está cogitando investir em previdência privada, me mande um e-mail contando o seu caso ou fazendo uma pergunta.

Lembrando, como sempre, que isso não é uma recomendação de investimento. É apenas um relato comentado da minha experiência.

Quando eu falo isso para alguém que vende planos de previdência, costumo ouvir coisas como: "Claro, você escolheu o plano errado para você; esse plano era para quem paga".

Os planos de previdência privada já foram bem piores. Alguns anos atrás, era possível encontrar fundos de previdência com taxa de administração de 3% ao ano ou mais, além de tarifas de carregamento.

Se quiser me perguntar algo, envie e-mail para uoleconomiafinancas@uol.com.br. As perguntas mais comuns poderão ser respondidas futuramente na minha coluna.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL