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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Petrobras tem resultado forte e paga R$ 31,8 bilhões aos acionistas; veja

Petrobras: o lucro líquido referente aos acionistas da Petrobras foi de R$ 31,1 bilhões - Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
Petrobras: o lucro líquido referente aos acionistas da Petrobras foi de R$ 31,1 bilhões Imagem: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Felipe Bevilacqua

29/10/2021 09h03

Hoje comentaremos sobre os resultados da Petrobras (PETR4) e da Vale (VALE3). A estatal divulgou resultados fortes e rápida redução de dívidas e, assim, irá pagar dividendos bilionários aos acionistas. Já a Vale tem resultado um pouco abaixo do esperado com preço menor do minério de ferro.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Petrobras diminui dívidas, aumenta receita com petróleo mais caro e tem lucro maior

Maior companhia estatal do Brasil, a Petrobras (PETR3, PETR4) divulgou seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2021. Os números vieram fortes, com bom crescimento de receita aproveitando o preço mais elevado do petróleo e uma redução do endividamento de seu balanço.

A receita líquida consolidada alcançou R$ 121,6 bilhões no trimestre, impulsionada pela valorização do preço médio do barril tipo Brent, aumento nos volumes e preços de derivados no mercado interno, assim como uma maior receita com energia elétrica e gás natural, decorrentes do maior despacho térmico realizado no trimestre.

O lucro líquido referente aos acionistas da Petrobras foi de R$ 31,1 bilhões, impulsionado por efeitos não recorrentes. Sem considerar esses efeitos, o lucro líquido somou R$ 17,4 bilhões, com uma margem de 14,3%. No terceiro trimestre houve uma reversão de "impairment" (baixa contábil pela perda do valor recuperável de ativos) de R$ 16,4 bilhões, resultado da revisão da curva do petróleo de curto prazo em alguns campos, o que beneficiou o balanço da companhia no trimestre.

Contudo, o principal destaque fica com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente, que alcançou R$ 63,8 bilhões, com margem de 52,5%, mantendo o indicador em patamares elevados, como nos trimestres anteriores.

Em relação aos custos totais, houve um aumento de 15,5% em relação ao segundo trimestre, refletindo os volumes maiores e preços de importação necessários para atender a demanda local, com ênfase para a alta de 94,6% no custo com importação de gás natural.

A forte geração de caixa possibilitou a liquidação de empréstimos e financiamentos no valor de R$ 39,9 bilhões no trimestre. Isso viabilizou a redução da dívida bruta para US$ 59,6 bilhões, abaixo da meta de US$ 60 bilhões estabelecida para 2022. A alavancagem financeira (medida pelo indicador de dívida líquida sobre Ebitda) encerrou o trimestre em 1,17 vez, a melhor marca registrada desde o terceiro trimestre de 2011.

A robustez da geração de caixa, a rápida redução do endividamento e o plano de desinvestimentos permitiram à companhia aprovar uma nova antecipação do pagamento de remuneração aos acionistas referente ao exercício de 2021, de R$ 31,8 bilhões. Somado aos dividendos aprovados no segundo trimestre, os dividendos já totalizam R$ 63,4 bilhões, representando um retorno de dividendos de cerca de 16,5% com base na cotação atual das ações da empresa.

Esperamos uma reação positiva nas ações da Petrobras no curto prazo. O resultado positivo, aliado à grande distribuição de proventos, desvia a atenção dos investidores, cautelosos com uma eventual intervenção na companhia após falas preocupantes do presidente Jair Bolsonaro na noite de quinta-feira (28).

Os números muito bons da companhia começam a acender cada vez mais o alerta de quem já viu um uso inapropriado do balanço da Petrobras para fins de política pública e promoção eleitoral. Há uma pressão vinda dos caminhoneiros, que planejam realizar nova greve no início de novembro. Há também problemas fiscais do governo e a necessidade de recuperação da popularidade do atual governo em preparação às eleições de 2022. Neste contexto, o governo anunciou recentemente um 'auxílio-diesel', com a intenção de pagar R$ 400 para cerca de 750 mil caminhoneiros. Porém ainda não se sabe de onde sairão os recursos.

Enquanto a Petrobras divulga ótimos resultados, a população reclama dos preços dos combustíveis e os políticos buscam aumentar seus gastos visando as eleições. Os dividendos anunciados pela empresa podem servir de alívio, caso tenham uma boa destinação. De qualquer forma, enquanto as cotações do petróleo e do dólar estiverem altas, melhores serão os resultados da Petrobras e maiores serão os riscos de uma intervenção, como já aconteceu em governos anteriores.

Vale tem resultado um pouco abaixo do esperado com preço menor do minério de ferro

A Vale (VALE3) divulgou resultados do terceiro trimestre um pouco abaixo do esperado por causa da diminuição do preço do minério de ferro no mercado internacional.

Conforme já adiantado na prévia de produção e vendas, apesar do pequeno aumento no volume vendido, a forte redução no preço do minério de ferro no trimestre impactou negativamente as receitas da companhia.

O desempenho do segmento de metais básicos poderia atenuar os impactos negativos do minério de ferro. Porém greves realizadas nas minas de níquel diminuíram a produção. E o cobre também sofreu com correções nos preços.

A receita líquida consolidada da mineradora alcançou US$ 12,6 bilhões, uma retração de 24% na comparação trimestral, um pouco melhor do que a queda do minério de ferro de 31% no período. Isso pode ser explicado pela política de precificação que tem parte das vendas atreladas aos preços praticados no trimestre anterior. A contribuição do minério de ferro na receita foi de 84,2% e os metais básicos, cerca de 12,4%.

Com a redução dos preços e maiores impactos nos custos de produção, principalmente os fretes marítimos, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu US$ 4,1 bilhões para US$ 7,1 bilhões.

Pelas mesmas razões, o lucro líquido também sofreu queda. Pesou a reavaliação das operações de carvão, que teve impacto negativo de US$ 2,3 bilhões no resultado - um efeito contábil, não ocasionando saídas do caixa da companhia.

Apesar do cenário desafiador, a companhia continuou gerando bastante caixa para seus acionistas. Em paralelo, anunciou um novo programa de recompra de ações que pretende adquirir mais 200 milhões de ações.

Os números reportados pela Vale refletiram a deterioração do preço do minério de ferro. Entre prós e contras dos resultados, esperamos um resultado negativo no preço das ações da companhia no curto prazo.

O cenário macroeconômico complexo da China nos pegou de surpresa, já que não prevíamos uma piora tão rápida nos preços do minério. Mas também não esperávamos a subida na mesma intensidade no começo do ano. Há fundamentos importantes na tendência de queda, como políticas ambientais mais restritivas por

parte do governo chinês e problemas no mercado imobiliário. Neste contexto, a política da companhia de priorizar a exportação de melhor qualidade nos parece fazer bastante sentido nos próximos trimestres: aumentar os prêmios recebidos e 'retirar' minério de menor qualidade do mercado pode ser benéfico para os resultados e margens da empresa.

Entendemos também que, mesmo neste ambiente, ainda há um descasamento de oferta e demanda de minério de ferro que dificilmente trará os preços para baixo dos US$ 100 a tonelada nos próximos meses. Isso possibilita a empresa a continuar gerando caixa que servirá para manter a política de remuneração dos acionistas, seja por meio de dividendos ou recompras de ações.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL