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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Banco Inter vai aos EUA e BrasilAgro vende fazendas: veja impactos

Conteúdo exclusivo para assinantes

Felipe Bevilacqua

08/10/2021 09h14

Hoje vamos comentar sobre a reorganização societária promovida pelo Inter (BIDI11), que culminará com a listagem da empresa na bolsa americana Nasdaq, e sobre mais uma venda de ativos por parte da BrasilAgro (AGRO3).

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Inter será listado nos EUA e acionistas receberão BDRs

O Banco Inter (BIDI11) anunciou na quinta-feira (7) que o conselho de administração da companhia aprovou a proposta de reorganização societária do banco, que resultará na listagem da empresa na Nasdaq, a criação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts - certificados que representam na B3 ações de empresas negociadas no exterior), enquanto os papéis BIDI3, BIDI4 e BIDI11 deixarão de ser negociados.

As ações serão incorporadas pela holding que controla o Inter e os atuais acionistas receberão BDRs Nível 1, lastreados nas chamadas Class A Shares. Caso o acionista decida se desfazer dos BDRs, eles poderão ser convertidos diretamente em Class A Shares ou em caixa, com a Opção Cash-out. Vale ressaltar que para trocar os BDRs por ações americanas é necessário abrir uma conta nos Estados Unidos.

As Class A Shares, que serão negociadas na bolsa americana e direcionadas aos minoritários, vão conferir o direito de um voto por ação. Além disso, serão emitidas as Class B Shares, as quais darão o direito a 10 votos por ação, e serão de titularidade exclusiva do acionista controlador do Inter, a família Menin. Essas ações não serão negociadas em bolsa, ficando sob o controle dos proprietários atuais.

Após a conclusão da reorganização societária, cada titular de ação ordinária e preferencial do Inter, incluindo os titulares de units, manterá a mesma participação proporcional no capital da Inter Platform que detinha anteriormente no Inter.

O Inter estudava a migração para os EUA desde a entrada da Stone no último aumento de capital promovido pela empresa. A fintech visa mudar sua base acionária para os EUA pois acredita que, ao ser listada na bolsa de tecnologia americana, poderá ser negociada a múltiplos mais altos e contar com mais facilidade para novas captações de recursos.

A saída da Bolsa brasileira não prejudica os acionistas, uma vez que a estratégia é migrar para um mercado que paga mais por crescimento e tecnologia.

BrasilAgro realiza maior venda de fazenda da sua história

A BrasilAgro (AGRO3), uma das maiores companhias do agronegócio brasileiro, anunciou a venda de quase a totalidade de sua fazenda Alto Taquari, localizada no município de Alto Taquari, em Mato Grosso. O valor total da venda é de R$ 589 milhões, ou R$ 218,6 mil por hectare útil, o maior valor já realizado em uma venda na história da companhia.

A fazenda foi adquirida em 2007 e possui área total de 3.503 hectares úteis, restando apenas 809 hectares no portfólio da empresa após a venda, uma área adjacente às terras vendidas, com características distintas de solo e altitude e ocupadas com o cultivo de cana-de-açúcar.

O reconhecimento da receita e a entrega da posse das terras serão realizados em 2 etapas, sendo a primeira ainda este mês com a entrega de 1.537 hectares úteis pelo valor de, aproximadamente, R$ 336 milhões. E a segunda em setembro de 2024, com a entrega de 1.157 hectares úteis pelo valor de R$ 253 milhões. A BrasilAgro continuará operando as áreas até a entrega da posse.

O comprador das terras não foi informado, mas já pagou R$ 16,5 milhões e ainda pagará mais R$ 31,4 milhões até o fim do ano. O restante do valor será pago em parcelas anuais, com prazo médio de 3,9 anos, e indexado em sacas de soja.

A notícia é positiva para a companhia e esperamos uma reação positiva nas ações da BrasilAgro, considerando o valor relevante da venda e a boa Taxa Interna de Retorno (TIR) esperada de 19,9%. No balanço da empresa, o valor contábil da propriedade é de apenas R$ 31,3 milhões, incluindo os investimentos líquidos de depreciação e a aquisição.

Recentemente, a BrasilAgro anunciou a venda de parte da Fazenda Rio do Meio por R$ 130,1 milhões. A companhia continua aproveitando muito bem a alta nos preços das commodities agrícolas e, consequentemente, a valorização das terras produtivas.

As operações seguem a estratégia da companhia de vender com um ótimo retorno suas fazendas desenvolvidas, enquanto aloca capital para desenvolver e adquirir novas terras com aptidão agrícola. A BrasilAgro encerrou o ano safra 20/21 com caixa líquido, e o montante recebido pela venda das fazendas deve se traduzir em mais dividendos distribuídos a seus acionistas.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL